O mapa que avalia o Risco Potencial da Covid-19 em cada região de Santa Catarina passará por atualização nas medidas de monitoramento a partir desta sexta-feira (2). Entre as mudanças, a taxa de isolamento social e de afastamentos de profissionais de saúde não serão mais consideradas.
Confira o que muda no mapa de monitoramento da Covid-19 em SCC – Foto: Divulgação/Secom/NDNo entanto, a Matriz segue avaliando os índices de transmissibilidade, monitoramento, dimensões, mortalidade e capacidade de atenção nas 16 Regiões de Saúde do Estado.
Segundo o governo, a mudança na análise dos indicadores propõe um foco maior na atenção primária, tendo em vista a mudança do momento da Covid-19 em Santa Catarina.
SeguirA especialista em Epidemiologia do Centro de Operações de Emergência em Saúde, Maria Cristina Willemann, explica que a taxa de afastamento de profissionais de saúde não será mais considerada.
A explicação, segundo ela, é que é possível que haja imunidade coletiva nesta classe de trabalhadores. Como resultado, pode diminuir o risco de colapso no sistema hospitalar.
Maria Cristina reforça ainda que outros indicadores que constavam na matriz de risco potencial regional não estarão mais presentes na atualização da avaliação.
Isso porque o monitoramento das regiões projeta deixar a transmissão sustentada para a fase de recuperação.
“Um dos parâmetros de avaliação da intensidade de fluxos, por exemplo, que media o papel das grandes cidades na sustentação da transmissão deixa de ser avaliada”, explica Maria Cristina.
A epidemiologista ainda acredita que as medidas adotadas para essa atualização são as mais adequadas para o momento.
Outra mudança é na avaliação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ocupadas. Segundo o Governo de SC, a dimensão será analisada apenas quando a taxa estiver superior aos 60% de ocupação.
A explicação é que os leitos também são ocupados por pacientes com caso de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grade) ou outros eventos.
Taxa de isolamento social deixa de ser monitorada
Outra mudança que aconteceu no monitoramento do mapa é a taxa de isolamento social. Questionada pela reportagem do ND Mais, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou apenas, por meio de sua assessoria, que isso é “por conta do novo momento da pandemia”.
Mudança de foco
“Compreendemos que o momento é outro. O gerenciamento tira um pouco o foco da ampliação da estrutura hospitalar catarinense, que já aumentamos consideravelmente, e passa a levar em conta o diagnóstico rápido, o monitoramento e o rastreamento dos contatos”, resume o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro.
A nova matriz é construída com o intuito de refletir um retrato mais coerente com o atual momento do contágio, privilegiando uma avaliação detalhada e objetivando prevenir novos surtos em potencial.
“Não é mais possível olharmos apenas para a Covid-19, pensando em nível estadual. É necessário compreendermos realidades regionais”, afirma.
Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde, Raquel Ribeiro Bittencourt, “esse é um trabalho inédito em termos de Vigilância em Saúde e um trabalho integrado envolvendo a atenção primária”.
Ela destaca que a estratégia vai promover excelentes resultados no cercamento e no monitoramento dos casos para evitar possíveis novos surtos.
Confira o que muda na Matriz de Risco Potencial:
Com a atualização da ferramenta de Risco Potencial, o mapeamento da situação nas 16 Regiões de Saúde do Estado passa a considerar de forma mais analítica os seguintes índices:
Dimensão Evento Sentinela: Considera a mortalidade por Covid-19 como um sinal de alerta que aponta tanto o agravamento da situação, quanto a possibilidade de ocorrência de grande número de casos não identificados pelo sistema de saúde.
Utiliza dados de informação de óbitos recebidos e computados no sistema de informação BoaVista. Os parâmetros considerados provêm da análise da mortalidade por Covid-19 ocorrida em Santa Catarina durante o ano de 2020.
Este indicador é combinado com o Rt (aponta como a epidemia está evoluindo na região) e sua estabilidade interpretada segundo orientação da OMS.
Dimensão Transmissibilidade: Combina informação sobre a quantidade de casos ativos em relação à população, combinada com a variação entre o número registrado na semana de avaliação comparada à anterior.
Dimensão Monitoramento: Aponta a capacidade de rastreamento dos casos e contatos, medida por meio das notificações de casos positivos e negativos.
Assim como a capacidade de realização de vigilância ativa da Covid-19, medida por meio da qualidade do inquérito realizado na comunidade pela atenção primária em saúde e que busca estimar a taxa de pessoas com sintomas gripais.
Dimensão Capacidade de Atenção: Como já visto durante o manejo da pandemia, a disponibilidade de leitos hospitalares de terapia intensiva é extremamente necessária para o manejo de casos graves, sendo que o risco da região aumenta à medida que sua ocupação também aumenta.
É esperado que leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estejam boa parte do tempo ocupados, sendo por atenção aos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) ou outros eventos. Por este motivo, a dimensão somente será avaliada quando esta taxa supere 60%.
A avaliação também ocorrerá a partir do município de residência dos internados, no entanto, a equipe da SES (Secretaria de Estado da Saúde) ainda trabalha para disponibilizar essa informação. Até ela esteja disponível a avaliação considerará internação por ocorrência.