Com 5 mil casos ativos, Grande Florianópolis tem sistema de saúde à beira do colapso

Região permanece em nível gravíssimo de risco para a Covid-19; indicador que mede ocupação de UTI teve piora em relação à última matriz de risco

Catarina Duarte Florianópolis

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Com mais de 82 mil casos confirmados, a Grande Florianópolis está pela segunda semana em nível gravíssimo de risco para a Covid-19. A classificação faz parte do mapa de risco para a doença divulgado pelo Governo do Estado.

Desde a última semana, contudo, houve uma piora no indicador que avalia a ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). De grave, a situação passou para gravíssima.

Grande Florianópolis está em nível gravíssimo na matriz de risco estadual para Covid-19 – Foto: Anderson Coelho/NDGrande Florianópolis está em nível gravíssimo na matriz de risco estadual para Covid-19 – Foto: Anderson Coelho/ND

A matriz de risco é divulgada semanalmente pela SES (Secretaria de Estado da Saúde). Para classificar as 16 regiões quanto ao nível de risco para a Covid-19, considera quatro itens: evento sentinela (mortes), transmissibilidade, monitoramento e capacidade de atenção.

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No último é avaliado a ocupação de leitos de UTI. Na matriz divulgada em 24 de novembro, a Grande Florianópolis tinha condição considerada grave para o item.

Dos 253 leitos totais, 90 eram ocupados por pacientes com a Covid-19, e outros 107 por doentes com outras enfermidades. A taxa de ocupação era de 77,9%.

Já nesta quarta-feira (2), quando foi divulgada a atualização da matriz, a taxa era de 85,7%. A maior ocupação era a de leitos adultos, com 90% das 1.153 vagas ocupadas por pacientes.

Hospitais lotados

Um dos cenários mais preocupantes é o Hospital Regional Helmulth Nass, em Biguaçu. A unidade tem os dez leitos exclusivos para Covid-19 em ocupação máxima. A situação de lotação é registrada desde o início de novembro.

Referência no atendimento de doentes com Covid-19, o Hospital Florianópolis também tem 100% da UTI ocupada. São 30 pacientes internados na unidade. Já no Hospital Governador Celso Ramos, há apenas um leito disponível.

  • Hospital Nossa Senhora da Imaculada Conceição: 71,42%
  • Hospital Regional de Biguaçu: 100%
  • Hospital Regional de São José: 85, 71%
  • Instituto de Cardiologia: 82,76%
  • Hospital Nereu Ramos: 93,33%
  • Hospital Infantil Joana de Gusmão: 34,62%
  • Hospital Governador Celso Ramos: 96,30%
  • Hospital de Caridade: 88,89%
  • Cepon: 70%
  • Maternidade Carmela Dutra: 90%
  • Hospital Universitário: 81,48%

Situação gravíssima

A região segue em níveis alarmantes nos demais itens avaliados pela matriz de risco. No evento sentinela, a classificação é gravíssima. Esse tópico considera a ocorrência de óbitos e o número de reprodução — indicador da disseminação do vírus na população.

Os dados da SES, compilados pelo professor e pesquisador Lauro Mattei, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), apontam que houve um aumento substancial no avanço do vírus em Santa Catarina.

Indicador da disseminação do vírus na população – Foto: Reprodução/NecatIndicador da disseminação do vírus na população – Foto: Reprodução/Necat

O menor valor, registrado em meados de agosto e setembro, foi próximo a 0,85. O que indicava que a doença estava mais controlada, mesmo que o vírus continuasse circulando. Ao final de novembro, o coeficiente já estava acima de 1 em toda Santa Catarina.

Na região, o evento sentinela, item relacionado ao número de reprodução, está em nível gravíssimo. Assim como a transmissibilidade da doença.

O monitoramento é o único em nível grave, segundo mais alto na matriz. Contabilizando casos investigados e o inquérito de síndrome gripal na comunidade, esse item não apresentou mudanças na atualização da matriz.

Ação do poder público

A professora Eleonora D’Orsi, que atua no Departamento de Saúde Pública da UFSC, defende o fechamento de atividades não essenciais para conter o avanço do vírus.

“A única forma de conter a transmissão do vírus é a gestão pública assumir a responsabilidade e decretar o fechamento de todos os serviços não essenciais, inclusive comércio, restaurantes, bares, academias e transporte coletivo”, afirma. D’Orsi ressalta ainda a gravidade da doença, que já se tornou a primeira causa de mortes em Santa Catarina neste ano.

“Ela já matou em 2020 mais pessoas do que o infarto — que sempre foi a primeira causa. Em 2019, foram 2.600 óbitos por infarto e em 2020, a gente não chegou no final do ano, e já temos mais de 3.800 por coronavírus no estado de Santa Catarina”.

Região tem 82 mil casos

A região da Grande Florianópolis concentra a maior parcela de casos confirmados da Covid-19. Ao todo, são 82.236. O número é 26% superior ao da segunda região com mais notificações, a região Sul do Estado, que somava 64.901 de acordo com o boletim da SES de quarta-feira.

Há uma inversão de posições entre as duas regiões quando se trata dos casos ativos. O Sul é o primeiro com 7.792 e a Grande Florianópolis fica em segundo com 5.712.

Na Grande Florianópolis, a Capital é o município da região com maior número de casos ativos: 2.818. Palhoça (952), São José (567) e Biguaçu (282) seguem entre as cidades com mais infectados.

Novas medidas

O governador Carlos Moisés (PSL) se reuniu com 21 prefeitos das maiores cidades catarinenses. O fruto dessa reunião foi um pacote de medidas, que tem como destaque o anúncio de uma espécie de “toque de recolher” que entra em vigor ainda nesta semana.

Outra restrição diz respeito ao limite de funcionamento em estabelecimentos noturnos. O atendimento presencial terá que ser limitado até às 23h, podendo depois disso, somente, sistema delivery ou retirada no balcão.

Com a regionalização, os municípios podem adotar medidas mais restritivas que as demandadas pelo Estado. Segundo a Secretaria de Saúde da Capital, os prefeitos da Grande Florianópolis já se reuniram nesta semana para discutir a pandemia.

Uma nova avaliação deve acontecer somente após a publicação oficial das medidas do Estado.