Conheça a história do “herói” Enzo que venceu a leucemia

O chapecoense Enzo Gabriel Basso de 3 anos foi a primeira criança a realizar o transplante de medula óssea em novo hospital oncopediátrico de Curitiba

Foto de Caroline Figueiredo

Caroline Figueiredo Chapecó

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O brilho dos olhos azuis do chapecoense Enzo Gabriel Basso, de 3 anos, esconde as dificuldades enfrentadas desde muito cedo. Em janeiro de 2019, quando tinha apenas um ano e sete meses, deu sua primeira aula de superação ao ser diagnosticado com LLA (Leucemia Linfoide Aguda). O pequeno enfrentou pesadas sessões de quimioterapia e radioterapia, além de longas internações no Hospital da Criança Augusta Muller Bohner, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina.

O sorriso no rosto e o brilho nos olhos são a marca registrada de Enzo. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDO sorriso no rosto e o brilho nos olhos são a marca registrada de Enzo. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Tudo sempre foi acompanhado de sua principal marca: o sorriso no rosto. O susto dos pais Aline Memelak e Douglas Basso, ao receber o diagnóstico, não foi maior do que a garra e vontade de viver de Enzo. Após o tratamento, a tão esperada remissão da doença foi alcançada. “Ufa, que alívio! Tudo estava dando certo”, acreditaram os pais. 

Ela estava de volta

Mas em fevereiro de 2020, a doença voltou. Dessa vez com ainda mais força. Os sintomas eram os mesmos: nódulos no pescoço e inchaço na barriga. Novamente a família iniciou o tratamento, mas desta vez com um agravante: Enzo precisava, urgentemente, de um TMO (Transplante de Medula Óssea). Uma nova aflição invadiu os corações dos pais, mas não o de Enzo, que, novamente, deu uma lição de força e garra.

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Novas sessões de quimioterapia e radioterapia, incontáveis internações e a busca incessante por um doador compatível. A família iniciou uma campanha para encontrar o doador. Muitos amigos e familiares se cadastraram no banco de doadores do Hemosc em Chapecó. Após muitos exames, uma notícia animadora: Douglas, pai de Enzo, era compatível 50% com o filho. 

Douglas, Enzo e Aline enfrentaram juntos a doença. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDDouglas, Enzo e Aline enfrentaram juntos a doença. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

“Depois do nascimento do meu filho, essa foi a melhor notícia da minha vida. Antes me sentia impotente, sem saber o que fazer para melhorar a qualidade de vida dele, mas quando o resultado veio foi uma injeção de ânimo e força. Agora eu tinha a chance, nas minhas veias, de salvar a vida daquele que é a minha maior razão de existir”, conta o pai emocionado.

Compatibilidade

A comemoração foi imensa, já que, segundo dados do Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) há cerca de 25% de chances de encontrar um doador compatível na família. Caso contrário, inicia-se a busca de alternativas para a realização do transplante.

Nada como um colo de mãe para acalmar qualquer problema. Enzo durante internação com a mamãe Aline. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDNada como um colo de mãe para acalmar qualquer problema. Enzo durante internação com a mamãe Aline. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

As informações dos pacientes que necessitam de transplante são incluídas no Rereme (Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea). Os doadores são cadastrados no Redome. Os dados dos dois registros são cruzados para verificar a compatibilidade entre pacientes e doadores.

Segundo a coordenadora de captação de doadores do Hemosc Chapecó, Eliana Ribicki, o Brasil é o terceiro maior banco de doadores de medula do mundo, com 5.230.297 doadores cadastrados no Redome.

Entre os doadores voluntários a probabilidade de compatibilidade é de 1 a cada 100 mil pessoas, em média. “A medula é igual impressão digital, cada um tem a sua, e a miscigenação existente no Brasil é o que dificulta encontrar um doador compatível. Temos muitas etnias o que gerou uma mistura racial grande e, isso, faz com que haja essa mistura no código genético. Por isso a dificuldade em encontrar doadores 100% compatíveis, por exemplo”, explica Eliana.

Número 1

Após a confirmação da compatibilidade de pai e filho, iniciava mais uma etapa no caminho da cura total de Enzo. A luta era para encontrar um hospital para realizar o transplante por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). Atualmente, somente os estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio de Janeiro possuem hospitais com estrutura para efetuar o TMO. Santa Catarina não estava na lista.

Segundo Basso, que é bombeiro militar, muitas pessoas ajudaram, mas em decorrência da pandemia estava difícil achar uma vaga para realizar o transplante. Muitas ligações, outras tantas viagens. As possibilidades mais próximas eram de datas somente a partir de 2021, mas Enzo não podia esperar.

Enzo foi a primeira criança a realizar o transplante de medula óssea no Hospital Erastinho, em Curitiba. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDEnzo foi a primeira criança a realizar o transplante de medula óssea no Hospital Erastinho, em Curitiba. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

“Nos 45 do segundo tempo, quando já estávamos nos organizando para arrecadar fundos para bancar o transplante, um valor em torno de meio milhão de reais, recebemos a ligação que mudou nossas vidas. Havíamos conseguido uma vaga no Hospital Erastinho, em Curitiba”, relembra Aline.

O Erastinho é o primeiro hospital oncopediátrico do Paraná destinado especialmente ao combate do câncer infanto-juvenil. A nova estrutura que é oriunda do Hospital Erasto Gaertner, proporciona um espaço agradável e exclusivo para crianças, humanizando assim o tratamento.

Enzo foi a primeira criança a fazer um TMO no novo hospital. O pequeno recebeu todo o apoio e carinho da equipe médica do hospital que comemorou mais uma vitória na vida do super-herói Enzo.

Vida nova

O transplante foi marcado para o mês de setembro e lá foi a família Basso em busca da tão esperada vida nova de Enzo. Após um período de internação e exames, o pequeno super-herói, como é carinhosamente reconhecido pelos pais e familiares, recebeu o transplante no dia 17 de setembro. O sangue veio direto da medula e do coração do pai, Douglas.

Enzo no colo do papai Douglas, recebendo a nova medula. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDEnzo no colo do papai Douglas, recebendo a nova medula. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

E as boas notícias não pararam por aí. Após o transplante, a família comemorou a pega da medula, que ocorreu na última sexta-feira (2). As expectativas agora são para a alta de Enzo que deve ocorrer ainda neste fim de semana.  

Super-herói

Enzo sempre gostou de heróis e para alegrar ainda mais a vida do filho, Douglas se vestiu de Homem-Aranha e visitou o filho no hospital. “O verdadeiro super-herói da vida é ele. É o nosso maior exemplo e mostra todos os dias como enfrentar as dificuldades sem perder o sorriso do rosto. Nada no mundo paga ver ele bem e feliz”, relata o pai.

“Nada vale mais que a felicidade do nosso filho. A gente faz tudo por ele.
A vida nos ensinou muitas coisas, mas a principal delas é aproveitar cada minuto com quem amamos. Se seu filho tem saúde, você já tem muito a agradecer”, disse a mãe Aline, em uma postagem nas redes sociais.

Veja o vídeo e segure as lágrimas:

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