Um exemplo de grandeza, de dedicação e amor ao próximo, de perseverança. Alexandra Meyer da Luz,37 anos, joinvilense, é médica nefrologista há 12 anos, e hoje está no meio da Amazônia, na cidade de Tefé.
Decidiu ir para lá por um propósito: atuar em causas humanitárias, especialmente agora, em meio à pandemia do novo coronavírus. Já trabalhou, inclusive, no hospital de campanha do Maracanã.
Alexandra durante atendimento aos moradores na cidade de Tefé – Foto: Arquivo pessoal/divulgação NDDe Joinville, Alexandra atualmente mora em São Paulo, mas tem um sonho de cruzar o Brasil levando saúde tanto para as pessoas quanto para os animais, já que também é estudante de Medicina Veterinária.
Seguir“Tenho um sonho de ter um motorhome com um pequeno consultório médico e um pequeno consultório cirúrgico onde eu possa exercer tanto a medicina humana quanto a medicina veterinária. Quero viajar o Brasil para atender problemas de saúde pública, levar um atendimento básico à população e guiá-la da melhor maneira. Também quero cuidar dos animais”, comenta a médica.
Em Tefé, no Amazonas, Alexandra já coleciona histórias, amizades, conhecimento e emoções.
Em seu primeiro plantão, atendeu uma jovem de 17 anos, a Adriele, com Covid-19. Há três, ela havia dado à luz à menina Ágata. Chegou debilitada e sua situação se agravou. Alexandra passou cinco horas ao lado de Adriele fazendo de tudo para salvá-la, mas, infelizmente, não conseguiu.
Alexandra se solidarizou muito com a família e amadrinhou a a pequena Ágata. Como a família é muito carente, a médica joinvilense chegou a fazer uma campanha na internet para arrecadar alimentos, roupas e fraldas para Ágata. E conseguiu.

“Vou sempre estar em contato com a família, mandando tudo o que eu puder. Também quero vê-la crescer, acompanhar essa criança e, se Deus quiser, um dia levá-la para conhecer São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e quem sabe algum lugar do mundo. Quero ajudá-la a estudar e a ser uma grande mulher.”
Alexandra também dividiu uma história de vida e acredita que esses encontros não são por acaso.
“Perdi um filho com cinco meses de gestação. O meu bebê está no céu, é um anjo. Hoje, penso que a Adriele, a paciente, está com o meu filho lá no céu e eu estou com a filha dela aqui na terra. Eu acredito que esses encontros não são por acaso. Eu fico emocionada de contar. O bem vem e a gente tem de aceitar as nossas missões, nossas perdas e nossas conquistas. Eu gostaria de passar essa história para frente porque ela é muito linda.”
A médica, que quer continuar em sua missão humanitária, finalizou dizendo que todos os profissionais de saúde precisam levar, neste momento, um pouco de conforto a quem perdeu seus entes queridos pela Covid-19.