Conheça os números que levaram Blumenau a endurecer regras de isolamento

Nos últimos 21 dias, cidade teve aumento de 158,8% no número de casos, e 216,6% nas mortes em decorrência da Covid-19

Redação ND Blumenau

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A terça-feira (14) amanheceu sem ônibus em Blumenau, com isolamento compulsório aos idosos, suspensão de cultos religiosos e determinação para que alguns comércios fechem as portas mais cedo. É o resultado do novo decreto assinado pelo prefeito Mário Hildebrandt, com o objetivo de conter a pandemia do novo coronavírus.

Essa, porém, não é a primeira vez que a administração municipal adota medidas mais rigorosas na tentativa de reduzir o ritmo de propagação da Covid-19. Em 24 de junho, determinações foram anunciadas. Entretanto, se mostraram insuficientes para frear a doença. A prova disso está nos números da Secretaria de Promoção da Saúde.

Número de novos casos cresceu 158,8% nos últimos 21 dias – Foto: NDTVNúmero de novos casos cresceu 158,8% nos últimos 21 dias – Foto: NDTV

Há 21 dias – data de divulgação do penúltimo decreto restritivo -, a quantidade de infectados em Blumenau era de 1.723. Nesta segunda-feira (13), chegou a 4.460. Ou seja: 2.737 novos casos no período, o que representa um aumento de 158,8%.

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A ampliação da testagem é apontada como um dos fatores para esse crescimento. Porém, o prefeito tem apontado o relaxamento da população frente às medidas de combate à Covid-19. Não à toa, agora quem se negar a usar máscara será multado.

As mortes também aumentaram de forma significativa. Enquanto seis pessoas tinham perdido a vida para a doença até 24 de junho, o Município viu esse número saltar para 19. Logo, foram 13 óbitos nos últimos 21 dias, resultando em um crescimento de 216,6%. As duas vítimas mais recentes são dois homens, de 63 e 67 anos, ambos com histórico de comorbidades.

Leitos de UTI balizaram a flexibilização

No fim do mês passado, a prefeitura chegou a afirmar que as medidas não foram tão duras porque a cidade tinha ganhado um reforço em leitos de UTI. Até 24 de junho, segundo as contas da Secretaria de Promoção da Saúde, eram 43 destinados a pacientes com Covid-19, somando rede pública e privada.

Naquele dia, o percentual de ocupação era de 60,5%, com 26 pacientes de Blumenau e região internados. E foi justamente aí que os hospitais Santa Isabel e Santo Antônio receberam, cada um, dez respiradores vindos do governo do Estado.

Um fôlego para a rede hospitalar, mas que não durou muito tempo. Com mais pessoas infectadas, as unidades de terapia intensiva logo ficaram cheias.

Entrega de 20 respiradores, no mês passado, para leitos de UTI/Covid – Foto: Karolina Bonin/Divulgação/NDEntrega de 20 respiradores, no mês passado, para leitos de UTI/Covid – Foto: Karolina Bonin/Divulgação/ND

Nesta segunda-feira (13), o percentual de ocupação das UTIs em Blumenau chegou a 81%. O maior percentual desde o início da pandemia. Dos 63 leitos para casos de Covid-19 – que inclui cinco pediátricos -, 51 estavam ocupados. Todos com pacientes adultos.

O endurecimento das medidas de isolamento têm, então, como pano de fundo o perigo de Blumenau chegar à capacidade máxima de ocupação das UTIs.

Uma eventual lotação não decorre apenas do avanço da doença na cidade, mas em toda Santa Catarina. Isso porque os leitos são regulados pelo Estado e pacientes de outras regiões podem ser transferidos para a cidade se não houver vaga próximo da residência do paciente.

Nesta segunda-feira, os hospitais de Blumenau receberam mais respiradores da Secretaria de Estado da Saúde. São 10 para o Hospital Santo Antônio e outros 21 para o Hospital Santa Isabel, dos quais seis chegam para substituir equipamentos antigos. O Hospital Santa Catarina, particular, não ganhou nenhum, mas se comprometeu em abrir mais seis leitos de UTI/Covid, segundo o prefeito.

Operação de Guerra

Com isso, Blumenau chegará à casa de 94 equipamentos. Porém, eles não devem entrar em funcionamento num piscar de olhos. Serão necessários 10 dias, ou mais, para montagem e ativação. É praticamente o período em que dura o novo decreto assinado por Hildebrandt. Por isso ele fez um alerta:

“Então na questão SUS podemos ter mais 25 leitos de UTI no modelo operação de guerra. Mas isso não significa, comunidade de Blumenau, que nós vamos relaxar, por favor! Agora nós temos leitos de UTI novamente, estamos tranquilos? Não é nada disso. Os números de hoje e a crescente de casos não nos dão esse direito”, pontou o prefeito.

O secretário de Promoção da Saúde, Winnetou Krambeck, explica que a expressão “operação de guerra” diz respeito à logística que os hospitais terão de fazer para efetivar as ampliações, o que foge à normalidade do atendimento diário.

“É imprescindível que a população não olhe esses leitos como a salvação da pátria, porque não é. Se não tivermos cuidado, eles logo estarão consumidos e aí acabou, não temos mais alternativas. Nós estamos em um momento complicado na cidade e pode piorar muito se as pessoas não se conscientizarem”, frisou o secretário.

As novas medidas restritivas: como era e como ficou

  • Está proibida a circulação de pessoas idosas e integrantes do grupo de risco, exceto para atividades essenciais, como ir ao trabalho, consulta médica, compras de alimentos e remédios. Antes esse público estava impedido apenas de andar de ônibus. Porém, como nessa faixa etária a necessidade de internação em caso de contaminação é maior e as mortes também são mais frequentes – dos 19 óbitos na cidade, 17 são de idosos – a prefeitura optou pelo isolamento compulsório.
  • Também foi instituída multa ao proprietário de imóveis com aglomeração de pessoas em casas na forma de reunião, festas e qualquer outra atividade. Quando isso ocorria antes do decreto, era lavrado um termo circunstanciado, mas sem penalidade financeira.
  • Lanchonetes, food parks, cafeterias, padarias, confeitarias, bares, tabacarias adegas e similares devem encerrar o atendimento ao público às 20h. Restaurantes e pizzarias deverão atender até as 22h. Anteriormente, o horário para fechamento era 22h e 23h, respectivamente.
  • Shoppings centers deverão encerrar as suas atividades nos fins de semana às 15h de sábado. Com isso, fica proibida a abertura aos domingos, até então permitida, conforme decreto do governo do Estado.
  • As aulas presenciais nas unidades de ensino público e privada das redes municipal, estadual e federal relacionadas à educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, educação de jovens e adultos, ensino técnico e superior seguem suspensas até 7 de setembro. O Estado tem um decreto em vigor que permitia a retomada de algumas instituições antes desse prazo. Mas vale agora o decreto municipal.
  • Suspensa a realização de cultos, missas e outras cerimônias presenciais em templos de qualquer credo religioso. Anteriormente, havia autorização, desde que respeitado o limite de 30% da capacidade das igrejas. Agora, por 14 dias, não devem ocorrer neste formato.
  • O transporte coletivo também parou. O serviço tinha sido retomado em 15 de junho, mas com o aumento de casos, a prefeitura entendeu ser necessário interromper. Com isso, espera menor circulação de pessoas nas ruas e a consequente diminuição na propagação do vírus.

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