Coqueluche: entenda a doença que gera preocupação e alerta no Brasil e para os Jogos de Paris

Coqueluche é altamente transmissível e pode ser fatal; alta da infecção na Europa gera alerta para as Olimpíadas de Paris.

Foto de Amanda Sperotto

Amanda Sperotto Florianópolis

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O aumento nos casos de coqueluche na Europa no primeiro semestre deste ano gerou um alerta. A infecção provoca tosse seca, cansaço, febre e pode causar até pneumonia, além de ser altamente transmissível.

Xícara branca e caixa de lenços usados para ilustrar doença respiratóriaA coqueluche em seus casos mais leves pode ser confundida com os sintomas de um resfriado – Foto: Unsplash/ND

No primeiro semestre deste ano, o aumento foi significativo no continente europeu. Mais de 32 mil casos foram registrados nos primeiros três meses do ano, de acordo com o Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC).

A agência de saúde francesa confirmou uma situação epidêmica. Cerca de 1.400 casos foram registrados no país em abril, crescendo para 3.000 em maio, segundo o Instituto Pasteur. O que gera grande preocupação e uma maior vigilância no território, durante os Jogos Olímpicos de Paris, que começarão em 26 de julho.

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O que é Coqueluche?

A coqueluche é uma infecção respiratória e altamente transmissível causada pela bactéria Bordetella Pertussis. A doença compromete especificamente o aparelho respiratório (traqueia e brônquios).

A infecção pode durar cerca de 6 a 10 semanas. Em bebês, pode resultar em um número elevado de complicações e levar à morte, principalmente aqueles que ainda não completaram o esquema vacinal primário contra a doença.

Criança fazendo nebulização no colo da mãeCrianças costumam apresentar sintomas de forma mais intensa e com risco de morte – Foto: Freepik/Reprodução/ND

Segundo o Ministério da Saúde (MS), estima-se que uma pessoa com coqueluche pode infectar de 12 a 17. Ainda segundo o órgão, a doença está presente no mundo todo.

Asiático cobrindo a boca com as mãos, sugerindo tosse Após surtos na Europa e Ásia, coqueluche acende alerta para o Brasil – Foto: Freepik/ND

Incidência de coqueluche no Brasil

O Ministério da Saúde emitiu recentemente um alerta sobre a possibilidade de um surto da doença, semelhante ao que acontece na Europa, no Brasil.

Foram registrados no país, 115 casos até 6 de junho deste ano, comparados a 217 do ano passado.

No Brasil, o último pico epidêmico de coqueluche ocorreu em 2014 quando foram confirmados 8.614 casos. De 2015 a 2019, o número de casos confirmados variou entre 3.110 e 1.562.

Sintomas da coqueluche

De acordo com o MS, os sintomas podem se manifestar em três níveis:

  • No mais leve, a doença pode ser confundida com um resfriado, é caracterizada por mal-estar geral, corrimento nasal, tosse seca e febre baixa;
  • No segundo nível, as tosses pioram;
  • No nível mais avançado da infecção, a tosse fica bastante intensa, podendo comprometer a respiração, além de causar vômitos e cansaço extremo.

Transmissão

A coqueluche é transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas respiratórias expelidas ao tossir ou espirrar.

A bactéria se aloja nas vias respiratórias superiores, onde se multiplica e libera toxinas que causam os sintomas característicos.

Menina cobrindo a boca com as mãos, sugerindo tosse Transmissão acontece através de gotículas de saliva – Foto: Divulgação/ND

Tratamento para coqueluche

O tratamento da coqueluche é multidisciplinar, envolvendo cuidados médicos, uso de antibióticos, suporte nutricional – como hidratação e alimentação adequadas – e medidas preventivas.

Em casos graves, especialmente em bebês e crianças, pode ser necessária a hospitalização para monitoramento e tratamento intensivo.

Como se prevenir?

A vacinação é a melhor forma de prevenção e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças até 6 anos, gestantes e profissionais da saúde.

Frasco de vacina para coquelucheVacina é aplicada em bebês a partir dos dois meses de idade – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde-DF/Reprodução/ND

A vacina pentavalente é indicada no primeiro ano de vida do bebê, sendo administrada em três doses aos dois, quatro e seis meses de idade, com um intervalo recomendado de 60 dias entre as doses. Posteriormente, são necessárias doses de reforço.