Coronavírus: 15 profissionais de saúde morreram vítimas da doença em Santa Catarina

Maioria das mortes em Santa Catrina foi registrada entre os médicos; Brasil tem mais de 200 mil profissionais da saúde infectados

Catarina Duarte Florianópolis

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“Viajar é ser cidadão do mundo”. A frase motivacional se destaca no mural do escritório de qualidade do Hospital e Maternidade Tereza Ramos, em Lages. Foi colocada ali a pedido do médico geriatra Jonas Lehmkuhl.

(Dá esquerda para a direita) Jonas Lehmkuhl, André Karnikowski, Jaqueline Bonetti Bianco, Márcia Rosa Braga Rodrigues, Semira Coito, Gastão Dias Junior, Claudiomiro Silveira Rattis e Rejane Aparecida Gonçalves Felizardo – Foto: Reprodução/ND(Dá esquerda para a direita) Jonas Lehmkuhl, André Karnikowski, Jaqueline Bonetti Bianco, Márcia Rosa Braga Rodrigues, Semira Coito, Gastão Dias Junior, Claudiomiro Silveira Rattis e Rejane Aparecida Gonçalves Felizardo – Foto: Reprodução/ND

No dia 25 de julho, o mundo perdeu o viajante. Descrito como um dos heróis da pandemia pela ACM (Associação Catarinense de Medicina), Lehmkuhl não resistiu às complicações causadas pela Covid-19.

A ele se juntam outros 14 profissionais da saúde em Santa Catarina que morreram na luta contra a doença. São médicos, enfermeiros e agentes de saúde comunitária.

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O grupo com maior número de mortos é o de médicos, com oito vítimas. Entre elas está André Karnikowski, médico, diretor e ex-presidente do Brusque Futebol Clube. Dos seus 54 anos de vida, 23 deles foram dedicados ao clube catarinense.

“Doutor André, podes ter a certeza de que teus amigos, diretores, comissão técnica, atletas, funcionários e torcida, continuarão levando o teu nome em todas as vitórias e conquistas do nosso querido Bruscão”, disse em nota o atual presidente do clube, Danilo Renzini.

Cinco enfermeiros morreram pela Covid-19

Entre os enfermeiros, foram contabilizadas cinco mortes. Os dados são do observatório da Covid-19 do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem). O levantamento aponta ainda que 2.408 casos foram reportados entre profissionais da categoria, sengo que 27 resultaram em internações.

Também tiveram mortes de técnicos de enfermagem e agentes de saúde. Em Indaial, amigos e familiares da técnica Jaqueline Bonetti Bianco, 37 anos, fizeram cortejo acompanhando a passagem do carro fúnebre. A última homenagem foi com sirenes, buzinaço, orações e aplausos.

Além de Jaqueline, Claudiomiro Silveira Rattis, Vanessa Neuber Salm e Lúcia Isolde Rocha Henrique, todos técnicos de enfermagem, tiveram a vida abreviada pela Covid-19.

Duas agentes comunitárias da saúde também estão entre as vítimas: Semira Coito, 44 anos, e Márcia Rosa Braga Rodrigues, 51.

Semira, que era indígena da etnia Kaingang, morreu após 15 dias internada na UTI do Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê. A trabalhadora da saúde sofria de hipertensão arterial e obesidade. Casada, ela deixou duas filhas, entre elas uma menina de 12 anos.

Mais de 200 mil profissionais infectados no país

O número de profissionais da saúde com Covid-19 no Brasil ultrapassa os 200 mil. O dado é do último boletim sobre a Covid-19 divulgado pelo Ministério da Saúde na terça-feira (19). No documento estão listados os casos de profissionais com Síndrome Gripal que foram testados para a Covid-19.

Segundo o boletim, que apresenta dados gerais sobre a evolução da doença no país, até 15 de agosto foram notificados 1.169.398 de casos de Síndrome Gripal suspeitos de Covid-19 em profissionais de saúde. Destes, 257.156 (22,0%) tiveram resultado positivo para a doença.

Os dados revelam ainda que as profissões com maior registro de casos de Síndrome Gripal por Covid-19 foram técnicos/auxiliares de enfermagem (88.358; 34,4%), enfermeiros (37.366; 14,5%), médicos (27.423; 10,7%), agentes comunitários de saúde (12.545; 4,9%) e recepcionistas de unidades de saúde (11.097; 4,3%).