O número de casos confirmados do coronavírus em Joinville, no Norte de Santa Catarina, mantém a cidade mais populosa do Estado como o epicentro da pandemia há meses.
Entretanto, embora os dados oficiais apontem quase 21 mil confirmados, a estimativa do secretário de Saúde, Jean Rodrigues, é de que cerca de 100 mil joinvilenses já tenham sido expostos ao vírus, o que representa quase 17% da população.
Estimativa é de que cerca de 100 mil joinvilenses já tenham sido expostos ao coronavírus – Foto: Sabrina de Aguiar/NDTVPor outro lado, o coronavírus está menos letal na cidade, segundo o médico especialista e responsável pelo inquérito epidemiológico, Henrique Diegoli.
Seguir“Ainda temos muitas pessoas morrendo por causa da doença e ela ainda é muito grave, todas as pessoas podem ter consequências graves, mas observamos que há uma redução na letalidade desde o início da pandemia”, avalia.
De acordo com Diegoli, o principal fator para a redução no número de mortes é o aprimoramento do tratamento e, entre os remédios que estão apresentando resultado positivo, o médico destaca a medicação dexametasona.
“Ela tem eficácia comprovada em casos mais graves do coronavírus e isso influencia muito na taxa de mortalidade”, fala.
O secretário de Saúde concorda. Para ela, a letalidade está diretamente relacionada com a quantidade de testagem e o grau de gravidade que pode levar os pacientes internados a óbito tem diminuído graças ao tratamento.
“A técnica de tratamento melhorou muito, encaixamos a metodologia de tratamento e alguns medicamentos foram potencializando as respostas. Essa situação que leva a óbito diminuiu bastante”, salienta.
A testagem em massa, acrescenta o secretário de Saúde, é a principal arma para minimizar os impactos e a transmissibilidade do vírus. Até a quinta-feira (1º), Joinville havia testado mais de 84 mil pessoas e, a partir de segunda-feira (5), serão realizados 650 testes rápidos por dia.
Imunidade de rebanho
Os estudos sobre a imunidade de rebanho e quão eficaz ela seria para controlar a pandemia do coronavírus continuam sendo discutidos. Recentemente, um estudo da USP (Universidade de São Paulo) sugeriu que Manaus havia atingido esse estágio de proteção, mas os pontos de interrogação voltaram à tona em seguida, quando um novo surto se espalhou pela capital amazonense.
Em Joinville, no começo da pandemia, admite Jean, a secretaria de Saúde trabalhava com a necessidade de atingir essa proporção de infectados para desacelerar e diminuir o número de contaminação, mas, após sete meses, o conceito foi superado, garante.
“Eu já trabalhei com esse conceito, mas depois tivemos acesso a estudos e entendemos melhor como o coronavírus se comporta e não trabalhamos com essa situação. O nosso foco é a testagem, monitoramento e isolamento para diminuir a curva de transmissibilidade”, afirma.
Estabilização na transmissibilidade do vírus
Para Henrique Diegoli, Joinville reduziu e estabilizou a transmissão, tornando-a mais lenta, mas ressalta que esse estágio foi atingido porque parte expressiva da população está adotando as medidas de isolamento e proteção.
“O pico de maior transmissão foi a última semana de julho, depois tivemos uma estabilização, embora ainda tenhamos transmissão e um número considerável de diagnóstico. É preciso continuar com o comportamento e a adoção de medidas. Se houver piora, teremos um aumento na propagação do vírus”, explica.
“Nosso objetivo é tentar diminuir a velocidade até sair do patamar de transmissão comunitária”, complementa o secretário.