Covid-19: conheça a vacina indiana que a rede particular do Brasil quer comprar

Imunizante feito na Índia está cercado de polêmicas por ter sido aprovado no país mesmo sem a publicação dos resultados de estudos clínicos

Juliana Contaifer, do Metrópoles Brasília

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No último domingo (3), Geraldo Barbosa, presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas, afirmou que a entidade está tentando adquirir 5 milhões de doses da vacina Covaxin, feita na Índia. A ideia é que o imunizante seja comercializado por clínicas particulares.

O imunizante indiano está entre os cogitados para o programa de vacinação do governo brasileiro – Foto: Pixabay/Reprodução/NDO imunizante indiano está entre os cogitados para o programa de vacinação do governo brasileiro – Foto: Pixabay/Reprodução/ND

Pouco conhecida dos brasileiros, a vacina indiana já foi aprovada para uso emergencial em seu país de origem, mas está cercada por polêmicas. Especialistas apontam que ainda não há qualquer dado de eficácia publicado e criticam a falta de transparência do processo.

O imunizante indiano está entre os cogitados para o programa de vacinação do governo brasileiro, que afirma já ter assinado memorando de entendimento com a Bharat Biotech, responsável pela fórmula. A farmacêutica, no entanto, ainda não teria respondido sobre a quantidade de doses disponíveis ou definido uma data para a entrega.

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A Covaxin funciona com um vetor inativado, ou seja, usa o próprio coronavírus manipulado em laboratório para que ele não consiga se reproduzir dentro do organismo. Uma vez que o corpo reconhece o invasor, cria uma defesa específica e, caso o paciente seja exposto novamente ao patógeno, seu organismo já saberá como agir.

A farmacêutica Bharat Biotech começou os testes de fase 1 e 2 em julho de 2020. O imunizante está na terceira fase de estudos clínicos na Índia, com 26 mil participantes, mas não está sendo testado no Brasil.

Esse é um problema a ser enfrentado pela Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas, caso consiga concluir a compra: pelas regras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para participar do processo de submissão contínua (que revisa os dados conforme são liberados e agiliza o processo), é preciso apresentar resultados de pesquisa obtidos em território brasileiro.

A expectativa da associação é que os resultados da fase 3 do estudo clínico da vacina sejam publicados ainda em janeiro e o processo de registro comece em fevereiro. Segundo a agência Reuters, a eficácia estimada é de mais de 60% em duas doses.

Segundo o Ministério da Saúde, se as clínicas particulares forem comercializar o imunizante, devem seguir a ordem de vacinação prevista no plano nacional, dando preferência a profissionais de saúde e idosos, por exemplo.

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