Segundo informações divulgadas pela BBC, o Irã estaria escondendo o número de mortes por coronavírus. “O número é quase o triplo do que o governo do país tem divulgado”, afirmou o jornal.
Os números divulgado divergem dos números registrados – Foto: Divulgação Pública/Reprodução/NDA primeira morte pela Covid-19 no Irã foi registrada em 22 de janeiro, de acordo com listas e registros médicos que foram repassados para a BBC. Isso foi quase um mês antes do primeiro caso oficial a ser divulgado.
Os registros do próprio governo mostram quase 42 mil pessoas mortas por coronavírus até 20 de julho. Já os relatos do ministério da saúde, chegou a divulgar 14.405 mortes. Os números oficiais ainda fazem do Irã o país mais atingido do Oriente Médio.
SeguirUm nível de subconta devido à capacidade de teste, é visto em todo o mundo, mas as informações divulgadas à BBC revelam que as autoridades iranianas relataram números diários significativamente menores.
A discrepância entre os números oficiais e o número de mortes nesses registros também coincidem com a diferença entre os números oficiais e os cálculos de excesso de mortalidade até meados de junho.
De onde vieram os dados?
Os dados foram enviados ao jornal por uma fonte anônima e inclui detalhes de internações diárias em hospitais do Irã, nomes, idade, sexo, sintomas, data e duração dos períodos passados no hospital e condições subjacentes que os pacientes podem ter.
Segundo a fonte, os dados foram compartilhados para “esclarecer a verdade” e encerrar os “jogos políticos” sobre a pandemia.
O que os dados revelam?
Teerã, a capital do país, tem o maior número de mortes, com 8.120 pessoas. Já a cidade de Qom, o epicentro inicial do vírus no Irã, é o mais atingido proporcionalmente, com 1.419 mortes – que é uma morte a cada mil pessoas.
É notável que, em todo o país, 1.916 mortes eram de cidadãos não iranianos. Isso indica um número desproporcional de mortes entre migrantes e refugiados.
Medidas de bloqueio foram impostas durante as férias de Nowruz (Ano Novo Iraniano) no final da terceira semana de março, o que ocasionou em um declínio correspondente em casos e mortes. Mas, à medida que as restrições do governo diminuíram, os casos e mortes começaram a aumentar novamente após o final de maio.
Fundamentalmente, a primeira morte registrada na lista vazada ocorreu em 22 de janeiro. Em 28 dias até o primeiro reconhecimento oficial do governo, em 19 de fevereiro, 52 pessoas já haviam morrido pela Covid-19.
Por que o encobrimento?
O início do surto coincidiu com o aniversário da Revolução Islâmica de 1979 e com as eleições parlamentares. Essas foram as principais oportunidades para a República Islâmica demonstrar seu apoio popular e não correr o risco de danificá-lo por causa do vírus.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo, acusou alguns de querer usar o coronavírus para minar a eleição, que teve uma participação muito baixa.
Antes da pandemia global de coronavírus, o Irã já estava passando por uma série crises internas.
Uma das fontes disse que o ministério estava ‘em negação’. “Inicialmente eles não tinham kits de teste e, quando os adquiriram, não foram usados o suficiente. A posição dos serviços de segurança não era admitir a existência de coronavírus no Irã”comentou.
A fonte também chamou atenção para o fato de que o Irã impediu a organização internacional de saúde Médicos Sem Fronteiras de tratar casos de coronavírus na província central de Isfahan como evidência de quão consciente é sua abordagem em relação à pandemia.
“Quem trouxe o país até esse ponto agora não paga o preço. São as pessoas pobres do país e pacientes pobres que pagam o preço com a própria vida”, afirmou fonte ao jornal.
O Ministério da Saúde disse que os relatórios do país à Organização Mundial da Saúde sobre o número de casos e mortes de coronavírus são “transparentes” e “longe de qualquer desvio”.