Covid-19: Joinville ultrapassa as 100 mortes por coronavírus

Confira a linha do tempo dos principais acontecimentos desde o primeiro caso na maior cidade do Estado, hoje epicentro da pandemia em SC

Raquel Schiavini Schwarz* Joinville

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Joinville ultrapassou, nesta quinta-feira (23), uma triste estatística: mais de 100 vidas perdidas pela Covid-19. Epicentro da doença, a maior cidade de Santa Catarina enfrenta um desafio de saúde pública, com 6.367 casos confirmados e 80% dos leitos destinados à Covid-19 ocupados, tanto na rede pública quanto privada.

Mais quatro pessoas morreram, segundo o último boletim da Prefeitura: três mulheres, de 70, 81 e 86 anos, e um homem com idade de 70 anos, todos com histórico de doenças crônicas.

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Com 103 mortes, a maioria das vítimas é homem e tem entre 60 e 89 anos. A curva que mostra a escalada dos óbitos é preocupante. Só neste mês de julho, foram 58 vidas ceivadas pela doença, o que dá uma média de 2 mortes por dia. O gráfico abaixo, feito com base nos dados até dia 21/7 à noite, traça um perfil das vítimas e dá um panorama da situação na cidade.

Desde o início da pandemia, foram 29 decisões da Prefeitura, entre decretos, portarias e notas técnicas relacionadas ao novo coronavírus. O objetivo é controlar o avanço da doença.

Linha do tempo

Final de fevereiro: é montado um Gabinete de Contingência, com a participação de representantes da rede pública e privada de saúde, para definir protocolos e medidas técnicas para prevenção, acolhimento e tratamento dos casos suspeitos ou confirmados.

13/03 – primeiro caso de coronavírus é confirmado no município. O paciente, um homem com 57 anos, teve histórico de viagens em países da África, Ásia e Europa. Ficou isolado, em tratamento domiciliar. No mesmo dia, a Prefeitura de Joinville lançou portaria recomendando às pessoas de 60 anos ou mais que evitem participar de eventos com aglomeração de público.

Começa a corrida por álcool gel em Joinville, assim como no resto do Estado. Em meados de março, o produto faltou nas prateleiras das farmácias e supermercados. Fábricas clandestinas foram fechadas pela Polícia Civil. Por outro lado, a Udesc e uma indústria farmacêutica passaram a fabricar o produto.

16/03 – primeira portaria que suspende eventos e recomenda dispensa temporária de estagiários e estudantes que exerçam atividades em estabelecimentos de saúde.

17/03 – aulas são suspensas por 30 dias. Um dia depois, em que o governo  declara situação de emergência em todo o território catarinense, Joinville  suspende o expediente em todos os órgãos da Administração Pública municipal e estabelece trabalho remoto. Serviços essenciais, como saúde,  supermercados, distribuidores de gás, postos de combustíveis, funerárias, coleta de lixo, serviços de telecomunicações, segurança, clínicas veterinárias, distribuidora de água continuam abertos. Já comércio de rua, shoppings, hotéis, bares, restaurantes, transporte público e bancos são fechados.

20/03 -prefeito declara situação de emergência em Joinville.

24/03 – empresário joinvilense Alexandre Fernandes, que teve confirmação do coronavírus após viajar com o presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, teve alta do hospital e está curado. Ele chegou a passar cinco dias na UTI e precisou de respirador. Alexandre foi o primeiro caso no Brasil a receber tratamento com esteroides associados à claritromicina.

30/03 -primeira morte do município e a segunda de SC. O empresário Mário Borba, de 68 anos, passou seis dias internado na UTI e não resistiu.

6/04 – decreto recomenda que toda a população da cidade use máscaras quando precisar interromper o isolamento domiciliar.

22/04 – flexibilização das atividades: academias, shoppings e restaurantes voltaram a funcionar.

30/04- decreto que estabelece medidas de isolamento em SC é prorrogado. Continuam proibidas a circulação de ônibus (exceto os da empresas e as linhas da saúde e comércio); as aulas presenciais e eventos.

8/06 – ônibus voltam a circular em Joinville com regras de segurança. A liberação ocorreu após decisão do governo do Estado.

23/06 – Joinville determina isolamento compulsório a toda pessoa com idade igual ou superior a 60 anos. Fica permitido o deslocamento somente para trabalho, atendimentos de saúde e compra de alimentos e medicamentos. Neste mesmo decreto, uso de máscaras tornou-se obrigatório por todas as pessoas, em todos os espaços públicos e os de uso comum. Bares, restaurantes, lanchonetes e similares passaram a funcionar com atendimento limitado a 50% de sua capacidade total.

7/07 – com 3.166 casos de Covid-19, uma alta de 193 casos em 24 horas, e 49 mortes, Joinville passa a ser o epicentro da doença, com o maior número de casos em Santa Catarina.

8/07 – Hospital Municipal São José chega a 100% de ocupação nos leitos de UTI destinados à Covid-19.

9/07 –dia em que Joinville ultrapassou a marca de 50 mortes por Covid-19. O número de casos confirmados neste dia era de 3.479.

16/07Unimed anuncia lotação máxima de leitos de UTI. 

Doloroso recorde de mortes em julho: 58 mortes até esta quinta-feira (23). O número deste mês é maior do que a soma dos meses anteriores -média de duas mortes por dia. Só no dia 17, foram registradas nove mortes, o maior número em apenas um dia até agora. 

20/7 – médicos da rede pública de Joinville ficam autorizados a prescrever cloroquina/hidroxicloroquina para tratamento da Covid-19. Isto, claro, após avaliação médica, com realização de anamnese, exame físico e exames complementares e, principalmente, com o consentimento do paciente.

22/7 – Concessionárias do transporte público de Joinville buscam garantir na Justiça o direito de circular após o governo estadual suspender, mais uma vez, os ônibus. Desde segunda-feira (20), a circulação está proibida.

*colaboração de Adriele Evarini

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