O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou nesta quarta-feira (26), em Brasília, que a possibilidade de uma terceira onda da pandemia de Covid-19 é uma preocupação. O ministro também frisou que a pasta está atenta à evolução dos casos da doença no país.
Ao ser perguntado sobre a possibilidade de avanço da crise sanitária em razão do aumento de casos, Queiroga afirmou que o cenário pode estar ocorrendo por conta do afrouxamento de medidas de restrição à circulação de pessoas e distanciamento social ou efeito de nova variante.
Marcelo Queiroga falou sobre diversos aspectos referentes à pandemia no Brasil – Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputado/Divulgação/ND“É uma preocupação. Nós assistimos agora a uma redução daquela tendência de queda de óbitos e isso pode se dever a uma flexibilização das medidas de bloqueio”, observou.
Seguir“Estávamos com medida de bloqueio e aí, como houve uma redução da pressão sobre o sistema de saúde e mais disponibilidades de leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva], então se flexibiliza e, quando se flexibiliza, pode haver uma tendência de aumento de casos”.
Segundo o ministro, outra possibilidade é a da presença de variante do novo Coronavírus no país. Nesta quarta-feira, o Instituto Adolfo Lutz identificou um caso da variante indiana, a B.1.617.2, em São Paulo.
Este é o segundo caso da variante registrado no país. O primeiro foi confirmado na quinta-feira (20), no Maranhão. Segundo o ministro, a pasta está realizando o monitoramento dos casos.
Medidas restritivas
Queiroga disse que o Ministério da Saúde está fazendo a vigilância genômica dos casos e que pode haver necessidade de adoção de medidas mais restritivas em regiões do país.
“Essa vigilância genômica é feita. Nós estamos atentos. De acordo com a situação epidemiológica de cada região, pode ser necessário que se adote uma medida mais restritiva, que fica a cargo da autoridade municipal”, argumentou.
Durante a audiência conjunta nas Comissões de Fiscalização e Controle e de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, o ministro da Saúde disse que estão sendo tomadas medidas para a manutenção dos leitos de UTI e também para a compra de insumos do chamado ‘kit intubação’.
Além dos pregões para a compra dos insumos, a pasta também adquiriu, por meio de parceria com a Opas (Organização Panamericana da Saúde) 2,5 milhões de itens do kit.
“Desses, 800 mil já estão no Brasil, dependentes apenas de aspectos documentais para serem distribuídos”, detalhou.
Sequelas
Segundo Marcelo Queiroga, a manutenção dos leitos é importante devido a sequelas deixadas pelo vírus a longo prazo. Ele justificou a iniciativa argumentando que deve haver, depois da pandemia, uma onda de doenças crônicas como hipertensão e diabetes.
O ministro observou que a manutenção dos leitos também vai dar vazão para a demanda de realização de cirurgias eletivas, que estão, na sua maioria, suspensas em razão da pandemia.
“O desafio é manter leitos habilitados porque vamos ter pressão por doenças cardiovasculares, a questão das cirurgias eletivas. Esse é o nosso desafio”, especificou.
Vacinas
O ministro também foi questionado sobre a suspensão das patentes de vacinas, em discussão na OMC (Organização Mundial do Comércio). A iniciativa tem como meta permitir a aceleração da produção de imunizantes em países em desenvolvimento.
No início do mês, a medida recebeu o apoio do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Na sequência, a China também apoiou a quebra de patentes.
“Se tivéssemos aqui no Brasil condições de produzir vacinas com esse licenciamento compulsório seria excelente, mas nós não temos. Mesmo que houvesse esse licenciamento compulsório, o Brasil não começaria a produzir vacinas imediatamente”, afirmou.
A seguir, o ministro falou sobre o anúncio dos Estados Unidos de que vão doar parte dos imunizantes adquiridos para outros países. Queiroga disse acreditar que não vai haver doação de vacinas para o Brasil e que o desafio do ministério é antecipar as entregas dos imunizantes já contratados.
“Sendo pragmático: os Estados Unidos não vão doar doses de vacinas para o Brasil, até porque o Brasil comprou doses das indústrias americanas. O que queremos é antecipar essas doses. E esse é o nosso esforço”, finalizou.