O Ministério da Saúde afirmou nesta sexta-feira (6) que há falta de vacinas para imunizar crianças contra a Covid-19. Neste momento não há estoque disponível para o grupo de 6 meses a 4 anos. Agora, o governo federal tenta antecipar mais de 7 milhões de doses para continuar vacinação infantil.
Em Santa Catarina aproximadamente 23 mil crianças foram vacinadas com 1ª dose. – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDEm Santa Catarina, por exemplo, aproximadamente 23 mil crianças foram vacinadas com 1ª dose. Isso representa 4,6% da população vacinável desta faixa etária.
Negociação de vacinas
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, afirmou também nesta sexta-feira (6) que a pasta negocia com a farmacêutica Pfizer a possível antecipação de pedidos de 7,7 milhões de doses de vacinas pediátricas contra a Covid-19.
Seguir“A gente herdou o contrato passado da Pfizer. Nós não temos doses agora. A previsão é de entrega no fim de janeiro. Vamos negociar para tentar antecipar”, afirmou Ethel em entrevista coletiva.
Ainda no término de 2022, o Ministério da Saúde informou detalhes da compra de mais de 60 milhões de vacinas contra a Covid-19 da Pfizer, que atingiram um total de 150 milhões, dos quais 81 milhões já foram entregues no ano passado.
Para 2023, até o segundo trimestre, 69 milhões de doses remanescentes devem ser entregues. Esse número inclui vacinas bivalentes (protegem contra a cepa original e a Ômicron), para pessoas acima de 12 anos, e imunizantes monovalentes (protegem contra a cepa original), para crianças de 6 meses a 11 anos.
Segundo Ethel, são 3,2 milhões de doses esperadas para o primeiro grupo e 4,5 milhões para o segundo.
Já no começo da nova gestão, foi autorizada também a dose de reforço para o público de 5 a 11 anos. Entretanto, a falta de imunizantes da Pfizer, o único utilizado para essas duas finalidades, trava o avanço da vacinação.
A outra vacina pediátrica contra a Covid-19 aprovada para crianças menores, a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantã, pode ser aplicada a partir dos três anos de idade.
A secretária, contudo, disse que o contrato com o instituto foi paralisado pela gestão anterior do Ministério da Saúde, devendo ser retomado em breve.
Está também nos planos do ministério uma campanha para que maiores de 12 anos completem o esquema vacinal, incluindo a dose de reforço.
De acordo com Ethel, cerca de 80% da população tomou as duas doses, mas o reforço não chega a 50% de cobertura.
Variante
O momento exige atenção, na avaliação do ministério, pois a variante XBB.1.5, também chamada de Kraken, já circula no Brasil. Ela foi classificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como a mais transmissível já detectada até agora.
Todavia, ainda não há indícios de que ela provoque quadros mais graves de Covid-19 em indivíduos completamente vacinados.
Por outro lado, a preocupação ocorre justamente com aqueles que não concluíram o esquema de imunização, além de idosos e indivíduos imunossuprimidos.