Covid-19: países desenvolvidos reservam mais da metade das futuras doses de vacinas

Cerca de 51% das futuras vacinas já foram vendidas; as nações ricas representam 13% da população mundial

Redação ND Florianópolis

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O relatório divulgado pela ONG Oxfam nesta quarta-feira (16) aponta que metade das futuras doses de vacina contra a Covid-19 já foram adquiridas por países ricos, que representam 13% da população mundial. As informações são da agência portuguesa TVi 24.

Doses de vacinas já foram vendidas – Foto: Arquivo/NDDoses de vacinas já foram vendidas – Foto: Arquivo/ND

O objetivo destes países, que incluem os Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e Japão, é garantir o fornecimento de múltiplos concorrentes para que, pelo menos, uma delas seja eficaz.

A empresa farmacêutica AstraZeneca, parceira da Universidade de Oxford, assinou a maioria dos contratos; mas a Sanofi, Pfizer, Johnson & Johnson, a norte-americana de biotecnologia Moderna, o laboratório Sinovac, na China, e o instituto russo Gamaleia também venderam centenas de milhões de doses em todo o mundo.

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Segundo a Oxfam, os contratos com estas empresas foram assinados ainda na fase três de ensaios clínicos. Cinco desses fornecedores venderam cerca de 5,3 mil milhões de doses, 51% para países desenvolvidos, que incluem ainda Austrália, Hong Kong, Suíça e Israel. Os números não contabilizam compras de fabricantes que estão em fases inferiores no desenvolvimento de vacina.

O restante das vacinas está prometido à Índia (sede do fabricante Serum Institute of India), Bangladesh, China, Brasil, Indonésia e México, de acordo com o relatório.

“O acesso às vacinas não deve depender de onde se vive ou de quanto dinheiro se tem”, criticou um responsável da Oxfam, Robert Silverman.

O relatório denunciou ainda um suposto boicote dos Estados Unidos a um mecanismo de mutualização internacional de vacinas apoiado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que carece de financiamento para poder oferecer imunização nos países em desenvolvimento.

Em maio, a OMS criou o programa ACT Accelerator, para financiar investigações sobre respostas médicas à pandemia e, posteriormente, distribuí-las em países sem poder aquisitivo. No entanto, o organismo só conseguiu arrecadar menos de 10% do total necessário para garantir o acesso às vacinas dos países em desenvolvimento.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que participaram de uma reunião do conselho do programa ACT Accelerator, comentaram que, se a pandemia não for travada nos países em desenvolvimento, poderá regressar aos desenvolvidos, ainda que haja vacinas e melhores terapias.

Na última semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou que a OMS precisa de 35 milhões de dólares para os programas de desenvolvimento e distribuição de vacinas, tratamentos e diagnósticos contra a Covid-19.