Leitos lotados, números crescendo rapidamente e um futuro ainda incerto. É assim que se encontra atualmente a situação da pandemia do novo coronavírus em Joinville, no Norte do Estado.
E no meio de tudo isso, há os desafios da transição do novo governo, que assumirá uma cidade que ainda estará no auge da pandemia da Covid-19.
Joinville registrou nos últimos dias um grande avanço da pandemia de Covid-19 – Foto: Carlos Jr./NDSegundo dados do Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), até o dia 5 de dezembro, Joinville concentrava 66,5% dos casos da região Norte. Além disso, o grupo também aponta que as curvas de contágio na cidade tiveram aceleração em novembro.
SeguirAté esta quinta-feira (10), eram 33.251 confirmados e 414 óbitos, desde o início da pandemia. No meio desse enfrentamento está o atual secretário de Saúde, Jean Rodrigues, que desde o início vem sendo o porta-voz da doença na cidade.
Ele pontua que, atualmente, o maior desafio está no controle da transmissibilidade do vírus e alega que, caso os números não sejam controlados, a pandemia pode atingir seu pior momento já nas próximas semanas.
Além disso, ainda há a dificuldade de lidar com outras demandas que não sejam a Covid, como os atendimentos na rede pública de saúde e a dengue. Está última, inclusive, também teve um avanço significativo de casos nos últimos meses.
Prestes a entregar o posto ao novo secretário, Rodrigues concedeu entrevista ao Grupo ND, onde deu detalhes sobre as medidas que estão sendo tomadas para enfrentamento do vírus e da dengue, ocupação de leitos e tratativas a respeito de uma possível vacina para Covid-19.
Secretário fez um balanço das ações na saúde em 2020 e projetou os desafios para o próximo ano – Foto: Gladionor Ramos/NDTVPandemia
Grupo ND: Secretário, qual a sua avaliação do atual momento em relação a pandemia? Digo isso porque nós tivemos um momento em que houve a curva, depois baixou, e agora estamos voltando…
Jean: Nossa avaliação é de que é uma situação muito preocupante, porque ainda não temos a configuração se estamos em aceleração, se estamos em pico, então não tem essa avaliação nesse momento. A gente pode, daqui um pouco, notar que era realmente um pico que está se dando agora ou não, que é uma fase de aceleração. Não tem como se fazer adivinhação. Tem que atuar na causa da raiz, que é a transmissibilidade.
Nós estamos atuando também para ampliar a rede hospitalar e ter mais suporte às pessoas. Mas o grande desafio é frear a contaminação agora para que os próximos 14, 21 dias sejam mais tranquilos.
Quando o senhor fala nos próximos dias, qual a previsão? Porque fala-se em colapso da saúde. Isso vai acontecer?
Olha, essa palavra, colapso, ela já acontece desde o início do ano, se a gente notar. Quando se tem cirurgias eletivas canceladas, migração de leitos, uma mexida em toda a estrutura, a própria rede privada modulando seus atendimentos, realmente é um processo de mudança de colapso. O que acontece é que a saúde pública é pressionada desde sempre e nesse momento, nós temos mais uma patologia, que é o coronavírus, nos pressionando na rede.
É claro que nunca tivemos tantos leitos de UTI na região de Joinville. Nós ampliamos 60 este ano. Na última década inteira não teve essa aumento que teve em um ano. Mesmo assim, a situação é complicada e preocupante, e com certeza exige a mão de todos para que a gente consiga passar por esse desafio.
Então esse colapso é algo que já vem acontecendo em toda a pandemia?
Isso. É porque as pessoas tem esse sentimento do sistema colapsado. Então o nosso grande desafio hoje é sim os casos agudos, que batem nas portas, que seriam ppr AVC, infarto, coronavírus. E agora está tudo ao mesmo tempo.
Em determinados momentos, Joinville tomou iniciativas diferentes do Estado. Na sua avaliação, isso foi positivo?
Olha, nós temos que avaliar a pandemia em três pontos. Teve o primeiro, que foi realmente lá no início, que ninguém sabia muito como trabalhar e que realmente o Estado teve um protagonismo e tomou decisões, como lockdown e fechamento de comércio. Ali se criou uma falsa sensação de que íamos passar muito bem e estava tudo muito certo, que não ia ter pico.
Mas foi aí que começaram os casos e chegamos no segundo momento onde teve a aceleração, com a ocupação da estrutura que a gente tinha. Só que tem uma diferença básica para esse momento que estamos agora para aquele de antes. Como a gente vinha de um movimento de parada, em que os segmentos estavam retomando, nós não tínhamos pressão de outros atendimentos de saúde. Acidentes tinham reduzido, as pessoas não tinham tantas patologias. Era início do ano, então estava tudo mais tranquilo.
Nesse momento em que estamos agora, a pressão é igual, ou maior, em relação ao coronavírus perante as outras patologias.
O senhor então está dizendo que, no primeiro momento, as pessoas respeitavam mais a quarentena e não tinha tanta circulação. Hoje, pela circulação, acidentes acontecem, as pessoas procuram atendimento por outros motivos, o que acaba superlotando as unidades…
Nós nunca tivemos conforto quando falamos da saúde. Não adianta agora a gente dizer que ‘nossa o coronavírus trouxe desafio’. Nunca houve conforto. A questão é que agora é tudo junto, todas as situações ao mesmo tempo e a população quer atendimento, seja na pública ou privada. O desafio está em toda a rede. E a gente tem que atender. Esse tem sido o desafio.
O terceiro momento foi justamente essa questão das flexibilizações. Elas tinham que acontecer e voltar a girar. Só que não se encontrou paz nesse novo normal e a gente está passando por essa situação de momento agora, essa aceleração de novo.
E pior, em um final do ano onde as áreas que a gente, através do inquérito, tem visto mais contaminados, é justamente as aglomerações de festas e confraternizações, que é uma coisa iminente nessa época. Esse momento festivo, que as pessoas esperam o ano inteiro para se reunir em família. E é isso que a gente está pedindo para não fazer agora. É desafiador.
Mas o momento, ele é pior do que a gente viveu lá em agosto, quando teve alta no número de casos e mortes?
As pessoas têm nos questionado muito: ‘a mas em agosto vocês tinham muito mais leitos disponíveis e agora tem menos leitos’. Os leitos estão crescendo e eles vão crescer. Até o final do ano nós vamos estar, se não igual, maior que aquela quantidade de leitos que estava disponível, porque conforme vai licitando, vai abrindo. E agora que a gente cancelou as cirurgias eletivas, na rede privada e pública, naturalmente vai migrando os leitos. Então eles vão crescer.
Se nós não frearmos a velocidade agora, de transmissão, nós vamos ter um momento em janeiro pior do que em agosto. Muito pior. Porque agora a gente teve rebote dos feriados, eleições, aglomerações que aconteceram e vida normal. E agora no verão, tem as praias.
Nós temos os municípios aqui do entorno, como Itapoá, por exemplo, que aumenta em meio milhão de habitantes durante a temporada e o final do ano. Vai ser desafiador, não tem como não ser.
Hospital São José é uma das unidades que teve 100% dos leitos de UTI ocupados para tratamento da Covid-19 – Foto: Carlos Jr./NDLeitos
Como o senhor avalia a situação dos leitos de UTI já que essa semana tivemos registros de ocupação de 100% nos hospitais públicos? E o que o município está fazendo para reverter a situação?
Desde a semana passada estamos trabalhando na ampliação dos leitos de UTI. Dentro do Hospital Bethesda, que é um hospital nosso, filantrópico contratualizado com o município, vão ser abertos mais dez leitos de UTI na próxima segunda-feira (14). Estamos tentando antecipar para sexta (11), mas com certeza na segunda-feira eles estarão abertos. Essa é uma situação.
A outra é que o município está fazendo a contratação emergencial de médicos para ativar os leitos do Hospital Regional, para colocar mais dez lá. A nossa previsão é de que semana que vem a gente já tenha os médicos contratados e a ative mais esses leitos.
Fora isso, dentro do Hospital São José, nós estamos entregando na próxima sexta uma ala revitalizada, de oncologia, onde eu consigo fazer o remanejamento de espaços, dentro do hospital, para abrir mais leitos de enfermaria, que também tem sido um desafio, principalmente leitos de enfermaria não para Covid.
Por incrível que pareça, hoje nós temos uma grande solicitação de transferência para leitos normais. A rede está pressionada de todos os lados, de todos os tipos de patologia.
A sua avaliação dos números que beiram a total ocupação desses leitos, é uma situação crítica?
Na rede pública, o nosso sistema de leitos é integrado no Estado inteiro. Então, a partir do momento que bate no 100%, ou mesmo antes, no 90%, nós já começamos a fazer as transferências. Nós estamos ficando com pacientes 12, 18 horas entubados aguardando essa transferência, com assistência, para ir para um leito de UTI. Isso não é normal. Não é normal ter pessoas aguardando por um leito e não é normal você estar com 100% de ocupação no Covid.
É óbvio que, ao longo dos anos, praticamente a gente sempre esteve com 100% das UTIs lotadas. Nunca teve ociosidade de UTI. As pessoas também questionam ‘a mas agora vocês estão reclamando que está 100%, mas sempre esteve’. É verdade, mas nós criamos leitos exclusivos para Covid, que bateram nossa capacidade também. Então, com essa ampliação a gente espera ter um respiro para as equipes, porque é muita tensa essa questão das transferências, correr atrás de vaga e garantir a vida das pessoas. Mas essa luta constante por leito de UTI, infelizmente, faz parte da rotina. Não deveria, mas faz.
Acredito que esse momento é difícil, de alerta, e que as pessoas precisam realmente cumprir as medidas estipuladas. Por que? Porque o coronavírus tem um ciclo. Entre pegar a doença e ter uma gravidade, ele chega a demorar de sete a dez dias, para a pessoa ficar grave. Ou seja, quem está contraindo agora, vamos ter um rebote daqui dez a quatorze dias de gravidade. Não é porque agora começou a baixar a ocupação que está tudo certo. Se continuar essa contaminação, nós vamos ter muitos desafios agora no final do mês e início de janeiro.
E os outros leitos que não tem a ver com a pandemia, como está a situação?
Todos estão sendo 100% utilizados. A gente não tem folga, nada na rede. Eu repito: nem na rede pública, nem na privada. Não existe hoje sobra de leitos.
Mas esses destinados à Covid, devem ir para outras patologias quando acabar a pandemia?
Olha, nós sempre tivemos dificuldades de leitos. Então essa é uma oportunidade ímpar para ampliação de rede. Agora é uma questão de política pública e de direcionamento dos próximos governos.
A estrutura está montada. Nós não montamos nenhuma estrutura provisória. Não fizemos isso. Investimos esse ano na saúde em estruturas permanentes, justamente para que elas pudessem permanecer. Não fizemos hospital de campanha.
A única estrutura que foi feita provisória é o Centro de Triagem, em parceria com a iniciativa privada, que assim que a pandemia acabar, volta a ser o ginásio da Tupy. O resto não, são todas estruturas fixas.
Centro de Triagem foi montado no bairro Boa Vista para receber pacientes da Covid-19 – Foto: divulgação/NDPegando o gancho do Centro de Triagem, recebemos algumas reclamações em relação aos agendamentos e demora no atendimento. Qual a explicação para isso?
A procura. Porque além das pessoas que agendam, as pessoas também estão indo por demanda espontânea e a gente não manda embora. Apesar de que não deveríamos, não vamos mandar alguém que está com sintomas circular pela cidade.
O que a gente fez: está ampliando a equipe, colocando mais gente para poder cumprir o prazo. Acontece que hoje, todos os nossos pontos da nossa rede estão com tempo de espera. Não existe nenhum ponto que está com tranquilidade. Se for no UPA Leste está cheio, no PA Norte está cheio, no UPA Sul, centrais, São José, Regional. Pode escolher o ponto de atenção que você não vai ter essa de horário marcado, chegar e ser atendido.
Infelizmente o que gente tem que ter nesse momento é precaução, máscara, álcool em gel e paciência.
Novas restrições
Na semana que vem, os decretos que estão em vigor deixam de valer. O que a gente pode esperar dos próximos dias?
Nós fizemos esse decreto de quatorze dias, com um objetivo: frear a contaminação e a curva de contágio. Esse foi o grande desafio. Frear o número de casos ativos. Se isso acontecer, junto com uma mudança na matriz de risco, de gravíssimo para grave, a gente pensa em alguma situação de flexibilização para o final do ano. Se não, essas medidas precisam continuar no ritmo que estão, sem aumentar, para elas realmente reverterem em alguma mudança no quadro de contaminação para o início de janeiro.
Nosso grande desafio é preparar 2021, para que o ano não comece com esse pico que estamos agora, com essa aceleração e essa quantidade de casos ativos.
Sobre essas novas restrições, essa semana Joinville e região permaneceram no gravíssimo, apesar de mudanças na pontuação de alguns critérios, como a transmissibilidade. Então, todas essas decisões serão feitas depois de avaliar o cenário do fim de semana?
Sim. O que acontece: a matriz está postada em quatro indicadores. Tem um indicador que ainda não está sendo impactado, que é o das mortes. Apesar da gente já ter tido algumas mortes novamente, elas vão aumentar, por causa, justamente da ocupação de UTI, da comorbidade e gravidade dos casos. Não é que a gente quer que as pessoas morram, mas a gente sabe que quando 100% das UTIs estão cheias, pelos números do ano, vamos ter uma mortalidade importante.
Quando esses números também caírem na matriz, impacta naquele indicador. A partir do momento que a transmissibilidade melhora, piora o de morte, porque ele tem uma sequência lógica. As pessoas não entram e morrem. Elas entram, se contaminam, vão para o leito hospitalar, podem migrar para uma UTI. O tempo médio de internação é de 23 dias, então eu ainda tenho o delay de um mês. Tudo isso que está acontecendo agora, nós vamos ter o reflexo daqui a 30 dias.
Então a projeção é de que se as mudanças na matriz ocorrerem, elas seriam muito voláteis também. Ao mesmo tempo que pode cair no grave na semana que vem, na outra, com a entrada das mortes, já volta para o gravíssimo. Então, a gente precisa ter um momento de estabilidade nos números.
Então pode ser que não tenha alterações tão significativas nesse novo decreto?
Exatamente. Tudo indica isso. A gente está tentando compatibilizar as atividades comerciais com a legislação estadual, mas a gente está indo no limite da legalidade.
Vacinas
Falando agora sobre as vacinas. Como estão as tratativas? Já sabemos que São Paulo, por exemplo, anunciou a vacinação da população no próximo mês. E aqui em Joinville, tem alguma previsão?
O que nós fizemos de prático: fizemos reserva orçamentária para o ano que vem e previsão de dinheiro em caixa também para o pagamento dessas vacinas. Fora isso, nós estamos em tratativa com um laboratório para trazer uma fase 3 de testagem de vacina. Não é nenhuma dessas que está sendo anunciada, é uma terceira, uma outra que vai ser testada também.
Quanto esta situação de São Paulo ou não, todas as tratativas de vacinas no país dependem da liberação da Anvisa. Tudo é especulação, que eles vão começar em 25 de janeiro, vão começar em dezembro. Se não tiver a autorização do Governo Federal, não pode fazer a aplicação da vacina.
Então assim que o Governo Federal registrar ou autorizar qualquer vacina, qualquer imunizante para Covid, com certeza nós também vamos atrás dele.
E sobre esse protocolo que foi assinado pela Fecam, a Coronavac, vocês estão acompanhando também?
Nós fazemos parte da Fecam. Então, a gente tem várias estratégias.
Esses testes da terceira fase da vacina, será ainda para esse ano?
Com certeza será para o ano que vem, até porque tem a seleção de pessoas. O que a gente quer finalizar o ano é com o termo assinado e deixar isso pronto para 2021.
Secretário acredita que testes devem ocorrer apenas em 2021 – Foto: Gladionor Ramos/NDTVTransição de Governo
Seguindo nessa linha de mudar o ano, vocês não vão entregar só o Governo, mas vocês vão entregar também uma pandemia. Em questões técnicas, o que vai ficar para a próxima gestão? Como vai ser a transição?
O planejamento dos próximos seis meses de pandemia já estão feitos. Quantidade de leitos, estrutura hospitalar, mutirões de atendimento no início do ano para demanda reprimida, tudo isso já está planejado e com os contratos engatilhados. Insumos, profissionais contratados, tudo a gente vai deixar ajustado.
Desafios virão. A gente sabe que todo o dia tem uma surpresa nova. Mas a gente vai deixar recurso em caixa, orçamento, um caminho já trilhado do que deu certo e o que deu errado. O sistema vai ficar montado para que quem venha, possa tomar a decisão.
Além do coronavírus, o novo Governo terá que desafios para a área da saúde?
O grande desafio é as outras patologias. Nós passamos esse ano inteiro com o desafio de acesso a cirurgias, exames, por causa da restrição. Então é esse passível de atendimentos, que não foi feito, mas que precisam ser feitos.
Por isso que a gente está deixando previsão orçamentária e também contratos direcionados para esses atendimentos para o ano que vem.
Dengue
Além da Covid-19, Joinville também enfrenta a dengue. Segundo a Dive, a cidade está com uma epidemia da doença e com o maior número de casos autóctones do Estado. Quais as alternativas tomadas para solucionar esses problemas?
Na próxima semana nós vamos terminar de instalar mil estações disseminadoras, que é uma nova estratégia, que não é de monitoramento do foco do mosquito, e sim do combate ao mosquito mesmo, a larva. É uma parceria que nós fizemos com a Fiocruz.
No Sul nós somos o primeiro município a adotar essa estratégia, que é muito simples: ela consiste em estações disseminadoras de larvicida que o mosquitinho vai lá, pega, se contamina, molha as patinhas e vai até o ninho, e assim disseminando e matando.
Se a gente conseguir um bom resultado nos bairros que foram colocados, a gente amplia para a cidade inteira. Esta é uma das estratégias a curto prazo da dengue.
Nós temos duas outras estratégias: a bactéria voubach que é a implantação no mosquito, que também está em tramitação, mas só para o ano que vem. Nós temos estratégias de curto, médio e longo prazo. Não dá mais só para combater água parada.
A dengue também é um dos principais problemas enfrentados pelo município – Foto: Pixabay/ReproduçãoQual sua avaliação de trabalho secretário? Não só desse ano, mas da sua gestão como um todo?
Bom, na saúde pública nós tivemos alguns avanços que as vezes não são perceptíveis a olho nu. Por exemplo, fizemos toda a digitalização e a integração da saúde pública no município de Joinville. Para isso, tivemos que fazer reforma das unidades, compatibilização indébita, implantação de fibra ótica, compra de computadores, implantação de sistema, treinamento de equipes e integração de serviços. Isso parece uma coisa simples, mas leva tempo. Integrar uma rede de 86 pontos, com 5 mil profissionais, é um desafio importante.
Esse foi um grande avanço. Outro foi justamente nós enxergarmos o usuário hoje na rede. O usuário ele era perdido antes. Ele que tramitava os papeis dele. Por isso que ainda hoje temos pessoas em casa, aguardando uma cirurgia, achando que está em fila, mas está com toda a documentação original em casa, não foi encaminhada. Essa pessoa nunca vai ser atendida, não tem como captar ela. Esse foi outro avanço.
Outro foi na área de gestão administrativa da secretaria. Nós pegamos a saúde devendo para fornecedores quase um ano, e hoje estamos entregando com até 5 dias úteis. Quase 100% das nossas licitações são pregões online. Então, a gente pregou muito justamente essa compliace dentro da área da saúde para diminuir esses desvios de conduta que existiam. E isso muitas as vezes não é visto.
Outro ponto importante: não se tem mais filas na madrugada. Não se comenta mais sobre as pessoas na frente dos postinhos aguardando para serem atendidas. Elas reclamam que tem postos que demoram dois, três meses para uma primeira consulta, se for uma consulta de rotina, porque se for uma consulta necessária de urgência, elas são atendidas. Mas não se tem mais fila na frente dos postos, de madrugada, isso não existe.
Nosso grande desafio da saúde pública, agora, é dar agilidade e melhorar e ampliar procedimentos, cirurgias. Este é o grande desafio.