O motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva, funcionário da empresa VTC Log, prestou depoimento nesta quarta-feira (1º) na CPI da Covid, no Senado.
O depoimento dele substitui o do empresário Marcos Tolentino, que estava previsto para esta quarta. Tolentino está, segundo a assessoria da CPI, internado em um hospital de São Paulo.
Ivanildo Silva prestou depoimento nesta quarta-feira (1º) na CPI da Covid – Foto: Roque de Sá/Agência Senado/Divulgação/NDSilva era esperado na terça (31), mas obteve uma liminar no STF (Supremo Tribunal Federal), que lhe garantiu o direito de não comparecer. Entretanto, a CPI aprovou um novo pedido de convocação do motoboy.
SeguirEle entrou no radar da comissão por ter feito saques milionários em espécie em nome da VTC Log. A CPI também suspeita que ele fez pagamentos em nome de Roberto Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde.
Quebra de sigilos do motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva
Nesta quarta, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, segundo acompanhamentos do Portal R7, aprovou os requerimentos para a quebra de sigilo telefônico, fiscal, bancário e telemático do motoboy, além de ter requisitado o pedido de busca e apreensão do celular de Ivanildo.
A CPI ainda aprovou o pedido de que as operadoras telefônicas informassem o histórico de localizações do telefone de Ivanildo. O pedido foi feito para que o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) informasse se os bancos avisaram o órgão quanto aos saques de grandes valores feitos pelo motoboy.
Ivanildo afirmou que sua função na verdade consistia em sacar e pagar boletos com os valores, ou então de já sair com o dinheiro em espécie da empresa para pagar as contas.
Segundo ele, o maior valor sacado foi de pouco mais de R$ 400 mil, negando que havia pagado contas de servidores do Ministério da Saúde.
Entretanto, o motoboy foi citado em relatório do Coaf quanto a logística da VTC Log, que analisava as contas da empresa desde janeiro de 2018. O documento mostrou que Ivanildo chegou a sacar R$ 4,5 milhões.
O mesmo relatório registrou que vários saques da empresa aparentam ter “artifício de burla”, por sinalizar atenção para saques com valores de até R$ 49 mil, no limite legal de R$ 50 mil para comunicação de movimentação em espécie do COAF.
Por fim, os senadores destacaram que os bancos são obrigados a comunicar o COAF sobre as grandes movimentações. “Na forma da legislação, [o gerente do banco] deveria ter comunicado ao COAF esses saques altíssimos. Se ele não comunicou ao COAF, ele cometeu um crime também”, apontou o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL).