Crianças aguardam vaga no pronto-socorro após lotação em hospital infantil de Criciúma

No domingo (10), 12 crianças e bebês foram transferidos para hospitais de Santa Catarina, com o apoio de ambulâncias e helicóptero

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Redação ND Criciúma

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O Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, localizado em Criciúma, tinha oito crianças internadas na tarde desta segunda-feira (11) no pronto-socorro, à espera de leitos hospitalares na região. Segundo a direção da instituição, cinco são pacientes clínicos e três aguardam por UTI pediátrica.

Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, em Criciúma, registra superlotação – Foto: Juno César/NDTVHospital Materno-Infantil Santa Catarina, em Criciúma, registra superlotação – Foto: Juno César/NDTV

No domingo (10), a instituição já havia feito a transferência de três crianças que estavam em UTI pediátrica, duas em UTI neonatal e sete em leitos clínicos pediátricos para hospitais do Estado, com o apoio de helicóptero e ambulâncias.

As transferências foram necessárias após o hospital registrar superlotação. Segundo a direção, todos os 29 leitos pediátricos estavam ocupados e mais 23 crianças estavam sob atendimento, totalizando 52 crianças internadas. Seis delas estavam entubadas.

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Hoje o hospital possui 29 leitos de internação pediátrica, sendo 13 UTIs. Para conseguir absorver toda essa demanda, a instituição montou um UTI na área de pronto-atendimento do hospital, onde ainda havia oito crianças internadas nessa segunda-feira.

“Vou completar 40 anos de Pediatria e nunca tinha visto isso. Foi uma situação extremamente diferente e não dá para colocar a culpa em A, B, C e uma conjuntura, um contexto muito complexo que nós vamos ter que avaliar e rever todo esse cenário para tentar explicar”, declarou o diretor clínico do hospital, Leon Iotti, em entrevista ao apresentador João Paulo Messer.

Hospital adotou o Protocolo de Manchester – Foto: Juno César/NDTVHospital adotou o Protocolo de Manchester – Foto: Juno César/NDTV

O diretor, que é médico, também disse que está atuando nesta segunda-feira (11) na enfermaria e como responsável pela UTI neonatal devido à falta de profissionais. “Nós estamos perdendo profissionais porque eles estão começando a ficar exaustos. É uma situação realmente preocupante”.

Medidas urgentes

Em nota, o Hospital Materno-Infantil Santa Catarina informou que está adotando todas as providências possíveis para garantir o melhor atendimento à comunidade.

No domingo, o governador Carlos Moisés, o prefeito Clésio Salvaro e o secretário municipal de Saúde, Arleu Silveira, estiveram no hospital em visita urgente.

Durante a reunião entre as autoridades, ficou acertado que os pacientes de menor gravidade, aqueles classificados clinicamente como de riscos cores verde ou azul, e que acessarem o hospital serão encaminhados para atendimento nas unidades de pronto-atendimento.

A direção do hospital também relatou que está alinhando com as secretarias de Saúde dos municípios vizinhos para todos estenderem seus horários dos prontos atendimentos até as 22h.

“Atendemos toda a região Sul catarinense, além de pacientes da Serra e Litoral Norte gaúcho. Por isso, é importante os pais terem a consciência que muitas vezes a UPA mais próxima pode fazer o atendimento e atender a demanda médica, evitando aglomeração e maiores esperas na recepção do hospital, onde a prioridade sempre serão os casos de maior gravidade, aqueles de urgência e emergência”, destacou o diretor César Magalhães.

Ampliação de leitos e vacinação

A SES (Secretaria de Estado da Saúde), por meio de nota, também informou que está trabalhando em um plano de ação para ampliar os leitos pediátricos no Estado, em especial, nas regiões da Grande Florianópolis e Carbonífera, devido ao alto número de atendimentos registrados, nesses locais, nos últimos dias.

Além disso, ressaltou que a situação enfrentada pelas unidades hospitalares públicas e privadas, que levou inclusive a decretar situação de emergência no início de junho, é reflexo da baixa cobertura vacinal de diferentes enfermidades, em especial da gripe (influenza) e covid-19.

A SES também relatou que foram autorizadas, de imediato, transferências de equipes, empréstimos de equipamentos, insumos e medicamentos, além de outras ações para o hospital, com o objetivo de aumentar a capacidade de atendimento, como a contratação de mais profissionais em caráter de urgência.

Protocolo de Manchester

O Hospital Materno-Infantil Santa Catarina também adotou o Protocolo de Manchester que estratifica os pacientes em cores de acordo com o grau de gravidade de cada um.

Vermelho (atendimento imediato)

  • Politraumatizado grave – Lesão grave de um ou mais órgãos e sistemas;
  • Queimaduras com mais de 25% de área de superfície corporal queimada ou com problemas respiratórios;
  • Trauma cranioencefálico grave;
  • Estado mental alterado ou em coma, com histórico de uso de drogas;
  • Comprometimentos da coluna vertebral
  • Desconforto respiratório grave;
  • Dor no peito associada à falta de ar;
  • Crises convulsivas (inclusive pós-crise);
  • Intoxicações exógenas ou tentativas de suicídio;
  • Reações alérgicas associadas à insuficiência respiratória;
  • Complicações de diabetes (hipo ou hiperglicemia);
  • Parada cardiorrespiratória;
  • Hemorragias não controláveis;
  • Alterações de sinais vitais em paciente com sintomas diversos.

Laranja (tempo de espera recomendado até 20 minutos)

  • Cefaleia intensa de início súbito ou rapidamente progressiva, acompanhada de sinais ou sintomas neurológicos, alterações do campo visual, dislalia, afasia;
  • Alteração aguda de comportamento – agitação, letargia ou confusão mental;
  • Dor severa;
  • Hemorragia moderada sem sinais de choque ou instabilidade hemodinâmica;
  • Arritmia (sem sinais de instabilidade).

Amarelo (tempo de espera recomendado até 30 minutos)

  • Politraumatizado sem alterações de sinais vitais;
  • Trauma cranioencefálico leve;
  • Convulsão nas últimas 24 horas;
  • Desmaios;
  • Alterações de sinais vitais em paciente sintomático;
  • Idade superior a 60 anos;
  • Hemorragia moderada (controlada) sem sinais de choque;
  • Vômito intenso;
  • Crise de pânico;
  • Dor moderada;
  • Pico hipertensivo.

Verde (tempo de espera recomendado até 3 horas ou antes, de acordo com o fluxo de pacientes mais graves)

  • Asma fora de crise;
  • Enxaqueca – pacientes com diagnóstico anterior de enxaqueca;
  • Estado febril sem alteração nos sinais vitais;
  • Resfriados e viroses sem alteração nos sinais vitais;
  • Dor leve;
  • Náusea e tontura;
  • Torcicolo;
  • Hemorragia em pequena quantidade controlada (sem sinais de instabilidade hemodinâmica);
  • Drenagem de abscesso.

Azul (tempo de espera recomendado até quatro horas ou antes, de acordo com o fluxo de pacientes mais graves)

  • Queixas crônicas sem alterações agudas;
  • Unha encravada;
  • Troca de sondas;
  • Aplicação de medicação externa com receita.

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