Cruzeiros suspendem operações por ‘incertezas nos protocolos’ após casos de Covid-19

Anvisa deve investigar suposto descumprimento nos protocolos enquanto empresas pedem "alinhamento"

Kassia Salles Itajaí

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As empresas que operam cruzeiros no Brasil querem “alinhamento com as autoridades em relação aos protocolos de saúde e segurança“. Enquanto isso, segundo a CLIA Brasil (Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros), as empresas decidiram, nesta segunda-feira (3), suspender voluntariamente as operações nos portos do país até 21 de janeiro.

Cruzeiros não podem atracar após surto de Covid-19 – Foto: Luciano Sens/Porto de ItajaíCruzeiros não podem atracar após surto de Covid-19 – Foto: Luciano Sens/Porto de Itajaí

Tudo isso acontece após a confirmação de casos de Covid-19 a bordo de navios da MSC Cruzeiros (um deles, o Splendida, foi barrado de atracar em Balneário Camboriú em função dos casos) e da Costa Cruzeiros. Ambos tinham escalas previstas em Santa Catarina nos próximos dias.

A associação informou que já iniciou conversas com os ministérios da Saúde, Turismo, Infraestrutura, Casa Civil, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e autoridades locais de estados e municípios onde os navios operam para rediscutir as questões em relação à aplicação das normas e o novo cenário.

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As empresas serão investigadas pela Anvisa por supostos descumprimentos de protocolos sanitários nos navios. “A Anvisa irá apurar os fatos e, se constatada irregularidade, os responsáveis serão penalizados nos termos da Lei nº 6437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis. Dentre as penas, estão multas e, até mesmo, a suspensão das atividades das embarcações. A Anvisa ainda noticiará aos demais órgãos de controle”, destacou a assessoria de imprensa do órgão em nota.

Já segundo a CLIA Brasil, as duas companhias passaram por situações que impactaram na operação dos navios, “tornando a continuidade dos cruzeiros neste momento impraticável”, afirmou a associação, em nota.

Segundo a CLIA Brasil, as duas companhias passaram por situações que impactaram na operação dos navios – Foto: Alfabile/Prefeitura de Itajaí/DivulgaçãoSegundo a CLIA Brasil, as duas companhias passaram por situações que impactaram na operação dos navios – Foto: Alfabile/Prefeitura de Itajaí/Divulgação

Suspensão

A suspensão das operações começa a valer nesta segunda e vai até dia 21 de janeiro, e vale para novas partidas. Nenhum hóspede poderá embarcar até o dia 21 de janeiro. Os cruzeiros que estão operando devem finalizar o itinerário.

“É importante que haja convergência entre os protocolos dos navios e os acordos feitos com as autoridades. Esperamos esclarecer esses acordos para garantir um plano uniforme entre as empresas e as autoridades em todos os níveis”, afirma a associação.

Movimentação na economia

Para a CLIA Brasil, esta temporada, que começou em novembro de 2021, tem previsão de movimentar mais de R$ 1,7 bilhão, e mais de 360 mil turistas e geração de 24 mil empregos.

Estima-se, conforme estudo da CLIA Brasil em parceria com a FGV, que cada navio gera em torno de R$ 350 milhões de impacto para a economia brasileira.

Protocolos

Entre os protocolos vigentes está a exigência de vacinação completa para hóspedes e tripulantes com mais de 12 anos, além de testagem pré-embarque com PCR até três dias antes. Os navios também devem fazer testagens amostrais frequentes, de no mínimo 10% das pessoas a bordo.

Em Santa Catarina

O Atracadouro Barra Sul, que recebe os cruzeiros marítimos em Balneário Camboriú, não se posicionou em relação aos casos de Covid-19 nos navios. A cidade deveria receber mais uma escala do MSC Splendida nesta terça-feira (4), o que não foi confirmado.

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