Nas ruas, eles já não fazem parte das paisagens há dias. Aconselhadas por especialistas a permanecer em casa, as pessoas acima de 60 anos foram as primeiras a fazer o distanciamento social por conta da pandemia do novo coronavírus.
O avanço da doença trouxe o isolamento e a ausência de abraços e toques. Por outro lado, a solidão abriu um novo espaço para as gerações coexistirem. Em Santa Catarina, pequenas iniciativas fazem a diferença neste período difícil de quarentena para os idosos.
Pessoas circulam na rua com proteção de máscara – Foto: Anderson Coelho/NDEm São José, na Grande Florianópolis, Renato Mondini decidiu levar conforto aos mais velhos durante a quarentena. O trabalho de acompanhante de idosos que realiza há cerca de um ano mudou de formato, mas não deixou de existir.
Seguir“Eu ouço as histórias deles, converso, bato um papo, só que agora é por telefone ou mais distante, mas ainda faço”, conta.
Até o fim do ano passado, Renato era professor, mas largou a educação para se dedicar aos cuidados do avô, que morreu em dezembro de 2019. Desde então, ele passa as horas na companhia de idosos, nas praças, cafeterias e salas pela cidade.
Pedro Paulo (na janela), de 95 anos, e Renato – Foto: Neto de Aluguel/NDAos 32 anos, o “Neto de Aluguel” – como Renato se apresenta – dedica a vida à troca com os mais velhos. Com a pandemia, ele agora também vai às compras para aqueles que não podem deixar suas casas. O trabalho tem sido intenso, mas gratificante, garante ele.
“Esse é um momento de despertar para a solidariedade e eu espero que perdure. E sou um neto para eles. Dou risada, faço brincadeiras e trato como eu tratava meu avô que morreu. É só o que eles querem”, disse.
Ações em condomínios
Outra ação positiva que tem repercutido e se propagado no Estado são os cartazes colados em elevadores de condomínios, que divulgam uma lista com contatos de moradores que podem ajudar os vizinhos mais velhos nos dias de quarentena.
No Oeste catarinense, o casal Felipe de Quadros e Milla Dalmolin decidiu oferecer ajuda aos moradores que não podem deixar suas casas. “Precisamos nos ajudar”.
O recado colado com fita azul no hall de entrada do prédio diz: “Olá vizinhos mais velhinhos. Vocês não precisa sair de casa! Estamos aqui para ajudá-los”.
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Ajuda nas compras
Contra o coronavírus, a tecnologia também pode ser uma aliada. Pensando nisso, a rede solidária da Prefeitura de Florianópolis, Somar Floripa, produziu uma campanha para auxiliar os idosos a não sair de casa.
No site, os mais jovens podem ajudar os vizinhos idosos a fazer compras, de maneira presencial ou on-line. De outro lado, há também o ícone para cadastro de idosos que estão com essa necessidade. A ideia é dar um ‘match’ entre quem quer ajudar e quem precisa.
“Vimos que esse tipo de atitude funcionou na Europa. Pensamos que esta é uma maneira eficiente de deixarmos os idosos, que são os principais alvos do vírus, em casa”, conta a presidente da Somar Floripa, Cintia de Queiroz Loureiro.
- Se você é um idoso que está no grupo de risco do Coronavírus e precisa de ajuda de um voluntário, cadastre-se aqui.
- E se você está fora do grupo de risco e pode ajudar, acesse aqui e se inscreva.
Itajaí
Para evitar que os idosos saiam de casa, a prefeitura de Itajaí, no Litoral Norte, também oferece um serviço voluntário aos idosos que não podem deixar suas casa e que moram sozinhos.
Secretaria de Assistência Social oferece voluntários para ajudar idosos com comprasSegundo a secretaria de Assistência Social, o atendimento é direcionado àqueles idosos que estão sozinhos em suas residências, cujos familiares ou vizinhos também estão impossibilitados de fazer deslocamentos. Compras de medicamentos ou alimentos são por conta do solicitante, em dinheiro, visto que os voluntários não estarão autorizados a usar cartões de créditos ou débito.
No retorno das compras, o voluntário irá apresentar ao idoso a nota fiscal ou cupom dos itens e o troco.
Pessoas que fazem parte do grupo de risco e devem permanecer em quarentena podem solicitar o serviço pelo número (47) 99609-0631.