A 10ª morte causada pela dengue confirmada em Joinville nesta segunda-feira (30) é o retrato do descontrole da doença em Santa Catarina. A cidade está na lista dos 130 municípios infestados pelo mosquito e também é uma das 61 em epidemia de dengue. Em outras palavras, quando a doença se alastra.
SC participa de reunião com Ministério da Saúde para discutir medidas contra a dengue – Foto: Prefeitura de Joinville//DivulgaçãoEm Santa Catarina, já foram identificados mais de 44 mil focos e 50 mil casos. Mais de 90% foram contraídos dentro do Estado. Só nestes cinco primeiros meses de 2022, já são 47 mortes pela doença. E o número pode aumentar, já que 24 seguem em investigação.
Durante toda a semana, pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) vão capacitar técnicos e equipes regionais na implementação de uma nova ferramenta para auxiliar no combate. São armadilhas dispersoras de inseticida. A estratégia já é utilizada em Joinville há dois anos.
Segundo o diretor da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), João Augusto Brancher Fuck, “a ideia é que o Estado se aproprie dessa proposta e consiga implantar em outros municípios também, já que essa é uma estratégia que que se soma às demais ações de controle vetorial. Não é uma solução mágica. Ou seja, não é só ela que vai resolver os nossos problemas, mas certamente é mais uma possibilidade, é mais uma ferramenta disponível”.
O Estado também formalizou um pedido ao Ministério da Saúde para que altere o teto máximo de agentes de endemia nos municípios. Isso permitiria a contratação de mais profissionais.
“Cada município tem um teto. O mínimo estabelecido é de dois agentes por município, mas claro que isso varia muito. Se você pega municípios maiores, o número é maior. Só que esse teto foi estabelecido lá em 2016, onde o cenário era muito diferente. Por isso, a gente entende que é importante essa revisão. Você precisa revisar esses números pro cenário mais atual que a gente está vivenciando para que os municípios possam receber para a realidade deles”, explicou Fuck.
O assunto deve ser tratado nesta terça-feira (31), em São Paulo, durante reunião do Ministério da Saúde com representantes dos estados. A ideia é discutir outras estratégias para frear o avanço da doença.
Conforme o superintendente do Ministério da Saúde em Santa Catarina, Rogério Ribeiro, está sendo feito “um monitoramento nos agentes disponíveis em todo o país. Vamos ver o que a gente consegue disponibilizar para um tipo de força-tarefa. Nós temos a força nacional do SUS e, se tivermos uma demanda direta do governo do Estado, o Ministério da Saúde vai atender essa solicitação”.
Atualmente, Santa Catarina ocupa a 2ª colocação com o maior número de mortes pela dengue. Só perde para São Paulo, com 134 óbitos. Comparado ao ano passado, o crescimento foi de 487%. Alguns fatores ajudam a explicar o aumento, mas o principal deles tem a ver com o dever de cada um: não deixar água parada.
“Os nossos hábitos do dia a dia parecem que não contribuem, mas favorecem a reprodução do mosquito. Então, aquele pratinho de planta, aquele pneu com água ou aquele balde. São vários fatores que vão contribuindo para que o mosquito chegue ao estado, se dissemine e com isso a gente tem condições de transmissão. Acho que um grande ponto é: para a gente ter transmissão de dengue, e a gente poderia falar também de Chikungunya e de zica, precisa ter o mosquito e as condições para que ele se reproduza”, alertou o diretor da Dive/SC.
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