Dentista de Florianópolis investigado por irregularidades volta a ter CRO ativo

O dentista Anderson Silva voltou a ter seu registro profissional ativo no último dia 16, segundo o Conselho Regional de Odontologia

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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O dentista Anderson Silva, dono da Hof Clínic, voltou a ter seu registro no conselho profissional no último dia 16. O registro do dentista tinha sido suspenso pelo CRO-SC (Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina) em maio, após a clínica em Florianópolis ter a atuação suspensa por uma série de irregularidades.

Dentista Anderson Silva voltou a ativa em Florianópolis Dentista voltou a atuar em Florianópolis – Foto: Reprodução/Site Hof Clinic/ND

De acordo com fontes ouvidas pelo portal ND+, o dentista entregou o imóvel onde ficava a Hof Clinic de Florianópolis, na Beira-mar Norte, para o proprietário. Por isso, o adesivo de suspensão colocado pelo Procon da cidade foi retirado do local.

No entanto, se estivesse aberto, o local não poderia nem “aparentar” estar aberto. A informação foi confirmada pelo Procon da cidade.

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A pasta explica ainda que o processo com a clínica segue correndo e está em fase final.

Clientes do dentista ouvidos pelo portal confirmaram que Anderson está atendendo na clínica da esposa, próxima ao seu antigo estabelecimento.

O portal ND+ entrou em contato com a defesa de Anderson Silva para comentar os acontecimentos, mas não teve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

Relembre o caso

A Hof Clinic, de Anderson Silva, famosa clínica de estética com matriz na Beira-mar Norte, em Florianópolis, foi fechada pelo Procon da cidade foi interditada no dia 4 de maio. O local é acusado de uma série de irregularidades, e teve produtos adulterados apreendidos após “inúmeras reclamações de clientes que se sentiram lesados”, destaca o órgão.

A primeira denúncia, recebida pela Vigilância Sanitária do Município, foi sobre adulteração de seringas de aplicação para procedimento de harmonização facial. O órgão fez então uma primeira ação no local, em abril, notificou o espaço e descobriu produtos que pareciam adulterados, mas ainda sem comprovação.

Uma segunda visita foi feita pelos fiscais já em 19 de abril, quando os profissionais da Vigilância foram hostilizados e quase impedidos de entrar no local. Na ocasião foram apreendidos os mesmos produtos encontrados na primeira visita, escondidos nos fundos da clínica dentro de sacos de lixo.

Segundo a Vigilância foram 43 caixas apreendidas com produtos adulterados. Dentre elas, 36 caixas com duas seringas cada e sete caixas com uma seringa, além de 20 medicamentos manipulados.

Dentista Anderson Silva supostamente adulterava produtos Relatório da Vigilância Sanitária de Florianópolis fotografou as seringas supostamente adulteradas – Foto: Reprodução/MPSC/ND

As práticas irregulares, segundo o órgão, funcionava da seguinte maneira: a clínica comprava um produto considerado de alto luxo para realizar harmonização facial, mas preenchia as seringas com outro produto, de má qualidade, e cobrava como se estivesse aplicando o produto original.

Além desta irregularidade, os fiscais apreenderam 20 caixas de medicamentos manipulados. De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), cada medicamento manipulado é individual e deve ser prescrito para uma pessoa específica, conforme avaliação, e não deve ser usado de maneira genérica como era feito na clínica.

Paciente relata reação

No dia 16 de maio o portal ND+ divulgou com exclusividade o caso de uma mulher que ficou internada após uma aplicação de botox na Hof Clinic de Florianópolis.

O dentista Anderson Silva e a esposa dele, a farmacêutica Deisy Karina Arenhart da Silva, são citados no documento entregue pela defesa da vítima, por serem donos da clínica. A reportagem do ND+ obteve acesso à representação, cujo recebimento foi confirmado pelo TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina).

Na época, o dentista relatou que a mulher nunca foi atendida por ele. Anderson afirmou ainda que, em seus mais de 20 anos de carreira, ninguém teve problemas como os denunciados pela paciente.

A mulher, que pediu para não ser identificada, conta que a primeira aplicação de botox foi feita em 12 de agosto de 2022, quando não houve nenhuma reação. Pouco mais de um mês depois, em 6 de setembro, ela voltou à clínica para consulta de “retorno”, quando foi feita uma nova aplicação.

A segunda aplicação, no entanto, causou efeito alérgico. Cerca de 1h30 após a injeção, a cliente relata que começou a sentir forte aquecimento nos locais da aplicação da toxina botulínica e, posteriormente, por todo o rosto. De acordo com a denúncia encaminhada à 3ª Vara Criminal da Capital, juntamente com a sensação de calor o rosto dela começou a inchar, ficando em pouquíssimo tempo “totalmente desconfigurado”.

Mulher relata ter tido reação alérgica grave após retoque de botox – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDMulher relata ter tido reação alérgica grave após retoque de botox – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

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