Deputado de SC quer tirar presos do grupo prioritário para tomar vacina da Covid-19

Parlamentar é coautor de projeto de lei que tramita na Câmara; população carcerária convive com aglomerações e presídios superlotados, motivo que justifica inclusão

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Felipe Bottamedi Florianópolis

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O deputado federal Darci de Matos (PSD) é coautor de um projeto de lei que defende que “a população privada de liberdade não seja considerada como grupo prioritário no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19″.

O grupo é o 17º na fila de vacinação, atrás das pessoas com comorbidades, deficiência permanente (contemplados nas atuais etapas de vacinação) e das pessoas em situação de rua.

Deputado de SC quer tirar presos do grupo prioritário para tomar vacina da Covid-19Superlotação, aglomero e maior fragilidade a doenças infecciosas justifica inclusão dos presos entre os grupos prioritários – Foto: Arquivo/Wilson Dias/Agência Brasil

O PL 1954/2021 é de autoria do deputado Diego Andrade (PSD/MG) e tramita na Câmara dos Deputados desde terça-feira (25). O parlamentar afirma que quer “fazer justiça aos vários brasileiros que precisam ser vacinados contra a Covid-19” e quer acelerar a retomada das atividades essenciais.

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Matos manifestou apoio ao projeto em plenário, nesta quinta (28). “Vamos vacinar presos, e deixar de vacinar professores, caminhoneiros, trabalhadores do transporte? Isso é vergonha nacional, absurdo mundial. Peço apoio para vacinar primeiros trabalhadores e no fim quem cometeu crimes e está pagando pecados nas cadeias”, disse o parlamentar.

Segundo o plano de vacinação, a inclusão se dá devido ao fato dos presos estarem mais suscetíveis a doenças infectocontagiosas. As más condições de habitação, circulação restrita e a inviabilidade de medidas como o isolamento contribuem para a ocorrência de surtos. No país, são estimados 753.966 pessoas privadas da liberdade a serem vacinadas.

Cadeias superlotadas e aglomeração

Conforme Jefferson Traebert, epidemiologista e professor da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), o plano de imunização considera as vulnerabilidades independentes da situação de vida. “Nós não trabalhamos com essas características. Essa população é mais vulnerável, por isso é priorizada”, ressalta o professor.

As condições precárias das cadeias, o convívio diários com aglomerações e as superlotações das cadeias motivam a inclusão do grupo. A distinção de valor não se enquadra com os preceitos da saúde, que abstraem em favor da valorização do ser humano, concluí o professor.

Até esta sexta-feira (28), 4.724 mil casos foram confirmados em servidores, presos, funcionários e adolescentes privados da liberdade. Ao todo, 14 morreram de Covid-19. Os dados são da SAP (Secretaria de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa).

O PL aguardava, nesta sexta, o despacho do Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP).

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