Dia Nacional da Luta contra a Endometriose: doença atinge 1 em cada 10 mulheres no Brasil

Os sintomas da endometriose podem variar entre cólicas fortes e dores abdominais frequentes, que podem aparecer mesmo fora da época de menstruação

Redação ND Florianópolis

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 180 milhões de mulheres são diagnosticadas com endometriose no mundo, destas, sete milhões são brasileiras. Com a finalidade de promover a conscientização da sociedade sobre o tema, é celebrado o Dia Nacional da Luta Contra a Endometriose nesta segunda-feira (13).

Dia Nacional da Luta contra a Endometriose: doença atinge 1 em cada 10 mulheres no BrasilUma em cada dez mulheres em idade reprodutiva sofre de endometriose. – Foto: Freepik/Reprodução/ND

A doença, que afeta significativamente a fertilidade, surge quando o tecido endometrial se implanta fora do útero. A endometriose ainda pode provocar reação inflamatória, dor e levar a uma formação de aderências pélvicas que distorcem a anatomia local.

Segundo o médico Patrick Bellelis, a doença nem sempre se limita aos órgãos reprodutivos da mulher, podendo atingir outras áreas do corpo.

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“Casos em que a endometriose ocorre em órgãos mais distantes do aparelho reprodutor não são tão comuns, mas podem acontecer. É uma condição que precisa de atenção. É possível também que a endometriose não se limite apenas à superfície, mas afete o interior do órgão. Este seria um tipo mais grave da doença, conhecido como endometriose infiltrativa profunda, que pode impedir o bom funcionamento do órgão afetado”, explica.

O mais importante, segundo o especialista, é a mulher estar atenta aos sinais do corpo e procurar uma avaliação médica quanto antes, caso perceba qualquer alteração.

“É comum a normalização de alguns sintomas da endometriose, sobretudo as cólicas, e este é um erro que acaba atrasando o diagnóstico. Ao procurar avaliação médica, serão feitos exames específicos, como ultrassom ou ressonância magnética, e a partir daí é indicado o melhor tratamento, que pode ser hormonal ou, em alguns casos, cirúrgico”, completa Bellelis.

Uma em cada dez mulheres

De acordo com dados da OMS, uma em cada dez mulheres no Brasil sofre com sintomas de endometriose. Os sintomas podem variar entre cólicas fortes e dores abdominais frequentes, que podem aparecer mesmo fora da época de menstruação.

A advogada, Giovanna S. de Oliveira, 47, teve sua vida mudada devido à doença. Aos 13 anos começou a sentir os primeiros sintomas e relata as dificuldades que enfrentou até seu diagnóstico.

“Na época não se falava em endometriose. Lidei com a falta de informação e empatia da classe médica e das pessoas que julgam que era exagero, dengo ou que era normal. Não é normal sentir dor que te faz contorcer, você não dorme, não come e fica com um fluxo menstrual descomunal que nem os absorventes noturnos dão conta”, explica Giovanna.

Apesar de ser algo corriqueiro, em torno de 15% das mulheres com endometriose são assintomáticas. As demais sofrem com cólicas menstruais progressivas, conforme explica o Dr. Edilberto de Araujo Filho, especialista em Reprodução Humana Assistida.

“Elas vão piorando com o tempo. Depois as dores aparecem fora da menstruação, na relação sexual, ou quando a paciente menstrua e relata dor na direção do ânus”, diz.

Por outro lado, a endometriose afeta 10% das mulheres em idade reprodutiva e cerca de 30% a 50% delas apresentam infertilidade. O risco de a doença se agravar está em alguns hábitos, mas também é consequência das transformações ocorridas na sociedade.

“Entre os fatores que influenciam, estão o estresse, a alimentação e a poluição, somados ao fato de que as mulheres estão protelando a maternidade por questões profissionais e econômicas, gestando menos, amamentando menos, mas menstruando bem mais do que há 20 ou 30 anos”, comenta o especialista.

Para Giovanna, a doença mudou sua visão da maternidade. A advogada explica que foram 27 anos até seu diagnóstico.

“Desde pequena, sempre quis ser mãe. Eu e meu esposo tentamos engravidar inúmeras vezes e nada. Fizemos coito programado, hormônios, FIV e nada. Falam que a endometriose dificulta o processo. Hoje temos 4 embriões congelados, mas preciso ter certeza de que meu corpo e mente suportariam passar pelo processo”, relata.

Março Amarelo — conscientização da endometriose

O debate sobre o tema traz esperança para mulheres como Giovanna, que por anos suportaram as dores dos sintomas e que viram seus sonhos da maternidade abalados.

A especialista em reprodução humana, Hitomi Nakagava, fala da importância de um mês dedicado a tratar da endometriose. “Vários fatores levam há um aumento na detecção da endometriose e, sem dúvida, a conscientização da sua existência com informações sobre suas repercussões levará muitas mulheres a não sofrerem por tanto tempo, sem assistência adequada” afirma.

Para a advogada, falar sobre o tema é essencial, como nos casos de personalidades famosas, como a cantora Anitta, que em 2022 veio a público falar sobre seu diagnóstico e compartilhar sua experiência.

“Se a pessoa tem visibilidade, tem que falar e levar a informação correta. Tem que fazer outras pessoas pensarem e entenderem que é uma doença sim e que acomete milhares de mulheres”, ressalta.

Giovanna finaliza afirmando ser “possível, sim, ter qualidade de vida com a endometriose”. E para as milhares de mulheres que convivem com as dores da doença pelo mundo, a advogada deixa uma mensagem: “Vivam um dia de cada vez. O equilíbrio entre corpo e mente é essencial. E, mais do que tudo, sejamos unidas, o que precisamos: empatia e sororidade”, concluí.

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