Dia do Combate ao Fumo: Florianópolis é a quarta capital do país em número de fumantes

Mesmo no topo do ranking, Florianópolis apresentou uma diminuição de 7,2% no número de fumantes em relação ao primeiro levantamento

Redação ND Florianópolis

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Florianópolis é a quarta capital brasileira que mais consome tabaco. A Ilha de Santa Catarina fica atrás apenas de Porto Alegre, São Paulo e Curitiba no ranking. O resultado foi divulgado pela Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) nesta quinta-feira (29), data em que é comemorado o Dia Nacional de Combate ao fumo.

Alto consumo de tabaco é considerado uma epidemia global, que mata mais de oito milhões de pessoas por ano – Flavio Tin/NDAlto consumo de tabaco é considerado uma epidemia global, que mata mais de oito milhões de pessoas por ano – Flavio Tin/ND

Mesmo no topo do ranking, Florianópolis apresentou uma diminuição de 7,2% no número de fumantes em relação a 2006, quando o levantamento começou a ser feito. Contudo, o número de mortes e doenças causadas pelo tabaco ainda preocupa.

O tabaco mata mais de oito milhões de pessoas por ano no mundo. O problema é uma epidemia global grave, atingindo também pessoas que não fumam, mas acabam inalando a fumaça tóxica, tornando-se fumantes passivos. O número de óbitos para esses casos também chama a atenção, somando mais de 900 mil pelo planeta.

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“O tabagista deve ter conhecimento de que a fumaça do seu cigarro ou de outro derivado do tabaco pode causar doenças nas pessoas com quem convive em casa ou no trabalho e que não existe nível seguro de exposição à fumaça”, afirma a enfermeira Adriana Elias.

Segundo Adriana, enfermeira na Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos Crônicos da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), o tabagista e o fumante passivo têm sérios riscos de desenvolver doenças pulmonares, câncer e cardiopatias.

“A fumaça que sai da ponta do cigarro contém em média três vezes mais nicotina,  três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que o fumante inala”, diz a enfermeira.

O tabagismo também é um importante fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal e impotência sexual e infertilidade em mulheres e homens.

Fumantes são homens, jovens e de classes sociais baixas

O perfil mais comum de fumantes é o de homens, jovens de classes sociais baixas. Os dados foram obtidos através pesquisas do Inca (Instituto Nacional do Câncer), da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) e do Ministério da Saúde.

De acordo com o Inca, no conjunto das capitais brasileiras o número de fumantes do sexo masculino é de 12,1%, o dobro se comparado ao resultado das mulheres de 6,9%. Há também uma preocupação em relação aos jovens.

A média de idade para experimentação de tabaco é de 16 anos no país, segundo o Ministério da Saúde. Entre este grupo, outro aspecto que chama atenção é quanto ao uso de narguilé.  Uma única rodada no aparelho equivale ao volume da queima de 100 cigarros.

“O uso de narguilé foi significativamente associado ao desenvolvimento de câncer de pulmão, doenças respiratórias, coronarianas, doença periodontal e ao baixo peso ao nascer, além de câncer de boca, bexiga e leucemia”, aponta Adriana.

Já a pesquisa Vigitel faz a associação entre o hábito do fumo e a renda média dos entrevistados. O número de tabagistas é de 13% entre os que tiveram educação formal dos 0 aos 8 anos e diminui para  6,2% entre aqueles que tem mais de 12 anos de estudo.

Epidemia do tabagismo é preocupação global

Pelo elevado número de mortes causadas pelo tabaco, ele é considerado epidêmico no mundo.“Quase 80% dos fumantes em todo o mundo vivem em países de baixa e média rendas, onde o peso das doenças e mortes relacionadas ao tabaco é maior”, comenta Adriana.

Contudo, o Brasil, tem obtido melhores resultados. De 2006 a 2018 o número de fumantes no país diminuiu, passando de 16,2% para 10,3%. O valor decresceu ao longo de 12 anos, principalmente entre a população adulta.

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