‘Muito complexo’: diretor de imunização do Ministério da Saúde fala sobre vacinação em SC

Em entrevista ao portal ND+, Eder Gatti, do Ministério da Saúde, apontou causas para números decrescentes de vacinação no Estado

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, contou ao ND+ nesta quarta-feira (20) quais são as dificuldades para aumentar a cobertura vacinal em Santa Catarina. Segundo o médico, a resposta é complexa. 

Diretor fala sobre vacinação em Santa CatarinaDiretor de Imunização do Ministério da Saúde fala sobre cobertura vacinal em Santa Catarina – Foto: Ana Schoeller/ND

“A baixa cobertura vacinal é complexa e tem várias causas. Ela vai desde problemas de registro até problemas de acesso. Há ainda a questão do ataque à confiança das pessoas na vacinação, algo sistemático. Isso acontece nas redes sociais, e é algo que todo brasileiro recebe e, infelizmente, isso diminui a confiança das pessoas nas vacinas, o que leva à queda na cobertura vacinal”, explica o médico.

A declaração foi dada na XXV Jornada Nacional de Imunizações nesta quarta-feira (20).

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O evento, vai até este sábado (23) no Costão do Santinho e traz representações nacionais e internacionais de saúde. Entre as autoridades, estão a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria, Fundo das Nações Unidas para a Infância, entre outros.

Baixa vacinação

Entre 2018 e 2023, Santa Catarina registrou 30 casos de Febre Amarela, conforme dados da SES/SC (Secretaria da Saúde de Santa Catarina). Embora a cobertura vacinal tenha aumentado em 2023, atingindo 89,96%, ainda não alcançou a meta de 95%. No ano anterior, a cobertura vacinal era de apenas 71,95%.

Cobertura vacinal em Santa CatarinaNúmeros foram divulgados pela SES e mostram a baixa cobertura vacinal em crianças – Foto: SES/Divugação/ND

Ministério da Saúde envia dinheiro

Segundo o diretor, o Ministério da Saúde enviou dinheiro para que Santa Catarina aumentasse as taxas de cobertura vacinal.

“Estamos apresentando aos municípios o conceito de microplanejamento, que oferece ferramentas de gestão para tomar decisões otimizadas na vacinação. Isso inclui estratégias como vacinação em escolas, espaços públicos e busca ativa casa por casa”, explica o médico.

Segundo o diretor, foram também realizadas oficinas e enviado dinheiro para que os Estados alcancem níveis maiores de vacinação do calendário básico.

“Disponibilizamos R$ 151 milhões extras para estados e municípios. Os municípios receberam  R$ 137 milhões, e os estados, R$13 milhões, para adotar o microplanejamento como parte de sua rotina. Santa Catarina participou de uma dessas oficinas e seus municípios foram contemplados com esses recursos”, conta o diretor.

Governo Federal destinou recursos para ampliar a vacinação em Santa Catarina Valores foram enviados para o Estado aumentar o número de vacinação – Foto: Prefeitura de Itajaí/Divulgação

O que diz o Estado

Em nota, a DIVE/SC (Diretoria de Vigilância em Saúde de Santa Catarina), o treinamento mencionado será estendido às gerências regionais do estado. Essas gerências serão encarregadas de transmitir as informações necessárias aos 295 municípios catarinenses durante o mês de setembro.

O objetivo é preparar todos os envolvidos para a implementação eficiente do Microplanejamento das Atividades de Vacinação de Alta Qualidade durante a Campanha de Multivacinação.

O Estado também destacou que os recursos financeiros repassados pelo Ministério da Saúde serão direcionados pela Secretaria de Estado da Saúde para a realização da capacitação em microplanejamento e para apoiar as ações de imunização nos municípios de Santa Catarina.

Além disso, os recursos financeiros provenientes dos municípios serão utilizados pelas Secretarias Municipais de Saúde para executar as ações de vacinação conforme planejamento local, contribuindo para o fortalecimento das atividades na Campanha Nacional de Multivacinação.

O diretor nacional também destacou uma das ações propostas, que envolve a realização de vacinações nas escolas como parte dos esforços para aumentar a cobertura vacinal.

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