Pesquisadores do Imperial College de Londres levantaram 203 sintomas prolongados possivelmente associados à Covid-19. Essa manifestação tardia da doença já tem nome: é a chamada “Covid longa”, e amparada por outros estudos.
As conclusões estão documentadas no estudo publicado nesta quinta-feira (15) na EClinicalMedicine, da revista científica The Lancet. O artigo se chama “Caracterizando a Covid longa em grupo internacional: sete meses de sintomas e os seus impactos”.
Não há muito consenso sobre a definição da Covid longa, cujos sintomas permanecem após 28 dias de doença – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/ SecomOs estudiosos acompanharam a evolução clínica de 3.762 indivíduos, em 56 países. Os dados foram colhidos de forma online, entre os meses de setembro e novembro de 2020 – os pacientes se infectaram entre os meses de dezembro e maio.
SeguirEm muitos casos, os indícios da doença se manifestaram sete meses depois do início da infecção. Pelo menos 66 sintomas foram identificados no sétimo mês. Os mais relatados após seis meses de infecção foram fadiga, fadiga pós-esforço e disfunção cognitiva.
Também foram citados: alucinações visuais, tremores, coceira na pele, mudanças no ciclo menstrual, disfunção sexual, palpitação, problemas de controle da bexiga, perda de memória, diarreia e zumbido, entre outros.
Prolongamento
Ao todo, 3.608 (96%) participantes do estudo afirmaram sentir sintomas do coronavírus depois de 90 dias. De todos eles, 2.454 (65%) apresentaram os sinais da doença por pelo menos 180 dias. Somente 233 pacientes se curaram completamente.
Boa parte informou que o tempo de recuperação foi maior que 35 semanas. “Após sete meses, muitos pacientes ainda não tinham voltado aos níveis anteriores de trabalho nem se recuperado, principalmente dos sintomas neurológicos e cognitivos”, detalham os pesquisadores.
São 10 sistemas atingidos pela Covid-19 – neuropsiquiátrico, reprodutivo, cardiovascular, musculoesquelético, imunológico, pulmonar, gastrointestinal, dermatológico, entre outros.
“Covid longa”
Há pouco consenso sobre as definições da “Covid longa”. Os pesquisadores definem a doença como “uma coleção de sintomas desenvolvidos durante ou após a confirmação ou suspeita de Covid-19, e que duram mais do que 28 dias”. Eles acreditam que o número de pacientes deva ser substancial.
A pesquisa referencia um artigo que conclui que uma a cada sete pessoas com coronavírus ainda está com sintomas após três meses do início da infecção. Há ainda uma pesquisa realizada no United States Veteran Affair Health Care System, que estudou pacientes com Covid-19 com níveis maiores de morbidade e mortalidade seis meses após o diagnóstico, se comparado aos indivíduos que não foram infectados.
O estudo da Lancet, entretanto, é o primeiro a quantificar a evolução dos sintomas prolongados por um certo período de tempo, além de demonstrar o impacto no trabalho e na realização de atividades diárias.
“Sofrem em silêncio”
Os estudiosos levantam uma reivindicação. Eles pedem a criação de um programa nacional para monitorar e atender todos as pessoas que acham que sofrem de Covid longa.
Como a doença atinge múltiplos órgãos, é apenas detectando a raiz que os pacientes receberão tratamento adequado. “Muitos pacientes têm esses sintomas, mas não sabem que estão atrelados à Covid-19”, ressaltam.
Lista de sintomas
Na lista estão a febre, tosse seca, falta de ar, fadiga, temperatura elevada, dor no peito, dor de garganta, dificuldade em respirar, perda de apetite, dor muscular, mudanças no cheiro e paladar, diarreia, dor de cabeça, coriza, tontura, insônia, espasmos e problemas de memória.
Também tremores, perda de audição, zumbido, alergias, taquicardia, apneia do sono, náusea, palpitação, dor nas articulações, dor abdominal, confusão/desorientação, temperatura baixa, tosse com muco, vômito, entre outros.