Com apenas 46 anos Santa Catarina perdeu um jovem empresário conhecido em Florianópolis, Tubarão e região: o herdeiro da Le Monde Citroën, Fernando Nunes Füchter. Ele era filho de Nelson Füchter, o ex-proprietário da concessionária em Santa Catarina.
Santa Catarina perde o empresário Fernando Füchter aos 46 anos para ELA – Foto: Divulgação/NDFernando Nunes Füchter lutou contra uma doença desafiadora, a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). O Ministério da Saúde elenca 12 sintomas principais dessa doença debilitante, que afeta progressivamente o sistema nervoso, causando fraqueza muscular, dificuldades na fala e na deglutição, e muitos outros desafios para os pacientes e suas famílias.
A morte do herdeiro da Le Monde Citroën
O velório do herdeiro está marcado para terça-feira (7) das 13h às 16h no Cemitério Jardim da Paz, em Florianópolis. O sepultamento acontecerá no mesmo local, após as homenagens.
SeguirA notícia do falecimento foi confirmada por Nelson Füchter, irmão de Fernando, por meio de uma mensagem nas redes sociais. Nelson expressou seus sentimentos de perda e compartilhou a admiração que tinha por seu irmão.
“Sua luta para sobreviver ao monstro da Esclerose Lateral Amiotrófica deixou a biografia dele ainda mais especial. Era corajoso e um empreendedor nato, no leito doente me incentivou demais a seguir em frente, sempre otimista. Resta seguir em frente, aproveitar o seu legado para tentar fazer da vida um caminho menos duro e um pouco mais feliz! Fiquem com Deus meus amigos e cuidem de quem gosta de vocês! Isso é o que realmente vale a pena!”, diz texto.
A doença
Segundo o Ministério da Saúde, ELA ou Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença que afeta o sistema nervoso de forma degenerativa e progressiva e acarreta em paralisia motora irreversível.
Pacientes com a doença sofrem paralisia gradual e morte precoce como resultado da perda de capacidades cruciais, como falar, movimentar, engolir e até mesmo respirar. O físico britânico Stephen Hawking, que morreu em 2018, foi um dos portadores mais conhecidos mundialmente da ELA.
O físico britânico Stephen Hawking é um dos portadores da doença mais famosos do mundo – Foto: AFP/Divulgação/NDNão há cura para a Esclerose Lateral Amiotrófica. Com o tempo, as pessoas com doença perdem progressivamente a capacidade funcional e de cuidar de si mesmas.
A morte, em geral, ocorre entre três e cinco anos após o diagnóstico. Cerca de 25% dos pacientes sobrevivem por mais de cinco anos depois do diagnóstico.
Confira os sintomas:
- Perda gradual de força e coordenação muscular;
- Incapacidade de realizar tarefas rotineiras, como subir escadas, andar e levantar;
- Dificuldades para respirar e engolir;
- Engasgar com facilidade;
- Babar;
- Gagueira (disfemia);
- Cabeça caída;
- Cãibras musculares;
- Contrações musculares;
- Problemas de dicção, como um padrão de fala lento ou anormal (arrastando as palavras);
- Alterações da voz, rouquidão;
- Perda de peso.
Causas de ELA
Segundo o Ministério da Saúde, as causas da ELA ainda não sejam completamente compreendidas. Só para se ter uma ideia, aproximadamente 10% dos casos são atribuídos a defeitos genéticos.
Essa condição progressiva afeta os neurônios, responsáveis por transmitir mensagens aos músculos. Com o tempo, ocorre o desgaste e a morte desses neurônios, levando ao enfraquecimento muscular, contrações involuntárias e perda de mobilidade nos braços, pernas e corpo.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que atrofia o sistema nervoso central – Foto: ABEM/ReproduçãoO quadro da ELA piora gradualmente, e quando os músculos do peito perdem a capacidade de funcionar, a respiração autônoma torna-se desafiadora.
Além dos fatores genéticos, a ELA pode também estar relacionada a outros elementos, como mutações genéticas, desequilíbrios químicos no cérebro (com níveis elevados de glutamato, que são tóxicos para as células nervosas), doenças autoimunes e possíveis influências do mau funcionamento das proteínas.
Doença rara
Doenças raras são aquelas que afetam até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos, o que equivale a 1,3 pessoas para cada 2 mil. Estima-se que existam de 6 a 8 mil tipos diferentes de doenças raras em todo o mundo.
Elas apresentam uma grande diversidade de sinais e sintomas, variando de pessoa para pessoa. Às vezes, os sintomas podem parecer comuns, o que torna o diagnóstico difícil e causa muito sofrimento tanto para os afetados quanto para suas famílias.
Bruna Grillo Marcelino Füchter e Fernando Füchter eram casados e conhecidos em Santa Catarina – Foto: Darline Santos/Divulgação/ND