Cerca de uma a cada dez pessoas imunizadas com Coronavac ou Astrazeneca sente dor no braço nos primeiros dias após a vacinação. Os relatos são ainda mais frequentes entre os vacinados com a Pfizer. A intensidade varia: desde um pequeno desconforto até mesmo a dificuldade em mexer o membro.
Relatos de dor no braço são mais comuns com os imunizados pela Pfizer, afirma professora – Foto: Gabriela Milanezi/NDA reação é a mais comum entre os imunizados da Covid-19. “A dor no local da injeção, e mesmo a dor corporal ou a indisposição, é normal”, salienta Jefferson Traebert, epidemiologista e professor da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina). Ela pode ocorrer tanto pela própria agulha, com a irritação da picada no músculo, ou como resposta imunológica.
Neste último caso, a dor é sintoma do contato da vacina com o organismo, que “reage por meio de vários mecanismo biológicos e processos inflamatórios para reconhecer o imunizante e desenvolver as células e imunoglobulinas que irão combater o vírus. É um processo esperado”, explica Traebert.
SeguirA dor local costuma permanecer por cerca de dois ou três dias. Em alguns casos, as pessoas ficam com o braço dolorido por mais tempo, o que não necessariamente configura maior gravidade. Em casos excepcionais, caso a dor seja intensa e impacte a vida do paciente, a sugestão é procurar orientação médica para avaliar se é necessário medicação.
Devo usar compressa para aliviar dor no braço?
Uma das principais dúvidas é sobre o uso das compressas para conter a dor. As quentes são totalmente desaconselhadas. Elas podem acelerar o processo inflamatório e mesmo intensificar a dor local, afirma Chaiana Esmeraldino Mendes Marcon, enfermeira e professora da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina).
Quanto as compressas frias há quem oriente e quem desaconselhe. Marcon, que também atua no (Fundação Municipal de Saúde de Tubarão), orienta a não utilizá-las. “Em nenhuma vacina deve ser feita compressa. No caso da compressa fria pode ocorrer uma vasoconstrição intensa (diminuição do diâmetro dos vasos)”, alerta. “É fundamental deixar a vacina reagir”.
Medicamentos
A primeira regra é que as pessoas não se automediquem. “Se elas se sentirem desconfortáveis, devem consultar o médico ou ir na unidade de saúde. A avaliação deve ser feito pelo profissional junto ao paciente”, segundo Traebert. Não há orientações quanto a restrição de movimento.
É necessário evitar principalmente os corticoides, que interferem na resposta imunológica e na produção de anticorpo, exceto em casos de reações graves. Alguns remédios anti-inflamatórios também podem interferir, o que torna mais ainda importante a orientação médica.
No caso dos analgésicos a regra mesma, apesar deste remédio não afetar a produção de anticorpos. Em alguns casos, segundo Marcon, analgésicos simples podem utilizados por pessoas que já tenham o hábito de usar estes medicamentos. “A dor vai passar, é questão de dois dias, no máximo 72h. É importante fazer a segunda dose, mesmo com reação. A dor passa e a imunidade fica”, ressalta Marcon.