Muito mais que 50%. Estudo estima que 86% dos brasileiros conhecem pelo menos uma pessoa que morreu de Covid-19 no País. Além disso, 17% dos brasileiros já perderam algum membro da família para a doença. Ou, ainda, um amigo (22%).
O estudo é de autoria do Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública (CPS), da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD).
Coordenador do CPS-UnB, o professor Wladimir Gramacho esteve à frente da pesquisa – Foto: ReproduçãoCovi8“Esse aumento de preocupação das pessoas com a covid é um reflexo natural do volume de casos e mortes nesta pandemia. Mas além desse dado, eu também destacaria a porcentagem muito alta de pessoas que conhecem alguém que morreu de covid. Ou seja, são muitas vítimas da pandemia, além das já quase 400 mil vítimas fatais”, explica o coordenador do CPS-UnB, Wladimir Gramacho.
SeguirA mesma pesquisa revela algum grau de preocupação com a doença. São dados que revelam que as pessoas estão mais assustadas agora, se compararmos com o ano passado. Entretanto, há ainda um grande número de pessoas sem dar a atenção devida para a pandemia.
Nesse aspecto, a pesquisa foi dividida entre “Muito preocupado (a)”, “Bastante preocupado (a)”, “Um pouco preocupado (a)”, “Nada preocupado (a)”.
“Parece-me importante somar 52% dos que estão muito preocupados com os 27% que estão bastante preocupados. Apesar das mortes expressivas nos últimos meses, 21% da nossa amostra ainda se define como pouco ou nada preocupada com a pandemia”, argumenta Wladimir.
Ainda de acordo com a pesquisa, 70% dos brasileiros acham que a saúde piorou no país nos últimos três meses. Outros 74% entendem que ficará pior nos próximos três meses, de maio a julho.
O professor Wladimir Gramacho aponta ainda a questão da politização da doença, que ganhou repercussão no Brasil. Segundo ele, os dados não apontam para um processo de “despolitização” da Covid-19. E isso não ajuda em nada na busca por soluções.
“De forma alguma (despolitização da doença). Ao contrário, os resultados reforçam a conclusão de estudos anteriores de que o Brasil está dividido em seu comportamento e em suas opiniões em relação à Covid-19”, finalizou.