Em artigo, professora da UFSC aponta lentidão e traz soluções de combate à varíola dos macacos

Texto ressalta necessidade de uma série de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas na rede de atenção à saúde

Redação ND Florianópolis

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Em artigo submetido à Revista Brasileira de Epidemiologia, a professora do Departamento de Saúde Pública da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Alexandra Boing, aponta lentidão e negligência no combate à varíola dos macacos.

Artigo sugere ações para combate rápido à varíola dos macacos – Foto: Reprodução/NDArtigo sugere ações para combate rápido à varíola dos macacos – Foto: Reprodução/ND

Entre as críticas, está a falta de estrutura laboratorial para diagnóstico rápido e desestruturação dos serviços de vigilância. O texto “Monkeypox: o que estamos esperando para agir?” também é assinado  por um grupo de pesquisadores e instituições de pesquisas brasileiras e da Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Os cientistas alertam que, em pouco mais de um mês após o primeiro caso importado no Brasil, já havia 813 casos confirmados e transmissão comunitária registrada. Além disso, eles pontuam que a escalada de casos ocorre em meio a um cenário em que o país convive com a pandemia da Covid-19.

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Para barrar o avanço da doença, os pesquisadores apontam a necessidade de uma série de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas na rede de atenção à saúde. A implementação de um sistema de informação unificado para registro de casos confirmados e suspeitos também é levantada como uma solução.

“A investigação de casos e o rastreamento de contatos é essencial para prestar o atendimento clínico necessário, isolar os casos para interromper a transmissão e monitorar contatos”, afirmam os autores. “Ações rápidas e coordenadas são urgentes e imprescindíveis.”

Nome da doença deveria mudar

Segundo os professores, a denominação varíola dos macacos (Monkeypox) não é adequada porque o macaco não é o seu principal reservatório.

“Assim, é urgente que a doença e o vírus tenham seus nomes reclassificados, evitando-se rótulos estigmatizantes e discriminatórios, e ações de extermínio animal sem efeito efetivo no combate à doença”, reforçam os cientistas.

O número de casos da doença tem aumentado ao longo dos anos nas regiões endêmicas, com surtos em países não endêmicos a partir de 2003, relacionados a viagens e importações de animais.

Ainda conforme o texto, a varíola dos macacos é uma zoonose endêmica na África Central e Ocidental, causada por um orthopoxvírus, tendo sido ao longo dos anos, ignorada globalmente. Mas desde maio vários casos foram reportados por países onde a doença não é endêmica, com rápida disseminação. Até 24 de julho foram mais de 16 mil casos em 75 países.

A doença oferece mais risco de complicações em crianças, grávidas e pacientes imunodeprimidos. Dados indicam que a transmissão do vírus ocorre a partir do contato direto com lesões cutâneas, fluidos corporais, gotículas respiratórias, contato físico próximo, relações sexuais e aglomerações.

Casos em Santa Catarina

Dados compilados pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) até as 18h do último sábado (30) apontam que Santa Catarina tem 44 casos notificados.

Destes, oito foram confirmados, sendo sete autóctones, ou seja, com transmissão local, e um importado de São Paulo. Outros 20 casos estão em investigação e 16 foram descartados.

No último final de semana, o município de Brusque confirmou o primeiro caso de varíola dos macacos. O paciente é um jovem de 24 anos, que começou a manifestar sintomas no dia 18 de julho.

Já Joinville confirmou o segundo caso da doença na cidade. O paciente é um homem de 39 anos que mora na região Central da cidade e tem histórico de viagem ao exterior. O primeiro caso foi confirmado pelo município há uma semana, no dia 23 de julho.

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