Em colapso, SC pede ajuda ao Ministério da Saúde para repor ‘kit entubação’

Kit é composto por medicamentos essenciais para o tratamento de pacientes graves da Covid-19; fila de espera por UTI tem aumentado diariamente há duas semanas

Estadão Conteúdo Florianópolis

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A SES (Secretaria de Estado da Saúde) de Santa Catarina solicitou ao Ministério da Saúde, em 23 de fevereiro, o envio de medicamentos do chamado “kit entubação”, que inclui lidocaína, atracúrio, propofol 1%, midazolam, morfina, dexmedetomidina, haloperidol, entre outros, essenciais para o tratamento de pacientes graves da Covid-19.

A informação foi confirmada pelo órgão na tarde desta segunda-feira (9). O comunicado ao ministério foi feito em 23 de fevereiro, quando o Estado relatou a falta de medicamentos.

A falta de leitos obrigou o Estado a enviar pacientes para o Espírito SantoA falta de leitos obrigou o Estado a enviar pacientes para o Espírito Santo – Foto: Joice Kroetz/Hospital Regional Terezinha Gaio Basso/ND

A falta de insumos vem sendo reportada por hospitais catarinenses desde a 2ª quinzena de fevereiro, quando a ocupação de leitos aumentou até chegar ao limite da capacidade. “O uso por bloqueadores neuromusculares (usados para intubação de pacientes) aumentou 2.000% em Xanxerê”, disse Neusa Luiz, presidente da Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina, e diretora do Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê, no oeste catarinense.

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“Os hospitais, normalmente, trabalham com uma margem de 15 dias de estoque de segurança, mas a situação está bastante complicada. Além do aumento no uso, também temos elevação de 150% nos custos desses medicamentos.”

O Hospital Florianópolis, referência para tratamento da Covid-19, é uma das unidades que relatou ao Estado risco de desabastecimento dos remédios que compõem o kit entubação. O prefeito de Brusque, em solicitação enviada no dia 25 de fevereiro, disse que a necessidade pelos medicamentos é uma “demanda crucial”.

A crise gerada por um novo pico da pandemia em Santa Catarina parece não dar sinais de arrefecer. O número de pacientes na fila de espera por uma UTI tem aumentado diariamente há duas semanas. Nesta segunda, pelo menos 388 pessoas aguardam vaga na terapia intensiva.

A falta de leitos obrigou o Estado a enviar pacientes para o Espírito Santo e também a fazer remanejamento de vagas nas unidades de saúde do Estado, inclusive com a compra de leitos na rede privada. Mesmo assim, Santa Catarina ainda registra mortes de pessoas que aguardavam transferências. O secretário de Saúde, André Motta, nega desassistência médica nesses casos e resiste à adoção de medidas mais restritivas de isolamento.

O Estadão confirmou que, em diversas unidades, pacientes estão sendo entubados em emergências e em alas improvisadas nas unidades. Só no Hospital São Paulo, de Xanxerê, 27 pessoas morreram desde fevereiro à espera de um leito de UTI. Em Chapecó, das 33 mortes em leitos normais registradas na cidade, 31 ocorreram este ano, após a oferta de vagas de UTIs.

O número de pacientes na fila de espera por uma UTI tem aumentado diariamente há duas semanasO número de pacientes na fila de espera por uma UTI tem aumentado diariamente há duas semanas – Foto: Joice Kroetz/Hospital Regional Terezinha Gaio Basso/ND

A reportagem tem solicitado reiteradas vezes ao governo estadual o número de pessoas que morreram com pedidos de transferências no sistema de regulação, mas o Estado tem se negado a dar esta informação.

Nesta segunda-feira, pela primeira vez em 15 dias esse número de pessoas com o vírus ativo caiu. Mesmo assim, são mais de 33 mil pessoas nessa condição, ou seja, com potencial de transmissão. Na sexta-feira, 5, o Estado chegou a 45 mil infectados ativos.

Outro insumo importante para o tratamento da Covi19, o oxigênio, também teve grande aumento no consumo nas últimas semanas: na ordem de 66%, segundo informou um dos fornecedores, a White Martins.

Questionada, a SES não informou se o ministério atendeu às solicitações para envio de medicamentos do kit entubação. O órgão também não forneceu detalhes sobre o estoque atual e se já há desabastecimento em alguma unidade. Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou até a publicação desta reportagem.