Santa Catarina não tem hospitalizações por casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) por Influenza, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).
Os números, atualizados em 27 de setembro, apontam que até agora em 2021 foram, no entanto, um total de 61.681 hospitalizações por todos os tipos de SRAG (não especificada; por outros vírus respiratórios; por outros agentes etiológicos; em investigação).
Para efeito de comparação, o boletim lançado no dia 20 de setembro de 2019, anterior à pandemia da Covid-19, contabilizava um total de 1.793 hospitalizações por SRAG. Entre elas, 452 (25,2%), eram por Influenza.
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Hospitalizações por SRAG em 2021 “explodem” por conta da Covid-19, mas casos de Influenza desaparecem – Foto: Divulgação/K Whiteford“De fato, o número de casos de Influenza este ano está bem baixo. Acreditamos que o vírus não esteja circulando”, destacou a assessoria de imprensa da Dive, sobre a falta de casos.
O órgão informou que existem apenas três casos de Influenza confirmados pelas unidades sentinelas:
“Em 2021, entre a SE (Semana Epidemiológica) 01 a 38 (03/01 a 25/09/2021), dos 180 casos coletados pela Unidade Sentinela de Joaçaba, um caso de síndrome gripal, do sexo feminino, 32 anos, apresentou resultado positivo para Influenza A H1N1 (pdm09) e dos 184 casos coletados pela Unidade Sentinela de Concórdia, 02 casos de síndrome gripal, uma do sexo feminino, 18 anos e outro do sexo feminino, 49 anos, apresentaram resultado positivo para Influenza B”.
Os dados expostos na tabela de casos mostra um total de 61.681 hospitalizações por SRAG em 2021. No entanto, nenhum registro por Influenza. Confira:
Hospitalizações por SRAG em Santa Catarina em 2021 – Foto: Divulgação/DiveO infectologista Martoni Moura e Silva destaca que a análise dos números depende de um olhar além dos registros oficiais.
“Pode estar tendo subnotificação, pode estar tendo um olhar mais voltado para a Covid-19 e não se pede um exame de Influenza… às vezes pode ter um falso negativo para Covid e se coloca como outro vírus sem ser Influenza, é uma análise bem complexa”, afirma.
“O vírus pode estar circulando menos esse ano? Pode. Mas eu acredito que o coronavírus tem um poder muito maior em uma via de competição com outros vírus. É mais difícil dois vírus circular na mesma pessoa, mas também pode acontecer”, complemente Moura e Silva.
O infectologista lembra que, antes da pandemia, se dava mais atenção aos diagnósticos de Influenza, o que pode explicar os maiores registros naquela época. “Em 2019 não falávamos de coronavírus, apenas de Influenza, de uma forma sazonal, no período de inverno principalmente”.
Martoni Moura Silva ressalta que crê em subnotificação de casos de Influenza aliada a menor circulação do vírus.
“Acredito que tenha subnotificação por causa de uma busca menos ativa para identificar este vírus. Porém, isso teria que ver os dados por cada hospital, se eles estão realmente solicitando o exame para Influenza”, conclui.
Explosão de hospitalizações por SRAG em 2021
Além do desaparecimento de casos de Influenza neste ano, outro dado chama a atenção no número de hospitalizações por SRAG. O total de 61.681 registros é imensamente maior do que as 1.793 hospitalizações que haviam em setembro de 2019, por exemplo.
Tabela de hospitalizações por SRAG em setembro de 2019 expõe diferença no cenário provocada pela pandemia da Covid-19 – Foto: Divulgação/DiveDe acordo com a Dive, o que explica essa diferença é a própria pandemia da Covid-19. Sim, existe um registro separado para casos de Covid-19, porém, o órgão ressalta que grande parte destes casos foram ocasionados em infecções de Covid-19, visto que o vírus é geralmente acompanhado de outras SRAG.
“Em 2019, como ainda não tinha pandemia, os casos/óbitos por SRAG registrados eram apenas de outros vírus respiratórios como influenza, rinovírus, adenovírus etc”, salienta a assessoria da Diretoria de Vigilância Epidemiológica.
O infectologista Martoni Moura e Silva lembra que, mesmo com os casos de Covid-19 tendo impulsionado esses números, eles também podem representar a subnotificação de casos do coronavírus.
“A subnotificação da Covid-19 existe. Porque nem todo mundo com sintomas procura diagnosticar a doença, por uma série de fatores. Até porque a estimativa de letalidade da Covid é de 0,6% a 1%, e temos muito mais que isso”.
O que é Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave
Segundo a definição de casos da Dive, há diferenças nos registros de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave. Entenda:
Síndrome Gripal (SG): Indivíduo com quadro respiratório agudo, caracterizado por pelo menos dois (2) dos seguintes sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou gustativos.
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): Indivíduo com SG que apresente: dispneia/desconforto respiratório OU pressão ou dor persistente no tórax OU saturação de O2 menor que 95% em ar ambiente OU coloração azulada (cianose) dos lábios ou rosto.
A Síndrome Respiratória Aguda Grave abrange casos de Síndrome Gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória que, na maioria dos casos, leva à hospitalização, sem outra causa específica.
As causas podem ser vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da Influenza do tipo A e B, Vírus Sincicial Respiratório, SARS-COV-2, bactérias, fungos e outros agentes.