Santa Catarina vive um cenário preocupante diante do avanço de infecções por doenças respiratórias. Em Florianópolis, a situação não é diferente. A queda na cobertura vacinal infantil também acende um alerta na área da Saúde.
Em meio ao avanço de doenças respiratórias, Florianópolis vai vacinar crianças em escolas – Foto: Divulgacão/O Trentino/NDPor conta disso, a Secretaria Municipal de Saúde em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação vai começar a vacinar crianças nas escolas municipais.
Em entrevista ao ND+ nesta sexta-feira (3), o secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, disse que o intuito é intensificar a vacinação desse público e barrar o avanço das doenças infantis.
SeguirUma carta de autorização para a aplicação das vacinas será enviada aos pais e responsáveis. A partir disso, a Secretaria Municipal de Saúde irá estimar um quantitativo de crianças que serão vacinadas, tipos de vacinas a serem aplicadas e quantas doses serão necessárias.
“Assim, as equipes saem do Centro de Saúde sabendo quantas doses e quais vacinas precisam em determinada escola”, acrescenta o secretário.
De acordo com Justo da Silva, a ideia é aproveitar o espaço escolar para colocar em dia a carteira vacinal das crianças.
“Se a criança está com a vacina do sarampo atrasada, por exemplo, ela receberá essa vacina. Queremos que os pais tenham clareza de que devem se preocupar com as crianças e permitir a vacinação”, afirma.
Importância da vacinação
O secretário Municipal de Saúde reforçou que a vacinação é um dos principais mecanismos de controle das doenças, seja Covid-19 ou outras que tenham imunizantes disponíveis.
Em Florianópolis, somente 68% das pessoas tomaram as doses de reforço contra Covid-19, A Secretaria espera ultrapassar 90%.
“No caso da Covid-19, o esquema primário são as três doses da vacina. Precisamos que as pessoas tenham em mente, que a partir do momento em que não se vacinaram, podem adoecer e pressionar os hospitais. E o problema não é só a Covid”, alerta.
O secretário de Saúde de Florianópolis relembrou que durante o inverno, as emergências do Sul do país costumam sofrer extrema pressão em virtude do aumento dos casos de doenças respiratórias.
Nos últimos dois anos, porém, com as medidas de prevenção em alta, a Covid-19 é que demandava mais preocupação. Este ano, com o relaxamento dos cuidados para evitar a propagação, a pressão vem da Covid-19, de outras doenças e também da dengue.
Pressão sobre os leitos de UTI
A última atualização do Covidômetro da prefeitura de Florianópolis mostra que a região tem 99,4% de taxa de ocupação de leitos de UTI. O dado é baseado no Relatório Estadual, que é o responsável pela regulação dos leitos fornecidos pelo SUS.
Todos os 136 leitos de UTI adultos ativos na região estão ocupados. Somente três pacientes, moradores de Florianópolis, estão em UTI por Covid-19. Para reverter esse quadro de sobrecarga, Justo da Silva afirmou que a pasta tem “pouco o que fazer”.
“As medidas de proteção e prevenção contra os vírus são fundamentais. Temos atendimento nas UPAs para receber crianças e adultos com sintomas, mas precisamos mesmo é quebrar o eixo de transmissão das doenças, tanto Covid-19 quanto Influenza. As pessoas precisam continuar se cuidando. As unidades de saúde estão prontas para atender a demanda, que sempre cresce nessa época do ano, mas também existe a necessidade progressiva de ampliação dos leitos”, aponta.
Uso de máscaras
Neste sentido, ele ressalta a importância de manter as medidas de prevenção às doenças respiratórias, como o uso das máscaras em ambientes com aglomerações, manter ambientes ventilados e a higiene das mãos.
“Essas medidas são ideais para a pessoa não só se proteger como não transmitir. Com isso, cessamos essa cadeia de transmissão”, diz.
Assim como afirmou o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), em entrevista ao ND+ nesta quinta-feira (2), o secretário de Saúde reiterou que o uso de máscaras não será obrigatório na Capital, mas sim, uma recomendação. A cidade aposta em campanhas publicitárias.
“Uma campanha educativa é fundamental para destacar a importância do uso desse item. As pessoas precisam entender que é importante usar a máscara. Apostamos na educação para que não seja preciso obrigar”, conclui.