Entenda a relação entre o calor insano, ‘emoji de 2022’ e doença que está matando na Europa

Escolha feita em votação no Twitter, por meio do World Emoji Awards, selecionou o “emoji mais 2022”

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Um concurso que elege o emoji mais representativo de cada ano fez do “emoji de carinha derretendo” o mais “a cara” de 2022. Em uma enquete no Twitter, promovida pelo perfil do Word Emoji Awards, o vencedor foi anunciado.

Emoji de carinha derretendo pode representar mortes na Europa e ondas de calor – Foto: Marcos Porto/Secom/NDEmoji de carinha derretendo pode representar mortes na Europa e ondas de calor – Foto: Marcos Porto/Secom/ND

A grande final ocorreu entre o emoji de carinha segurando o choro e o da carinha derretendo, que venceu com 54,9% dos votos. Ele é frequentemente usado de forma sarcástica na internet. Outra conotação dada à imagem é de um problema muito sério vivido na Europa, que pode ter casos no Brasil: mortes por calor e a onda de aumento das temperaturas.

Calor na Europa

O Met Office, um serviço nacional de meteorologia do Reino Unido), descreveu a previsão de calor que vem da França e da Espanha como “absolutamente sem precedentes”. Eles recomendaram que a população trate a onda de calor como um alerta de tempestade e considere a mudança de planos.

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Emoji de carinha derretendo foi o mais votado como o mais representativo de 2022 – Foto: Reprodução/worldemojiawards/NDEmoji de carinha derretendo foi o mais votado como o mais representativo de 2022 – Foto: Reprodução/worldemojiawards/ND

Somente na Espanha, de acordo com o MoMo do Instituto de Saúde Carlos 3°, 510 pessoas morreram do dia 10 ao dia 15 de julho. A médica de família e comunidade Mayara Floss explica que as mortes não são registradas apenas na Europa.

“Existem algumas doenças chamadas estresse por calor. É uma doença que tem vários mecanismos. O nosso corpo suporta até determinada temperatura. Algumas pessoas não conseguem mais se adaptar e o sistema começa a colapsar, o que chamamos de hipertermia. Isso pode inclusive levar ao coma”, explica a médica.

Floss aponta que também morrem pessoas pelo mesmo motivo no Brasil, mas alerta que aqui o assunto não é muito comentado. As pessoas mais sensíveis à doenças são as mais idosas, crianças e quem já tem comorbidades e doenças crônicas, aponta a profissional.

Sintomas

Segundo a médica, os sintomas podem aparecer de várias formas. Há pessoas que desmaiam, ficam sem energia, tem subida da temperatura corporal, inchaço das pernas e cãibras. Como sinal de alerta, Floss elenca a subida de temperatura corporal diante das altas temperaturas externas, que não são comuns naquele ambiente, o que chamamos de “ondas de calor”.

O principal cuidado, além de boa hidratação, é ir para locais mais frescos. A prevenção, segundo ela, é justamente o aumento de áreas verdes, cidades mais inteligentes, com menos concretos e mais projetadas.

Desmatamento

Uma das causas das altas temperaturas apontadas pela médica Mayara Floss, que estuda saúde planetária, é o desmatamento. No fim de maio, indicadores apontavam que a Mata Atlântica não para de sofrer danos no Brasil. Além das perdas em todo o país, Santa Catarina também apresenta indicadores de desmatamento. De acordo com pesquisa divulgada pela Fundação SOS Mata Atlântica e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Estado está entre os cinco que mais desmataram: foram 750 hectares perdidos no biênio 2020/2021.

Santa Catarina está entre os cinco Estados que mais desmata a mata atlântica do Brasil – Foto: PMA/Divulgação/NDSanta Catarina está entre os cinco Estados que mais desmata a mata atlântica do Brasil – Foto: PMA/Divulgação/ND

Os indicadores informam que, no Brasil, foram registrados 21.642 hectares de reserva desmatada. O valor é 66% maior que o do período entre 2019 e 2020 e 90% maior que o do período 2017-2018.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz) a mudança do clima está entre as dez principais ameaças para a saúde global listadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Com o aumento global da temperatura, as projeções indicam que haverá intensificação do estresse térmico nos humanos, especialmente nas regiões tropicais.

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