O avanço da imunização contra a Covid-19 traz novos desafios, entre eles superar a desconfiança e o receio dos novos públicos-alvo. O Balanço Geral Florianópolis ouviu um dos maiores nomes em imunização do país, o diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri, que avaliou as três vacinas aprovadas no país, e garante que todas elas “são altamente seguras”.
“Vacinar adultos nunca foi uma tarefa fácil para nenhuma das vacinas e com a Covid-19 não seria diferente. Além de ser um público que não se sente tão ameaçado e portanto questiona mais a segurança e a validade da vacinação, muitas vezes são pessoas que colocam outras prioridades na rotina e adiam a vacinação”, explicou Kfouri.
Agendamento foi aberto nesta terça-feira (11) e imunização inicia na quarta-feira (12) – Foto: Divulgação/NDO Brasil tem hoje quatro vacinas liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas apenas três estão sendo aplicadas pelo Plano Nacional de Imunização. Confira a eficácia de cada uma delas:
- A Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e produzida aqui pelo Instituto Butantan, tem eficácia de 78% para casos leves e de 100% para casos moderados e graves. Ela usa o vírus inativado, ou seja, o vírus morto para estimular a produção de imunidade. O intervalo recomendado entre as doses é de até 28 dias.
- A Astrazeneca, desenvolvida em parceria com a universidade de Oxford e produzida no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), tem eficácia geral de 82% após a segunda dose e de 100% para casos graves. Este imunizante usa o vírus resfriado para a produção de anticorpos e recomenda um intervalo de até 3 meses entre as duas doses.
- A Pfizer, desenvolvida e produzida pelo laboratório americano, é importada pronta para o Brasil. A vacina tem eficácia geral de 95% após a segunda dose e usa a técnica de RNA mensageiro para a produção da imunidade. Aqui, ela tem intervalo de 3 meses entre a primeira e a segunda aplicação.
Para o diretor da SBIm, não há motivos para desconfiança: “As três têm duas características em comum. A primeira é que são altamente eficazes na prevenção de formas graves. Dificilmente alguém com as duas doses da vacina vai ter uma Covid grave. Isso é uma ótima notícia. A segunda é que as três são igualmente seguras. Os efeitos colaterais que podem acontecer – dor, febre, mal estar, que é comum praticamente em todas as vacinas, são leves e transitórios e muito menos importantes do que a gravidade de uma Covid”.
O médico reforça ainda que o intervalo maior entre as doses da Astrazeneca e da Pfizer não significa menor poder de imunização. O intervalo é possível porque a primeira dose já confere alto índice de produção de anticorpos. No entanto, a imunização completa depende da segunda dose e, segundo estudos, é conferida 15 dias depois da aplicação desta dose para todas as vacinas.
Apesar da proteção trazida pelos imunizantes, Kfouri alerta que eles ainda não são a solução do problema. “A vacina para boa parte da população hoje é o distanciamento, é a máscara, isso controla a pandemia. A vacinação não tem hoje o objetivo de controlar a transmissão, o objetivo é evitar mortes e hospitalizações”, concluiu o médico.
Em Santa Catarina, mais de 1,4 milhão de catarinenses receberam pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19. Já são quatro meses de campanha, durante os quais cada município desenvolveu a própria logística e, aos poucos, a fila para vacina ficou mais diversa.
“A partir do momento que as vacinas chegam aqui em Santa Catarina, o Estado rapidamente separa e encaminha todas as doses para os municípios em menos de 24 horas”, informou o superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Eduardo Macário.
Vacina da Pfizer chegou nesta quinta-feira (20) em Santa Catarina – Foto: Ricardo Wolffenbüttel / SecomA meta da SES (Secretaria de Estado da Saúde) é vacinar todo o grupo prioritário até o mês de julho. São mais de 2,8 milhões de pessoas. Na próxima semana, uma reunião com o Ministério da Saúde vai tratar da liberação de doses extras para a região Sul.
“É uma solicitação dos estados da região Sul do aumento do fundo estratégico, que é aqueles 5% que foi utilizado lá na região Norte quando eles estavam com aquela crise de casos e mortes, para que esse fundo estratégico venha para os estados da região Sul”, explicou Macário.
Neste momento, a campanha no Estado foca na imunização de pessoas sem comorbidades a partir de 60 anos, de pessoas com comorbidades, além dos profissionais da saúde e forças de segurança. As gestantes e puérperas também foram incluídas recentemente e os professores já têm data para entrar no calendário.
Das pessoas entre 60 e 64 anos, 88% receberam a primeira dose da vacina em SC – Foto: Divulgação/Prefeitura de BlumenauConforme o balanço mais recente da vacinação no Estado, 88% das pessoas entre 60 e 64 anos receberam a primeira dose da vacina e menos de 2% a segunda dose. A expectativa era atingir a totalidade do público com a dose 1 logo nos primeiros dias. Quem tem mais de 60 anos foi liberado para se vacinar desde o dia 4 de maio. Sem terminar este público, não dá para ampliar para idades menores.
Segundo relatos das equipes de vacinação, quanto menor a faixa etária, maiores são a resistência e os questionamentos sobre os imunizantes. Algumas pessoas vão até o ponto de vacinação e não querem tomar a vacina ofertada, outras querem escolher qual das vacinas tomar e há até quem desista do processo mesmo depois de ter ficado na fila e feito o cadastro.
Quem já se vacinou recomenda
Na casa da fisioterapeuta Mariane Maschio e da aposentada Terezinha Corrêa, todos já foram vacinados: os pais idosos, a filha profissional de clínica e o filho com deficiência. “Eu fiquei extremamente feliz quando eu consegui tomar a vacina, mas fiquei muito mais feliz quando eles conseguiram tomar”, contou Mariane.
“Bem feliz da vida, às 5h a gente já estava lá, esperando para tomar a vacina”, completou Terezinha.
Família de Mariane já está vacinada e segue com os cuidados – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVPara a família delas, apesar de seguirem com os cuidados, muita coisa já melhorou após a aplicação. Mãe e filha inclusive torcem para que todos possam ser imunizados como elas. “Que todo mundo consiga se vacinar. Não tenham medo, porque não dói e é de graça. Vamos tomar”, incentivou Terezinha.
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