Cinemas, teatros, bibliotecas, museus e outros equipamentos culturais foram reabertos na cidade de São Paulo no último sábado (10), graças à mudança para a fase verde do plano de flexibilização estabelecido pelo governo do Estado.
Em São Paulo, cinemas voltaram a funcionar no sábado (10) – Foto: Guilherme Dionizio/Estadão ConteúdoA reabertura acontece mediante a determinação de inúmeras regras, como por exemplo, reduzir a ocupação de salas a 60% da capacidade total, intercalar os assentos, deixando dois lugares livres entre os espectadores a fim de garantir espaçamento lateral, fornecer máscaras suficientes aos colaboradores e desinfetar previamente os ambientes.
Apesar das normas, a infectologista Lina Paola, da BP (A Beneficência Portuguesa de São Paulo), afirma que a chance de infecção durante uma sessão de cinema ou teatro é grande. Se fosse estabelecida uma escala de risco, a especialista colocaria esses eventos em alerta vermelho.
Seguir“Em ambientes fechados, onde não há circulação de ar, o risco de se contaminar é alto. A minha recomendação seria que o número de pessoas [na sala] seja muito restrito e que as portas fiquem abertas, sem o uso do ar-condicionado”, destaca.
A médica explica que o ar-condicionado funciona como um potencializador da circulação de aerossóis, pequenas partículas líquidas contaminadas com o vírus que ficam suspensas no ar ao serem expelidas quando alguém fala, tosse ou espirra. “Ele movimenta o mesmo ar dentro do local fechado, então aquelas partículas permanecem ali”, descreve.
Cuidados
De acordo com ela, o ideal seria que a ocupação de salas fossem reduzidas a, no máximo, 50% de sua capacidade total e que fossem criadas “pequenas ilhas” para cada grupo familiar, pois não basta garantir apenas a distância lateral entre poltronas – que deve ser de, no mínimo, um metro. “Tem que ter poltronas vagas na frente e atrás”.
A infectologista enfatiza que as pessoas não devem tirar a máscara nem para comer. “Tem que usar o tempo todo, porque não há troca de ar, então vão ficar aerossóis naquele ambiente”, recomenda. “O ideal é não consumir alimentos no local”, completa.
Lina também cita a dificuldade de desinfetar poltronas. “Se for de couro ou outro material sintético eles vão conseguir. Mas o estofado não é plausível de higienização. O líquido é absorvido pelo tecido, que fica molhado e você não tem como esterilizar. A solução seria colocar uma capa plástica e trocar a cada sessão”, analisa.
A especialista afirma que, apesar da reabertura, quem faz parte do grupo de risco da Covid-19 não deve ir ao cinema ou a qualquer outro evento em ambientes fechados. “Se for uma pessoa saudável, mas que mora com alguém que tem maior risco de ter complicações graves, deve avaliar muito bem [antes de decidir]”, aconselha.