Com mais de 86 mil casos confirmados, a Grande Florianópolis está pela terceira semana seguida em nível gravíssimo de risco para a Covid-19. A atualização do mapa foi divulgada na manhã desta quarta-feira (9).
A região atingiu 99,5% na taxa de ocupação dos leitos de UTI adultos, segundo aponta o covidômetro da Prefeitura de Florianópolis. Apenas um leito estava disponível, o que indica colapso do sistema de saúde.
Apesar do covidômetro ser atualizado pela Prefeitura, ele considera dados de todos os municípios da região, conforme dados obtidos pelo município junto à SES (Secretaria de Estado da Saúde).
Seguir
Mapa de risco foi atualizado na manhã desta quarta-feira (9) e traz 14 regiões no nível gravíssimo – Foto: SES/DivulgaçãoDas 16 regiões do Estado, 14 seguem em risco gravíssimo (vermelho). Apenas o Extremo Oeste e a Foz do Rio Itajaí estão em nível grave (laranja). Não há regiões no nível alto (amarelo) ou moderado (azul).
A matriz de risco é divulgada semanalmente pela SES. Para classificar as 16 regiões quanto ao nível de risco para a Covid-19, considera quatro itens: evento sentinela, transmissibilidade, monitoramento e capacidade de atenção.
Índices da matriz
Os principais fatores que mantiveram a classificação da Grande Florianópolis no nível gravíssimo foram o evento sentinela e a capacidade de atenção, que medem o número de mortes e a ocupação de leitos de UTI disponíveis, respectivamente. Ambos os quesitos continuam em vermelho.
No índice transmissibilidade, que mede a variação no número de confirmação positiva e casos ativos, a Grande Florianópolis apresentou leve melhora, saindo do nível gravíssimo para o grave.
No item monitoramento, que mede os casos investigados e o inquérito de síndrome gripal na comunidade, a região se manteve no nível grave.
Veja a tabela detalhada:
Tabela mostra o desempenho de cada região de acordo com a pontuação dos quesitos – Foto: SES/DivulgaçãoHospitais lotados
A plataforma Covidômetro mostra que 99,5% dos leitos de UTI adultos na Grande Florianópolis estão ocupados. Dos 199 leitos adultos, 188 estão ocupados e dez estão indisponíveis, pois são garantidos para pacientes em procedimento.
O resultado desse cálculo é de apenas um leito disponível. Isso indica o colapso do sistema de saúde na região.
Referência no atendimento de doentes com Covid-19, o Hospital Florianópolis tem os 30 leitos oferecidos ocupados por pacientes em tratamento contra o vírus.
O Cepon, o Hospital de Caridade, o Hospital Nereu Ramos e o Hospital Regional de Biguaçu Helmuth Nass também estão com 100% dos leitos ocupados. Desses, somente o Cepon e o Hospital Regional não têm pacientes com Covid-19.
Números indicam gravidade
De acordo com o boletim divulgado pelo Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense), vinculado à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), na Grande Florianópolis verifica-se que o número de casos deu um salto entre os dias 26 de novembro e 3 de dezembro.
O número absoluto de casos oficiais passou de 74.051 para 82.032, representando um aumento de 11% no período.
Em termos absolutos significou a ampliação de 7.981 novos casos em apenas uma semana. Com isso, a participação relativa da região no total estadual se manteve ao redor de 22%.
Além disso, observou-se a continuidade da expansão da doença por diversas cidades próximas à Capital. Neste sentido, a microrregião de Florianópolis detém 90% de participação no total de casos oficialmente registrados na Grande Florianópolis.
Falta de articulação
A professora Ana Luiza Curi, do Departamento de Saúde Pública da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), aponta que a situação crítica da pandemia na Grande Florianópolis é reflexo de vários fatores, mas sobretudo, de uma gestão falha.
Ela diz que a articulação entre municípios e governo do Estado é de extrema importância para que sejam criadas políticas públicas efetivas. No entanto, essa articulação é descoordenada.
“O que vimos foi a flexibilização das normas, em contraposição ao fato de que os índices estão cada vez mais graves. Há aumento de casos, óbitos e ocupação de UTIs. Não temos visto medidas públicas que podem realmente fazer frente a isso. As que estão em vigor são insuficientes”, argumenta.
Toque de recolher é insuficiente
Uma das medidas que a professora julga ineficiente é o chamado “toque de recolher”. A professora diz ser contra repassar a responsabilidade do contexto crítico para a população.
“Claro que festas e feriados são fatores que contribuíram, mas o que vemos mesmo é o relaxamento de políticas públicas de combate à Covid-19. A epidemia piora no Estado e as ações estão se mantendo ou até diminuindo em termos de controle e fiscalização do cumprimento das medidas”, destaca.
A especialista comenta que, para reverter o quadro, é necessário fortalecer a articulação dos municípios com o Estado, implementar medidas realmente efetivas como o fechamento de serviços não essenciais e fiscalizar o cumprimento das normas vigentes.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Florianópolis. Em nota enviada pela assessoria, a Secretaria de Saúde de Florianópolis lembrou que “o número de infectados aumenta a probabilidade de casos graves, tendo maior a probabilidade de ocupação de leitos de UTI”.
Outro ponto destacado é que “é importante pontuar que hoje Florianópolis é a Capital com a menor letalidade do Brasil. Nossos objetivos são testar, isolar, cuidar dos pacientes e fiscalizar. Para isso ampliamos nossa testagem para mil testes diários, ampliamos as equipes de testagem e abrimos o 5° Centro de testagem exclusivo para o novo coronavírus. Se compararmos, por exemplo, com outra Capital brasileira como Curitiba, até essa terça-feira, 08, Florianópolis teria 480 óbitos causados por covid-19, considerando a taxa de mortalidade a cada 100 mil habitantes. Hoje temos 253 óbitos em Florianópolis.”
Novas medidas
O decreto nº 970 publicado na última sexta-feira (4), reúne novas medidas de enfrentamento da Covid-19 em Santa Catarina.
Uma das ações restringe a circulação e aglomeração de pessoas em espaços públicos e privados, e em vias públicas, da meia-noite às 5h. A norma entrou em vigor no sábado (5) e se estende por 15 dias.
Medida do governo do Estado restringe circulação de pessoas nas ruas entre meia-noite e 5h – Foto: Anderson Coelho/NDOutra restrição diz respeito ao limite de funcionamento em estabelecimentos noturnos. O atendimento presencial terá que ser limitado até às 23h. Depois disso, somente sistema delivery ou retirada no balcão.
O funcionamento do transporte coletivo urbano municipal deve respeitar a ocupação máxima de 70% da capacidade do veículo. Por fim, o uso de máscara passa a ser obrigatório em todo o território estadual.