Entenda por que os casos de gripe estão explodindo em SC

Além da gripe, Estado também registra nível alto para SRAG; veja os motivos para o aumento de registros

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Nos últimos respiros de 2021, Santa Catarina enfrenta aumento de casos de gripe. Foram detectados entre o fim de novembro até o dia 22 dezembro 53 casos da influenza A – a linhagem do vírus responsável por provocar surtos. Até então três ocorrências haviam sido detectadas. Os dados são da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).

SC enfrenta surto de gripeGripe está em alta em Santa Catarina – Foto: PxHere/Divulgação/ND

Os casos foram identificados pelas Unidades Sentinelas da Dive – não são todas as suspeitas que são submetidas ao teste. A Diretoria ainda não sabe quantos pacientes apresentaram SRAG (Síndrome Respiratório Aguda Grave), manifestação mais grave da gripe e que leva ao comprometimento da função respiratória, hospitalização e até mesmo morte.

Durante o ano de 2020, 37 moradores de Santa Catarina apresentaram SRAG por gripe (influenza). Destas, duas pessoas não resistiram – ambas tinham H1N1, um subtipo da linhagem A. A Dive/SC informou que conclui o levantamento dos dados referentes a 2021 ainda nesta semana.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) também acompanha o surto no Estado. A instituição classificou no último dia 9 de dezembro Santa Catarina entre os estados em nível alto para o aumento de casos de SRAG, que podem incluir também casos de Covid-19. Quanto à influenza, SC tem tendência de queda nos casos a longo prazo.

Baixa imunização e epidemias “distantes” favorecerem proliferação

Entre os novos registros, 33 são do tipo H3N2, responsável pela explosão de casos de gripe em outros estados brasileiros. É dessa “família” que faz parte a “cepa Darwin”. Ainda não há como determinar se as infecções em SC foram provocados por esse subtipo.

Para o pesquisador Fernando Motta, da Fiocruz, um dos motivos da alta disseminação é o fato de não enfrentarmos epidemias do vírus no último ano. “A falta de circulação fez com que não tivéssemos contato com o vírus Influenza e não rememoramos nosso sistema imunológico a combater o vírus”, explica.

A baixa imunização contra a Influenza neste ano, por conta da pandemia de Covid-19, e o fato da cepa Darwin ser “diferente” dos subtipos combatidos nas campanhas de imunização também favoreceram a proliferação. Apenas 67.4% dos catarinenses aptos para tomar a vacina da gripe em 2021 compareceram nos postos, segundo o Ministério da Saúde.

“Nós retomamos agora com esse subtitpo H3N2, presente na população humana desde 1968. Logicamente, a medida que os anos passam, alterações vão acontecendo e esse subgrupo está associado à cepa Darwin”, explica Mota.

Cuidados

O pesquisador ressalta que os cuidados contra a Influenza são semelhantes aos utilizados contra a Covid-19. A Dive lista as seguintes medidas de precaução:

  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir o nariz e boca com o antebraço ao espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter o uso da máscara, especialmente nos locais pouco ventilados ou em que não é possível manter o distanciamento social;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe;
  • Evitar sair de casa em período de transmissão da doença;
  • Evitar aglomerações e ambientes fechados (procurar manter os ambientes ventilados); e
  • Adotar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos.

Tópicos relacionados