Agências parceiras do Coes (Centro de Operações de Emergência em Saúde) publicaram uma nota neste domingo (20), se posicionando contra o recente relaxamento de medidas de combate à Covid-19 em Santa Catarina.
Entidades parceiras do Coes se manifestaram contra recentes liberações de medidas por parte do governo de SC – Foto: Anderson Coelho/NDO Coes foi instalado em março pelo governo do Estado para coordenar as ações de enfrentamento ao novo coronavírus. O manifesto das entidades vem diante das medidas publicadas pelo Executivo estadual por meio do decreto nº 1.027, desta sexta-feira (18).
A nota foi assinada pelo Centro de Apoio dos Direitos Humanos e Terceiro Setor do MPSC (Ministério Público de SC), Fecam (Federação de Consórcio, Associações de Municípios e Municípios de Santa Catarina), Cosems/SC (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde) e Ahesc (Associação de Hospitais do Estado de Santa Catarina).
SeguirDe acordo com o texto, é preciso observar com rigor as recomendações técnicas das equipes de Vigilância Epidemiológica, no sentido de que qualquer medida dos gestores, as esferas municipais e estadual devem induzir a diminuição da circulação de pessoas, e não o contrário.
Isso porque o Estado vive o pico mais alto da pandemia desde o início das medidas de contenção da doença em março. Além disso, o grupo destaca a alta taxa de ocupação de leitos de UTI.
“Não é momento para que as medidas sanitárias sejam relaxadas, possibilitando mais aglomeração do que até então era permitido, em uma decisão sem embasamento científico, em especial, considerando que o período de festas e férias de verão que se avizinha já traz, por si, maior gravidade a este cenário”, diz a nota.
15 das 16 regiões em nível gravíssimo
O manifesto ressalta que quando 15 das 16 regiões de saúde do Estado enquadram-se no risco potencial gravíssimo para a pandemia, é preciso estar alerta e reforçar a vigilância sobre os regramentos em vigor “e não flexibilizar atividades quando a indicação técnica da área da saúde sugere o contrário.”
O grupo menciona a iminente sobrecarga do sistema de saúde neste final de ano, quando há aumento da circulação de pessoas em Santa Catarina.
Participação nas decisões
As instituições parceiras revelam que, ainda que o Coes seja um espaço de discussão, o papel que prestaram sempre foi o de “convidadas”, ou seja, sem poder de decisão ou deliberação de medidas.
Neste sentido, as entidades atuam como ponte para o envio de informações e dúvidas frente às ações tomadas. Já a decisão sobre a edição e conteúdo de portarias e decretos fica a cargo do governo do Estado.
A nota destaca que os decretos nº. 970/2020, 1.003/2020 e 1.027/2020 “sequer foram levados ao conhecimento nas reuniões semanais ampliadas do Coes, tendo seus conteúdos sido conhecidos após a publicação.”
“Diálogo social”
Para as agências, o “diálogo social” é essencial para o enfrentamento da pandemia. Sendo assim, reforçam a parceria e disposição em continuar contribuindo para o Coes.
Contudo, enfatizam a posição contrária às recentes decisões do Estado relacionadas ao enfrentamento da pandemia que, segundo a nota, vão de encontro às orientações técnicas.
A nota também diz que as decisões tomadas pelo Estado não passaram pelo conhecimento das entidades parceiras.
“O momento é de alertar a população para a gravidade da situação e necessidade de medidas que levem à redução da circulação de pessoas, impactando na curva ascendente de casos observada nas últimas semanas, sob pena de um janeiro trágico para o Estado caso essa tendência não seja modificada.”, conclui o texto.
Governo de SC diz que busca equilíbrio
O Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, emitiu uma nota nesta segunda-feira (21), relacionada às recentes medidas de regramento de atividades para a temporada de verão no Estado.
Confira a nota:
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que as entidades que integram o Centro de Operações de Emergências em Saúde (COES) sempre tiveram suas opiniões e indicações respeitadas pelas autoridades constituídas. Na quase integralidade dos momentos, houve um consentimento por parte dos gestores estaduais em relação aos encaminhamentos sugeridos.
Quanto ao Decreto nº 1027, que passa a valer a partir desta segunda-feira, a Secretaria de Estado da Saúde salienta que a medida levou em consideração uma variada gama de situações pelas quais passa Santa Catarina no momento.
O início da temporada de verão levará à chegada de centenas de milhares de turistas em solo catarinense. Esse é uma realidade inexorável, para a qual não se pode fechar os olhos. Diante desse quadro, o Governo de Santa Catarina optou por realizar um regramento das atividades, tanto econômicas quanto de lazer, com o intuito de buscar um equilíbrio e privilegiar a legalidade e a segurança da população.
O longo período pandêmico tem gerado inquietações no seio da sociedade catarinense, que, em muitos casos, beiraram a desobediência civil.
Ao mesmo tempo em que luta para garantir que todos os catarinenses tenham acesso a tratamento em caso de necessidade, por meio de uma ampliação expressiva dos leitos de UTI disponíveis, o Governo de Santa Catarina está atento ao sentimento dos catarinenses e à luta por um equilíbrio entre o enfrentamento da pandemia e o bem-estar sócio-econômico.
Em um momento como o atual, deve haver um tratamento igualitário entre todos os setores, privilegiando a legalidade em detrimento da clandestinidade. Tal conceito embasou algumas das medidas, tais como a permissão de ocupação de 100% dos hotéis, a liberação de eventos sociais, com restrição de público.
Para atravessarmos as dificuldades, nunca outrora vividas nesta geração, todos precisam dar as mãos.
O que diz o decreto do Estado
O decreto nº 1027 do Estado entrou em vigor a partir desta segunda-feira, e tem validade até 28 de fevereiro de 2021.
O documento revoga o “toque de recolher” anunciado no começo de dezembro, que limita o horário de funcionamento de atividades e serviços não essenciais até a meia-noite.
O texto inclui alterações para funcionamento de eventos sociais, cinemas, teatros, parques temáticos e transporte coletivo na temporada de verão em Santa Catarina. As atividades devem ser regradas de acordo com a matriz de risco epidemiológico das regiões.