A epidemia de casos de diarreia no Litoral de Santa Catarina tem chamado a atenção durante esta temporada de verão. A SES (Secretaria de Estado da Saúde) constatou que os casos de norovírus no início de 2023 ficaram bem próximos do grande surto registrado no Litoral catarinense em 2016. Na segunda semana de janeiro o número de casos chegou a ultrapassar os dados daquele ano.
Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina faz análise da água do Estado – Foto: Ricardo Trida/Secom/Divulgação/NDDiante disso, a SES tem acompanhado com atenção o aumento de casos de DDA (doenças diarreicas agudas) no Estado. De acordo com a pasta, o trabalho de monitoramento, acompanhamento e investigação do aumento de casos, em especial nas cidades litorâneas, ocorre desde o início deste ano.
As equipes de vigilância em saúde captaram os primeiros rumores de um possível surto da doença, devido ao aumento expressivo dos atendimentos em unidades de saúde de pacientes com sintomas relacionados à DDA, como náuseas, vômitos, diarreia, febre, o que ocorreu a partir do dia 2 de janeiro.
SeguirO superintendente de vigilância em saúde, o médico infectologista Fábio Gaudenzi, explica que, a partir dessa percepção, a equipe técnica da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), através de dados coletados e inseridos no sistema SIVEP-DDA pelas unidades sentinelas, que são unidades de saúde espalhadas pelo Estado que fazem o monitoramento das doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA), pôde constatar que, embora durante todo o ano de 2022 os casos de DDA tenham se mantido acima do limite superior, a partir da primeira semana do ano de 2023 houve um aumento importante dos registros.
“Vimos que os valores alcançados neste início de ano estavam muito próximos aos registrados em 2016, quando tivemos um grande surto relacionado a norovírus também no litoral catarinense. Na segunda semana de janeiro esse número aumentou ainda mais e ultrapassamos os dados de 2016”, assinala o superintendente.
A percepção inicial do aumento de casos também fez com que equipes da SES, através da divisão de doenças de transmissão hídrica e alimentar da Dive, DIVS/SC (da Gerência de Saúde Ambiental da Diretoria de Vigilância Sanitária) e do Lacen/SC (Laboratório Central de Saúde Pública), iniciassem uma resposta coordenada ao evento.
Para isso, foi realizado contato com os municípios litorâneos que até aquele momento haviam apresentado aumento de casos: Florianópolis, Balneário Camboriú, Bombinhas, Navegantes, Penha, Balneário Piçarras, Porto Belo, Itapema e Itajaí.
“Desde então as equipes de saúde estaduais, incluindo as Gerências de Saúde de Florianópolis e Itajaí, têm realizado reuniões com as vigilâncias epidemiológicas dos municípios, a fim de obter um diagnóstico da situação e elaborar um plano de ação para o monitoramento e o enfrentamento do evento. Nestas reuniões, temos reforçado a necessidade de coletas de amostras de material fecal dos casos atendidos nas unidades sentinelas, bem como de material fecal dos surtos de DDA identificados pelos serviços de saúde ou vigilância epidemiológica municipal, explica Gaudenzi.
Amostras em análise no Lacen
Apesar da solicitação do Estado, a SES recebeu desde o início do ano até este momento apenas 52 amostras de pacientes, que já estão em análise no Lacen. Deste total, 18 foram encaminhadas para diagnóstico viral e 34 para diagnóstico bacteriano. O envio de amostras para diagnóstico viral ou bacteriano é definido na hora da coleta, a partir dos sintomas e da exposição do paciente.
Até o dia 20 de janeiro, 12 amostras de material fecal para diagnóstico viral tiveram resultado positivo, sendo encontrado em 9 amostras a presença de norovírus e em 3 amostras a presença de rotavírus.
Com estes resultados preliminares, pode-se levantar hipóteses sobre a origem do surto, mas as equipes de vigilância em saúde do estado e municípios continuam com a investigação epidemiológica, ambiental e laboratorial para estabelecer a relação causal, definir quais são os agentes causadores envolvidos e quais as principais vias de transmissão.
A Secretaria de Estado da Saúde também acordou com os municípios litorâneos que apresentam grande fluxo turístico (Barra Velha, Balneário Piçarras, Penha, Navegantes, Porto Belo, Balneário Camboriú, Itapema, Bombinhas, Governador Celso Ramos e Florianópolis) que façam coleta ambiental de água (mar e rio) em pontos previamente estabelecidos.
Desta forma, através da análise da água, será possível estabelecer ou não uma conexão da água com o aumento de casos. As amostras também serão encaminhadas ao Lacen/SC para análise.
Auxílio do governo federal
O governo federal também está auxiliando o Estado e acompanha com atenção a situação de Santa Catarina em relação ao surto de doenças diarreicas. Na última sexta (13), foi realizada reunião por videoconferência entre a equipe do estado e os técnicos responsáveis do Programa Nacional de DTHA, do Ministério da Saúde, para discussão de medidas adotadas e do planejamento das ações de mitigação do surto.
A SES informa que trabalha ainda na intensificação da divulgação de informações que possam auxiliar a população a prevenir a ocorrência das DDA, utilizando redes sociais e mídias tradicionais, como TV e rádio, além de documentos técnicos, como a Nota de Alerta 022/2021 DIVE/GEDIM/SUV/SES/SC.
Em paralelo, os municípios também reforçaram a divulgação de medidas de prevenção, bem como organizaram a ampliação do atendimento em UBS (Unidades de Saúde) e de UPAS (Pronto Atendimento) quando identificada a necessidade, orientando as equipes de assistência sobre o manejo correto dos casos.
“Reforçamos que as equipes de saúde do estado continuam acompanhando o surto da doença, buscando as possíveis causas e agentes, em alinhamento com os municípios afetados e com apoio da área técnica da esfera federal. Reiteramos também a importância de mantermos as medidas de prevenção, assunto que temos abordado repetidamente nos últimos dias para tentar evitar novos casos”, finaliza o superintendente.