Equipamentos quebrados e falta de insumos nos hospitais públicos de Santa Catarina fizeram com que o TCE/SC (Tribunal de Contas de Estado de Santa Catarina) cobrasse explicações da Secretária de Saúde. No começo do mês, o Tribunal encaminhou 14 notificações ao governo, pedindo respostas sobre o possível desabastecimento de materiais e equipamentos cirúrgicos com defeitos.
De acordo com o diretor de Contas de Gestão do TCE, Sidney Tavares, “o Tribunal vai fazer uma análise para entender se isso realmente tá acontecendo e o por que e aí tentar descobrir se tem responsáveis, mas especialmente tentar resolver o problema, que é claramente a nossa maior preocupação nesse momento”.
Falta de manutenção e insumos causa demora nas cirurgias em hospitais públicos de SC – Foto: Divulgação/NDEsta semana, o TCE recebeu uma resposta da SES (Secretaria de Estado da Saúde) sobre os questionamentos de falta de insumos e materiais. Agora, uma equipe técnica do TCE está analisando essas respostas e deve nos próximos dias emitir um novo relatório.
A equipe do Balanço Geral Florianópolis procurou a SES, que não quis gravar entrevista.
Pacientes aguardam solução
O mecânico Luiz Henrique Corrêa, que é morador de Florianópolis, vive um drama que se arrasta há dois anos. Ele precisa, com urgência, fazer um procedimento cirúrgico vascular.
O caso de Corrêa é acompanhado pela equipe do Instituto de Cardiologia, que fica no Hospital Regional de São José. A direção da unidade alega que o equipamento usado para as cirurgias está quebrado. “Sempre tem um empecilho, geralmente a máquina estraga. Eles não têm um programa de manutenção das máquinas no Estado”, disse o mecânico.
Ele está preocupado com alguma complicação que ele possa vir a ter, por conta dessa espera: “tem o risco de estourar a aorta. Ela é em três camadas e ficou só em duas. Então, quando a pressão sobe muito corre o risco de romper e me dar uma hemorragia interna. É uma bomba relógio.”
O irmão de Ralf Edson Pinto, Seu Rivaldo, de 74 anos, viveu o mesmo drama. Ele esperou dois meses por uma cirurgia também no Instituto de Cardiologia. O paciente só conseguiu o atendimento nesta quinta-feira (18).
Segundo Pinto, “o que preocupa são outros pacientes que ficaram e esse equipamento pode vir a quebrar de novo. São muitas vidas em risco”.
Quem precisa de procedimentos cirúrgicos no Instituto de Cardiologia está enfrentando dificuldade para ter acesso ao atendimento. O argumento é sempre o mesmo: máquinas quebradas e que precisam de manutenção ou troca. Uma situação que coloca em risco a vida dos pacientes.
“Um cateterismo, por exemplo, teve que ser enviado para fora. A equipe médica e a equipe de enfermagem são sensacionais, o que eles precisam é de material de trabalho, equipamento em dia, equipamentos novos, equipamentos com manutenção”, disse o irmão de Seu Rivaldo.
A SES informou que o Instituto de Cardiologia está com dois aparelhos quebrados e em processo de manutenção. A previsão é de que ao menos um dos equipamentos esteja funcionando na próxima terça-feira (23). Sobre a falta de insumos, a Secretaria disse que já respondeu ao TCE e que existe dificuldade de compra de alguns materiais, devido à escassez no mercado ou ao aumento de preço.
Confira mais informações na reportagem do BG Floripa.