Antonio Carlos de Moraes, de 65 anos, era natural de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Todos os dias, por 17 anos, o seu destino era o box 66 do camelódromo. Mas no dia 20 de outubro o caminho de Sr. Antonio foi outro. Ele precisou ser internado no HRO (Hospital Regional do Oeste), coincidentemente, no leito 66.
Antonio ficou internado por 23 dias no HRO com Covid-19. – Foto: Arquivo PessoalUm dia depois veio a mais temida confirmação: o teste de Covid-19 deu positivo. Exatamente 24 dias depois de internação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) lutando contra o vírus, morreu em decorrência de complicações da Covid-19. Sr. Antonio foi a 82ª vítima entre as 109 mortes ocorridas no município.
“Minha maior dor era não conseguir ver meu pai. Ele lutou muito para viver, mas essa doença é destrutiva. Batalhamos junto com a equipe médica, mas infelizmente, no dia 12 de novembro, às 7 horas da manhã, meu pai, minha fortaleza, perdeu a luta contra a Covid-19”, lamenta a filha Giceli de Moraes, de 37 anos.
SeguirA morte ocorreu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória no dia do aniversário do neto mais velho, Gabriel Willian Poletti, que completou 18 anos. “Em vez de comemorar, eu estava escolhendo o caixão para meu pai. Escolhi tudo pelo WhatsApp, até a roupa para a despedida dele”, relata Giceli que mora em Balneário Camboriú, mas conseguiu viajar a Chapecó para o velório.
Pandemia impediu encontros
Giceli conta que o pai sempre foi muito trabalhador. Antonio foi casado com Claudete Rodrigues, mãe de Giceli, por 24 anos. De sete filhos, apenas duas estão vivas: Giceli e a irmã mais velha, Sandra Claudete de Moraes. Depois da separação, Antonio teve outras duas filhas.
Devido à pandemia, Sr. Antonio, o vô Tonho como era carinhosamente chamado, conheceu o neto mais novo, João Alexandre, de 10 meses, poucos dias antes de ser internado com Covid-19.
Veja o vídeo do encontro de João e Antonio:
Comorbidades atrapalharam a recuperação
Ainda em julho deste ano, Sr. Antonio quebrou o pé indo ao trabalho. Foi quando descobriu que estava com diabetes. “Ele era hipertenso e cardiopata, mas sempre foi muito forte e ativo”, conta a filha.
No dia 8 de outubro foi internado com problemas cardíacos, se recuperou e três dias depois recebeu alta. Depois, retornou ao hospital no dia 20, quando foi internado com suspeita da Covid-19.
“Ele é meu herói, e tenho o maior orgulho em dizer que sou filha dele. A dor é muito grande, mas jamais será esquecido e o seu legado continuará”, afirma Giceli.