Após entrar em um colapso da saúde com o aumento acelerado de casos ativos e de mortes em decorrência da Covid-19, a prefeitura de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, tomou iniciativas para controlar a disseminação do vírus e prestar atendimento aos pacientes.
Uma delas foi a contratação do médico especialista em catástrofes, Michel Cadenas, que atua como coordenador da equipe médica do Centro Avançado de Atendimento à Covid-19, montado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes.
Cadenas atuou no colapso da saúde de outros Estados. – Foto: Reprodução/NDTV ChapecóCadenas atua, desde o início da pandemia, em situações críticas em vários Estados. Auxiliou no colapso da saúde no Acre, Paraná e no Amazonas. É médico emergencista pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
SeguirTambém é especialista em medicina de emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e faz parte da equipe de consultores do Hospital Sírio Libanês, na capital paulista.
Com sua expertise e experiência, o especialista em catástrofes ajudou a criar a estrutura do Centro Avançado em Chapecó, criado em tempo recorde. O local, que atua como um hospital de campanha, tem como principal objetivo, segundo Cadenas, fazer a triagem e a classificação de pacientes que evoluíram com piora do quadro gripal em virtude da infecção do coronavírus.
Leitos de retaguarda
Segundo o médico, o local é considerado um centro de passagem com leitos de retaguarda. Os pacientes que evoluem com necessidade de oxigenioterapia e com piora dos sintomas são encaminhado para o Centro, onde são acompanhados por profissionais de saúde.
Os leitos são monitorados pela equipe médica e de enfermagem e, conforme explica o médico, quando é identificado que o paciente evolui com piora de sintomas é transferido para a UTSI (Unidade de Tratamento Semi-Intensivo) onde tem estabilização e cuidados intensivos.
O médico atua na coordenação da equipe médica do Centro Avançado de Atendimento à Covid-19. – Foto: Reprodução/NDTV ChapecóDe acordo com Cadenas, profissionais do Brasil inteiro foram recrutados para compor as equipes de atendimento. “Cerca de 350 profissionais giram em escalas de 24h, 7 dias por semana para manter ativos todos os leitos. Atualmente temos ocupação de 100% dos leitos de cuidados intensivos e 50% dos leitos de enfermaria”.
Estrutura que serve de exemplo
Cadenas avalia, com base na experiência que tem na atuação de catástrofes, que a estrutura montada em Chapecó serve de exemplo para o país.
“A aproximação da atenção primária faz rastreamento e identificação de pacientes graves com a alta complexidade e isso permite maior sobrevida porque é possível iniciar os tratamentos intensivos precocemente. Isso faz com que os pacientes que agravaram o quadro clínico tenham mais chance de superar a doença”, observa.
Cadenas salienta, ainda, que a doença não está sob controle e a ampliação de casos sobrecarrega o sistema de saúde, o que torna ainda mais difícil a reversão dos quadros que se agravam.
“É importante manter o distanciamento social, fazer a detecção do vírus quando houverem sintomas e respeitar o isolamento. Se houver o agravamento dos sintomas ele precisa se deslocar às unidades de saúde. A ideia é não sobrecarregar os hospitais”.
Capacidade de atendimento
O espaço conta com 75 leitos de enfermaria e 20 de UTSI. Os leitos são identificados por quatro cores. Azul representa vaga aberta, verde é leve, amarelo é moderado e vermelho é grave.
O espaço foi montado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes. – Foto: Reprodução/NDTV ChapecóCadenas afirmou que apenas 4,7% dos pacientes evoluem para quadros graves. No entanto, sem essa estrutura, o número de óbitos seria maior, pois as pessoas não teriam onde ser internadas.
Segundo ele, antes do Centro de Eventos, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) chegou a ter 50 pacientes internados, o Ambulatório da Efapi teve 18 e, no Ivo Silveira, havia 12 pessoas internadas, pois não havia mais espaço no HRO (Hospital Regional do Oeste). No momento, há vagas de enfermaria.