O anúncio neste domingo (11) da vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos contra a Covid-19 em São Paulo a partir do fim agosto acendeu expectativas. Mas a antecipação é questionada por especialistas. Entre os Estados, também é exceção e se dá devido a compra de lotes extras da vacina. A regra, inclusive em Santa Catarina, é aguardar definições do Ministério da Saúde, que ainda não liberou a imunização do grupo.
Cautela é importante, uma vez que estão em andamento estudos quanto a necessidade de terceira dose a grupos prioritários. “. Adianta divulgar algo que vai acontecer no final de agosto? É tudo muito novo. É bom ir com calma”- Foto: Leo Munhoz/NDO cronograma de vacinação em Santa Catarina segue em ordem decrescente, e encerra no grupo de 18 anos. A previsão é que ele seja cumprido até 31 de agosto. O reforço deve ser feito até outubro. Crianças e adolescentes ainda não contam com data – a Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) aguarda orientações do governo federal, informa a Diretoria nesta segunda.
O Ministério da Saúde informou que a ampliação do cronograma para adolescentes a partir dos 12 anos é atualmente discutida na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis, criada na pandemia e responsável pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19.
SeguirA pasta é responsável por distribuir vacinas aos Estados pelo PNI (Plano Nacional de Imunização). As orientações do Ministério da Saúde devem estabelecer a ordem dos grupos prioritários, assim como a distribuição dos imunizantes.
Pressa infundada
É fundamental a vacinação deste grupo, e até provável que adolescentes sejam vacinados logo após pessoas com mais de 18 anos terem tomado a primeira dose. Mas isso não justifica o anúncio prematuro, uma vez que há aspectos da campanha que precisam ser avaliados conjuntamente entre os Estados, explica Fabiana Schuelter Trevisol, professora e epidemiologista da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina).
É estudado se é necessário aplicar a terceira dose em grupos que foram vacinados no início. “Estamos vacinando e os indicadores melhoram, mas pode ser que até dezembro seja necessário aplicar novo reforço, ou imunização cruzada”, ressalta Trevisol. Uma das possibilidades seria conciliar a campanha de reforço dos grupos prioritários com o avanço etário, equação essa que não foi considerada pelo governo paulista.
Ao invés de avançar na campanha de São Paulo para alcançar grupos, uma alternativa seria utilizar a quantidade extra de doses para promover o avanço igualitário no país. A medida combateria novas mutações, por exemplo. “Temos ainda muitas discrepâncias [nas campanhas] entre os Estados, e as fronteiras estão abertas”, afirma a professora.
“Achamos num primeiro momento que crianças e adolescentes eram vetores da doença, o que não se concretizou. Em trabalhos posteriores vimos que tem uma transmissão menor. Com o retorno das aulas esse ano está mais do que comprovado. Não tivemos um aumento significativo”, avalia Trevisol. Até então, 23 adolescentes de 12 a 17 anos perderam a vida para a Covid-19 em Santa Catarina. Entre a faixa etária dos 10 a 19 anos, 73.944 casos já foram confirmados.
Em entrevista ao UOL, a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) também criticou a antecipação. O presidente Juarez Cunha ressaltou que as medidas de vacinação deveriam ser tomadas de forma unificada. De maneira diferente, resulta em ruído de informação e pressão para os outros estados tomarem a mesma decisão. “É o tipo da informação que não vai ajudar em absolutamente nada. Por isso que talvez seja informação só de cunho político”, disse Cunha ao portal.
“Parece uma medida não tão baseada em dados epidemiológicos. Adianta divulgar algo que vai acontecer no final de agosto? É tudo muito novo, está sendo analisado. É bom ir com calma”, ressalta Trevisol.
Apenas uma vacina liberada
A largada dada por São Paulo se dá por conta de doses extras compradas diretamente pelo governo estadual. Com o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), serão importadas 30 milhões de doses da Coronavac exclusivas para São Paulo.
O montante de Coronavac permitirá que as doses da vacina Pfizer sejam reservadas ao grupo. É o único imunizante que, até o momento, tem autorização da Anvisa para ser aplicado em adolescentes com mais de 12 anos. Para cumprir o cronograma, entretanto, o governo de São Paulo depende que sejam cumpridas as entregas da Pfizer pelo Ministério.
A Pfizer foi utilizada para a imunização do grupo em diferentes países, como Estados Unidos, Japão, Canadá, países europeus, entre outros. No Brasil o uso foi aprovado no início de junho. Os outros três imunizantes utilizados aqui- Coronavac, Janssen e Astrazeneca – ainda não foram liberados. São necessários estudos específicos ao grupo por conta da fase de crescimento e o desenvolvimento dos órgãos.
O Instituto Butantan entregou para a Agência resultados de estudo feito na China sobre a eficácia da Coronavac entre pessoas de 3 a 17 anos de idade. A expectativa é que a vacina seja também liberada para o grupo, informou neste domingo (11) Dimas Covas, presidente do Butantan.
Datas de vacinação contra a covid-19 para adultos em São Paulo
- Adultos de 37 a 39 anos: 8 a 14 de julho
- Adultos de 35 e 36 anos: 15 a 18 de julho
- Adultos de 30 a 34 anos: 19 de julho a 4 de agosto
- Adultos de 25 a 29 anos: 5 a 12 de agosto
- Adultos de 18 a 24 anos: 13 a 20 de agosto
Cronograma para adolescentes
- Adolescentes de 12 a 17 anos com deficiência, comorbidades e gestantes: 23 de agosto a 5 de setembro
- Adolescentes de 15 a 17 anos sem comorbidades: 6 a 19 de setembro
- Adolescentes de 12 a 14 anos sem comorbidades: 20 a 30 de setembro
*Com informações do Estadão