Especialistas explicam tratamentos precoces contra a Covid-19 adotados em SC

Presidente do CRM e diretor técnico do SOS Cardio avaliaram o uso de medicamentos contra a doença

Redação ND Florianópolis

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Em um debate realizado no Balanço Geral, da NDTV, desta quinta-feira (16), especialistas na área da medicina esclareceram questões sobre o tratamento precoce contra a Covid-19.

O presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina), Daniel Ortellado, e o diretor técnico e coordenador de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do SOS Cardio, Fernando Aranha, falaram sobre o uso de medicamentos como a hidroxicloroquina e a ivermectina, além da politização da discussão.

Médicos orientam o tratamento precoce à Covid-19 – Foto: Folha de Pernambuco/R7/Divulgação/NDMédicos orientam o tratamento precoce à Covid-19 – Foto: Folha de Pernambuco/R7/Divulgação/ND

O Conselho Regional de Medicina se manifestou recentemente sobre a causa, e preza pela autonomia do médico, como diz Daniel Ortellado.

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“O CRM se posicionou, apesar de não ter uma decisão unânime contra essa questão do tratamento precoce. Na verdade, a posição do Conselho foi a favor da autonomia do médico. Quer dizer que se o médico achar que os trabalhos científicos têm confiança necessária para aplicar o tratamento precoce em seus pacientes, ele pode fazer”, explica Ortellado.

Ele ressalta, no entanto, que se o médico achar que os tratamentos científicos existentes não são suficientemente fortes e confiáveis, pode não utilizá-los. “A grande preocupação do conselho é preservar a autonomia do médico”, afirma.

Decisão entre médico e paciente

O diretor do SOS Cardio, Fernando Aranha, avaliou que a decisão deve ser apenas entre os interesses do paciente e do médico. Ele também comentou sobre a politização do assunto.

“É uma coisa inédita, uma situação completamente singular. Se procurar por outros paralelos, por exemplo com o H1N1 em 2009, não houve nada disso”, disse ele, sobre a politização na área da saúde.

“Parece que as pessoas estavam realmente preocupadas com os pacientes. Agora parece que elas estão preocupadas com outras coisas. Até agora não vi nada de perigoso. Temos que pesar o risco e benefício em função do tratamento, sempre dividindo isso com o principal interessado, que é o paciente”, acrescentou.

Fernando discorreu ainda sobre o tempo perdido com a discussão, que poderia ter salvo mais pessoas.

“A gente ainda precisa de mais estudo, mas agora não dá pra esperar para decidir. Com algumas evidências, estudos consistentes, não se pode alegar que determinado grupo tenha interesse nessa droga, por exemplo, porque é uma droga barata. Não tem ninguém particularmente interessado nela. São dados que convencem a maioria dos médicos. Infelizmente estamos perdendo muito tempo. Eu trabalho em UTI e passo metade do tempo tratando dos pacientes,e uma boa parte tendo que discutir esses assuntos, o que é absolutamente irrazoável”, conclui.

Tratamentos precoces em Santa Catarina

Florianópolis

De acordo com o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, o município não deixará de realizar nenhum procedimento que possa ajudar a combater a Covid-19.

Ele afirmou que o único medicamento que não está disponível na Capital para o combate à doença é a hidroxicloroquina. No entanto, já foi realizado o pedido ao Ministério da Saúde, e a expectativa é que o medicamento seja liberado na próxima semana.

Blumenau

O secretário de saúde de Blumenau, Winnetou Krambeck, explicou que os médicos têm liberdade para receitar qualquer medicamento que ajude no tratamento.

No entanto, não havia nenhum tipo de protocolo de distribuição no município até esta quinta-feira (16).

Itajaí

Desde o dia 7 de julho, a cidade de Itajaí passou a distribuir a ivermectina como tratamento preventivo à Covid-19.

Até esta quinta-feira, mais de 76 mil pessoas já receberam o medicamento. Pessoas de outras cidades, inclusive, estão se dirigindo ao município para obter o vermífugo.

Chapecó

Luciano Bulligon, prefeito de Chapecó, no Oeste do Estado, afirmou que o município segue as indicações do Conselho Federal de Medicina.

Dessa forma, dá total autonomia aos médicos e pacientes decidirem sobre o melhor tratamento.

Norte do Estado

Algumas prefeituras do Norte do Estado informaram que vão liberar protocolos para o tratamento precoce à Covid-19.

Em Joinville, cinco unidades básicas de saúde irão receber a cloroquina. A secretária municipal de Saúde, Luana Ferrabone, explica que a decisão não será exclusivamente do paciente, e os medicamentos só poderão ser retirados com receita médica.

A Prefeitura de Rio Negrinho está concluindo um protocolo de uso de hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina. No entanto, ainda não tem data para ficar pronto.

Já em São Francisco do Sul, a prefeitura informou que está em fase inicial um protocolo para o uso de medicamentos de uso preventivo à doença.

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