A passagem do secretário de Estado da Saúde por Blumenau nesta quinta-feira (18) teve tom de alerta: a transmissão da Covid-19 está muito acelerada no Oeste de Santa Catarina e o Vale do Itajaí deve sentir o impacto. André Motta Ribeiro passou a tarde visitando os hospitais Santo Antônio e Santa Isabel para conferir de perto a situação das UTIs. Porém, deixou a cidade sem se comprometer com a abertura de novos leitos.
Apesar disso, ao ser questionado pela reportagem do ND+ se Blumenau deve receber mais leitos de terapia intensiva, Ribeiro respondeu:
“Precisaremos. Infelizmente, durante muito tempo a gente tem alertado para essa situação, chamado todos à compreensão da necessidade de cumprir regras. Mas, por alguns momentos a gente se descontrolou como sociedade em geral, não estou aqui culpando ninguém, mas é uma realidade. Então deveremos, sim”.
Secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro visita Blumenau – Foto: Tami Santos/Prefeitura de BlumenauConforme o boletim desta quinta-feira (18), Blumenau tem 45 pacientes em UTI com coronavírus. Destes, 15 são de outras cidades de Santa Catarina. A prefeitura não especifica para qual município, mas disponibilizou quatro leitos para pacientes vindos do Oeste. Conforme a situação se agrava naquela região, sobrecarrega onde ainda há vagas em virtude das transferências inter-hospitalares.
SeguirO secretário de Estado da Saúde diz ter encontrado em Blumenau um cenário bastante positivo no que se refere à estrutura das UTIs.
“Chega a trazer um certo conforto, diminui um pouco a nossa intranquilidade quando a gente anda em hospitais e vê claramente que as pessoas estão trabalhando para ofertar mais em saúde. Saio daqui mais esperançoso que a gente possa ter um enfrentamento aqui mais adequado que eventualmente em outros lugares do país e até do estado”.
Secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro visita Blumenau – Foto: Tami Santos/Prefeitura de BlumenauTer estrutura não permite baixar a guarda
Embora a regulação dos leitos públicos de UTI seja feita pelo governo do Estado, o prefeito Mário Hildebrandt conta que há uma organização para que a ocupação se dê primeiro nos hospitais de média complexidade, como o Beatriz Ramos, em Indaial; Oase, em Timbó; e Perpétuo Socorro, em Gaspar. Isso para não sobrecarregar de imediato Blumenau, que é referência em alta complexidade.
Hildebrandt pontua que todos os esforços para ampliação de UTIs em Blumenau já foram feitos. Em caso de necessidade, os três hospitais da cidade – incluindo o Santa Catarina, que é particular – podem comportar até 94 leitos de terapia intensiva para casos de Covid-19.
“A nossa estrutura hospitalar está no limite […]. Os hospitais e a cidade já fizeram seus investimentos. Claro que temos um desafio importante frente a isso. Nós estamos em diálogo direto com os hospitais, porque não é só o respirador, o monitor. Temos que ter também equipe”, afirmou o prefeito ao pontuar um déficit de 80 servidores no Hospital Santo Antônio e de 180 funcionários no Santa Isabel.
>> Hospitais de Blumenau começam a registrar lotação das UTIs
Secretário de Estado da Saúde participou de coletiva de imprensa após visitas Foto: Talita Catie/NDTVGoverno ainda aposta no bom senso das pessoas
Ao atender a imprensa após visitar os hospitais e se reunir com presidente da Ammvi (Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí), o secretário de Estado da Saúde André Motta Ribeiro frisou reiteradamente a necessidade de conscientização da comunidade.
“Nada disso vai resolver se não tomarmos atitude enquanto sociedade. Não há leito de UTI que chegue”, ressaltou.
A esperança se deposita também na imunização. Uma nova remessa de doses deve chegar ao estado na próxima terça-feira (23). Quantas virão para Santa Catarina ainda não se sabe. Blumenau suspendeu a vacinação na quarta-feira (17) por falta do medicamento. Até o momento, 9.540 pessoas tomaram a primeira dose na cidade e 3.272 já receberam a segunda aplicação.