Habituada a viver em um mundo protegido pela imunização há três séculos, a sociedade contemporânea foi pega de surpresa pela Covid-19 em 2020, quando, de um dia para o outro, passou a ter medo de sair às ruas, de enviar as crianças à escola e a recomendação para enfrentar o desconhecido era o isolamento social.
Entre as décadas de 1911 e 1950, no entanto, outro vírus já aterrorizava famílias e pais que temiam levar os seus filhos para as aulas e para quaisquer atividades fora de casa, já que na época, a cada dia, aumentava a circulação de uma doença que atacava a medula espinhal e provocava paralisia parcial irreversível, sobretudo nas extremidades inferiores.
Vacina Sarampo – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SecomEssa era a realidade do Brasil e do mundo com a disseminação da poliomielite, uma grave enfermidade infecto-contagiosa que provocou numerosos surtos e epidemias no século XX. Com o desenvolvimento e início da vacinação a partir da década de 1950 o Brasil não registra casos de pólio desde 1989 e a maioria dos países do mundo também já erradicou a doença por meio da vacinação. No entanto, a falta de preocupação com a doença tem deixado lacunas na imunização básica das crianças. O Governo de Santa Catarina alerta que a poliomelite ainda é registrada em algumas regiões do planeta, o que é motivo de preocupação entre especialistas devido à queda na imunização verificada atualmente.
Estado alerta sobre a importância de garantir as coberturas vacinais – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SecomCom o objetivo de esclarecer sobre a importância dos imunizantes e das coberturas vacinais para proteger crianças e adolescentes de doenças que podem ser prevenidas, a Secretaria de Estado da Saúde promove a campanha de vacinação contra a Poliomielite e a de Multivacinação para crianças e adolescentes menores de 15 anos até o dia 9 de setembro, em todos os municípios catarinenses.
“A proteção gerada pelas vacinas decorre da capacidade que elas têm de induzir nosso sistema de defesa a produzir imunidade, seja por meio da ação de células ou de anticorpos específicos, explica o superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário. O Estado ressalta ainda para a importância de pais e responsáveis ficarem atentos às datas e aproveitarem a oportunidade para verificar a situação vacinal dos seus filhos. Nos postos são oferecidas 17 vacinas que protegem contra mais de 20 doenças.
Quem precisa se vacinar
Na Campanha de Vacinação contra a Poliomielite, a indicação é vacinar, de forma indiscriminada, crianças de 1 ano a menores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias) com a VOP (Vacina Oral Poliomielite), desde que já tenham recebido as três doses da VIP (Vacina Inativada Poliomielite) do esquema básico. Para crianças menores de um ano, a vacinação deve ser feita conforme a situação vacinal encontrada para o esquema primário, 1ª dose aos 2 meses, 2ª dose aos 4 meses e 3ª dose aos 6 meses, com a vacina VIP. O público estimado é de 488.948 crianças na faixa etária de 0 a 4 anos. Já na Campanha de Multi – vacinação serão oferecidas para crianças e adolescentes menores de 15 anos (14 anos, 11 meses e 29 dias) todas as vacinas do Calendário Nacional de Vacinação.
Combate à Covid-19
Durante o período das campanhas, crianças e adolescentes também poderão ser vacinados contra a Covid-19. Segundo orientação do Ministério da Saúde, não existe mais a necessidade de aguardar o intervalo de 15 dias para aplicação da vacina contra a Covid-19 e demais doses do Calendário Nacional de Vacinação em crianças a partir dos 3 anos. Sendo assim, as doses podem ser tomadas de forma simultânea ou com qualquer intervalo. Em caso de dúvidas sobre a situação vacinal da criança ou do ado – lescente, a recomendação é procurar um posto de vacinação.