Estado e municípios divergem sobre números de testes realizados para Covid-19 em SC

21/10/2020 às 17h12

Dados apontam uma diferença de mais de 83 mil exames entre os computados pelas 10 cidades com maior número de mortes e a soma dos diagnósticos destes municípios reunidos pelo governo estadual

Maurício Frighetto Florianópolis

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Desde o início da pandemia pesquisadores e autoridades em saúde destacaram a importância dos testes para diagnosticar a Covid-19 e evitar sua propagação. Passados pouco mais de sete meses desde o início da emergência em saúde, a reportagem buscou informações no governo do Estado e nos 10 municípios com mais mortes registradas em Santa Catarina sobre os números de exames realizados. O que descobrimos foram informações divergentes e ainda sem explicações claras para justificar essa diferença nos dados públicos sobre testagem.

Joinville, Itajaí, Blumenau, Florianópolis, Criciúma, Balneário Camboriú, São José, Tubarão, Lages e Chapecó informaram ter realizado juntas 383,3 mil testes. Já o executivo estadual computou 300 mil exames aplicados nestes mesmos municípios.

Os dados foram repassados ao ND+ pelas assessorias de imprensa das prefeituras entre os dias 7 e 19 de outubro. No caso de São José, as informações são de uma notícia publicada no site oficial da prefeitura. E as informações reunidas pelo governo de Santa Catarina foram coletadas no dia 15 de outubro no Painel de Casos Covid-19 em SC.

Há dois testes principais usados na pandemia do coronavírus: o RT-PCR (da sigla em Inglês para Transcrição Reversa Seguida de Reação em Cadeia da Polimerase) e o rápido, que são complementares.

“O teste RT-PCR é o padrão-ouro para identificar a presença do vírus. O teste rápido identifica se o indivíduo gerou anticorpos para o vírus, mostrando que ele entrou em contato com o vírus em algum momento. Mas não quer dizer que esse indivíduo seja um potencial contaminante”, explica Tiago Collares, coordenador da Unidade de Diagnóstico Molecular Covid-19 da UFPel (Universidade Federal de Pelotas).

Estado e municípios não responderam ainda os motivos para a diferença entre os números publicados sobre testes realizados para diagnóstico da Covid-19 – Foto: Cristiano Andujar/PMF/DivulgaçãoEstado e municípios não responderam ainda os motivos para a diferença entre os números publicados sobre testes realizados para diagnóstico da Covid-19 – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação

A diferença entre os dados fica ainda mais explícita quando são comparados os números dos dois principais tipos de testes. Blumenau informou ter feito 55,6 mil exames (33,8 mil RT-PCR e 21,7 mil rápidos), enquanto o Estado computou 27,5 mil (20,3 mil RT-PCR e 7,2 mil rápidos) na mesma cidade.

Segundo a Prefeitura, a diferença ocorre devido a algumas mudanças nos sistemas usados pelo Estado e o governo federal em relação a registro de testes. “Além disso, constantemente o município e o Estado buscam alinhar os números, mas que isso não acontece porque até eles atualizarem os números no estado, o município já está com outros números mais atuais”, informa a administração municipal.

No caso de Florianópolis, os dados da Prefeitura são menores que os do Estado. A prefeitura informou ter aplicado 41,7 mil testes (16,7 mil RT-PCR e 25,2 mil rápidos). Já o Estado reporta que foram realizados 57,4 mil (45,8 mil RT-PCR e 11,5 mil rápidos).

Os números repassados pela capital também são diferentes do próprio Covidômetro, mantido pela administração municipal (12 mil RT-PCR e 27,6 mil rápidos). A prefeitura informou ainda que, contando com testes realizados com outros parceiros do setor privado, o número de testes fica em torno de 80 mil.

A assessoria de imprensa da Capital deu a seguinte explicação sobre as diferenças: “A base de dados que alimenta a parte de exames do covidômetro está em revisão. Os dados do Estado são inseridos por outra metodologia, na qual não saberíamos detalhar por não se tratar de um sistema da administração municipal.”

O Painel de Casos Covid-19 em SC informa que as fontes usadas são o Lacen (Laboratório Central), laboratórios privados e a Vigilância Epidemiológica. A reportagem questionou o Estado sobre a base dos dados, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço continua aberto para que o desencontro dos dados seja explicado, considerando a importância dos números para o controle da doença.

Por enquanto, oito das dez cidades ouvidas neste levantamento informaram ao ND+ como pretendem usar os testes para o controle e monitoramento da pandemia. (Leia os planos e ações de cada município no final desta reportagem).

Tubarão mantém um “quadro de número de testes realizados” no Painel de Dados da Covid-19. O número de testes RT-PCR é um pouco maior que os dados do governo do Estado. Segundo Daisson Trevisol, secretário de saúde da cidade e professor da Unisul, os exames RT-PCR foram fornecidos pelo Estado, a prefeitura coletou as amostras e a análise foi realizada pelo Lacen. A diferença poderia estar, especula o secretário, nos exames feitos na rede privada.

No entanto, em relação aos testes rápidos, a diferença é de 12,4 mil. “Não consigo entender esta diferença”, afirmou Trevisol, “Nós fizemos os testes rápidos e colocamos no sistema e-SUS VE (Vigilância Epidemiológica) e quem tem que pegar os dados é o Estado. O nosso dado está correto”, diz.

A dificuldade em obter informações sobre o número de testes realizados também foi encontrada pelo professor Lauro Mattei, coordenador do NECAT (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Desde maio, o núcleo tem divulgado boletins semanais com análises sobre a situação da pandemia no Estado. “Não consegui fazer uma análise sobre o número de testes porque é bem difícil conseguir informações fidedignas junto às administrações municipais. Tentei no início da pandemia, mas desisti”, argumenta o pesquisador.

Tiago Collares, que também é diretor do CDTec (Centro de Desenvolvimento Tecnológico) da UFPel, avalia que o mais importante, no entanto, é o número de casos confirmados. “É a identificação dos casos positivos. Quando se identifica o caso positivo, esse dado tem que bater sempre”, avalia.

Além da problemática da transparência, os testes para Covid-19 têm gerado debates, pesquisas, novas metodologias e dúvidas. E tudo leva a crer que vão permanecer nas nossas vidas por um bom tempo. Essas questões fazem parte de mais uma reportagem da série “Covid-19 em Dados”, uma iniciativa do ND+ com o patrocínio do Google sobre a pandemia do novo coronavírus. Clique aqui e confira a página especial do projeto com todas as reportagens.

Brasil perdeu oportunidade de reduzir a contaminação com mais testes no início da pandemia, diz especialista

Há uma máxima em epidemiologia quando se trata de surto, epidemia ou pandemia: testar, rastrear os contatos e isolar os casos positivos e seus contactantes. “Infelizmente, nós não fizemos isso no Brasil desde o princípio da pandemia. Não tinham testes suficientes”, lamenta Paulo Petry, mestre e doutor em epidemiologia e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A oportunidade foi perdida, sobretudo, no início da pandemia, segundo o pesquisador.

Para o professor, o vírus chegou ao Brasil principalmente por São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus e Fortaleza. “Esse rastreamento seria muito fácil de fazer naquele período porque havia pouca gente contaminada. Nós temos um histórico de mais ou menos 150 introduções, que são passageiros que chegaram contaminados”, relembra. Eram, segundo o especialista, turistas ou brasileiros vindos, principalmente, da Europa, Estados Unidos e, em menor grau, da China.

“Se nós tivéssemos fechado nossos aeroportos internacionais, principalmente dos voos vindo dessas regiões, nós não teríamos introduzido o vírus tão cedo. Se nós tivéssemos testado as pessoas que chegavam desses países, rastreado seus contatos, isolado os casos, não teríamos o que temos hoje. Realmente o teste fez muita falta. Mas chegou um momento que se perde o controle e a não sabemos mais de onde vem o vírus”, avalia Petry.

Pesquisa nacional aponta falta de critérios na distribuição de testes

Em 8 de agosto, o Brasil atingiu a marca de 100 mil mortes por Covid-19 – hoje já são mais de 154 mil. Naquele momento, pesquisadores da Rede de Pesquisa Solidária da USP (Universidade de São Paulo) analisaram as razões para o país ter chegado a tal cenário. Ausência de uma estratégia articulada do governo federal de combate à Covid, falta de transparência e o desencontro entre os vários níveis de governo foram algumas das causas apontadas – assim como a política de testes.

“Embora não tenha sido identificado nenhum plano de ação relativo a testagem de covid-19, é possível afirmar que o governo federal privilegiou a realização de testes rápidos em detrimento dos testes RT-PCR, considerados com padrão de excelência”, apontou a análise. Naquele momento, os dados disponíveis na plataforma Painel de Teste mostraram que 40,5% dos testes distribuídos eram RT-PCR e 59,5%, rápidos.

Os pesquisadores apontaram também falta de critérios para distribuição. “Acompanhando a falta de priorização dos testes RT-PCR, não foi possível identificar os critérios adotados para envio dos testes aos estados. As unidades da Federação que receberam maior número de testes por 100 mil habitantes não coincidem com aquelas que enfrentaram uma pandemia severa. Exemplo dessa ausência de critério são os estados do Amazonas e Ceará, que apresentaram maior número de óbitos por Covid-19 por 100 mil habitantes e não aparecem entre aqueles que receberam maior número de testes oriundos do governo federal.”

Os dados atuais do Painel de Testes mostram que foram distribuídos 15,5 milhões de exames – 7,5 milhões RT-PCR e 8 milhões rápidos. Em termo de recursos, isso custou R$ 404.872.061,60 – o valor refere-se apenas aos testes RT-PCR. Santa Catarina foi o oitavo estado que mais recebeu os exames: 468.4 mil (202,3 mil RT-PCR e 266,4 rápidos). Quando os dados são mostrados proporcionalmente, SC figura na 16ª colocação (6.5 mil a cada 100 mil habitantes).

Para o professor Tiago Collares, o Brasil deveria fazer como os países asiáticos: teste radical de RT-PCR, mesmo nas pessoas sem sintomas. “Aí que é a questão. Temos que tentar identificar os assintomáticos que estão disseminando o vírus para outras pessoas. Esse controle só pode ser feito para RT-PCR”, explica. “Acredito que nos próximos dois anos e meio vamos ter a testagem de diversos setores, sejam universidades, colégios”, aponta.

Método pool para assintomáticos foi questionado pelo CFC, mas está liberado após investigação do MPSC

A Fundação Certi, junto com as empresas Neoprospecta e BiomeHub, a FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) e o SESI (Serviço Social da Indústria ) lançaram a Iniciativa Covid-19 com o objetivo de realizar exames em pessoas assintomáticas analisando as amostras em grupos, o chamado método pool. Até agora foram examinados cerca de 50 mil pessoas.

O método inicia com a coleta em cada indivíduo assintomático de duas amostras de nasofaringe (via nariz) e orofaringe (via boca). Um dos materiais é reservado em um tubo individual, enquanto a outra amostra é testada no modo coletivo pelo método RT-PCR junto com até 16 pessoas.

“Caso alguém do grupo esteja contaminado, são realizados os testes individuais e os mesmos ficam isolados até a descoberta de quem do grupo está infectado pela doença. Em caso de o ‘grupo testar negativo’, todos são liberados com um único teste”, explica a BiomeHub, responsável pelos testes, em seu site. Segundo Felipe Oliveira, CEO da BiomeHub, o teste individual custa cerca de R$ 300, enquanto o teste pool gira em torno de R$ 100.

Um inquérito civil público foi aberto em 15 setembro pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) para apurar uma possível falta de comprovação científica na metodologia. A apuração foi arquivada e a promotoria decidiu não emitir nenhuma recomendação contra a aplicação deste modelo de teste. O Conselho Superior do MPSC confirmou a decisão da 33ª Promotoria de Justiça da Capital no último dia 15 deste mês. Os testes ficaram suspensos durante os 30 dias da investigação.

Empresas e entidades responsáveis pela iniciativa afirmam que foram realizados  estudos para mostrar a eficiência; Anvisa não recomendou o uso em nota técnica publicada em maio – Foto: Divulgação/NDEmpresas e entidades responsáveis pela iniciativa afirmam que foram realizados  estudos para mostrar a eficiência; Anvisa não recomendou o uso em nota técnica publicada em maio – Foto: Divulgação/ND

O caso foi aberto por uma representação do CRF/SC (Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina) que alegou ausência de estudos mais apurados e comprovação científica da eficácia deste tipo de teste. A principal preocupação do conselho era de que a metodologia aumentaria exponencialmente a possibilidade de resultado negativo devido à diluição das amostras.

No processo, a Superintendência de Vigilância em Saúde do Estado informou que não existia regulamentação para o uso do pool de amostras e que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não recomendava o método.

Mas o promotor Luciano Trierweiller Naschenweng, depois de inúmeras consultas e pedidos de informação, arquivou o inquérito em 28 de setembro. Para a promotoria, não existe fundamento legal para a proibição, sobretudo porque os testes são feitos em assintomáticos, ou seja, fora do sistema de saúde.

“Há que se ter em mente, o momento excepcional que estamos todos vivenciando e a importância de serem realizados cada vez mais testes, especialmente em indivíduos assintomáticos. A pandemia no Brasil já dura mais de seis meses, não sendo mais possível cobrar da população que simplesmente ‘fique em casa’ quando precisam sair para trabalhar, estudar, ter saúde física e mental. Há, por outro lado, que se identificar os indivíduos contaminados e isolá-los, assim como todos aqueles que tiveram contato com essas pessoas. E é por isso que se entende, não tendo qualquer documento legal proibindo a realização da metodologia pool, que não existe razão para proibir o laboratório na sua realização”.

Para conferir os detalhes da investigação e a íntegra do despacho de arquivamento clique aqui.

A reportagem também questionou a Secretaria de Saúde sobre a metodologia, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. O CRF informou que não se pronunciará sobre a decisão do promotor, mas que ainda estuda um recurso contra a decisão do MPSC.

A Anvisa, por meio da assessoria de imprensa, informou que não é sua competência analisar a metodologia. Porém, em uma nota técnica de junho sobre o método, a agência não recomendou sua utilização. “Diante do exposto, apesar de não haver proibição sanitária para sua execução, a Anvisa entende não ser recomendável o uso de ‘pool de amostras’ devido ao duvidoso uso epidemiológico, em um momento de alta prevalência de casos de Covid-19 em que o Brasil vive, e sua possível diminuição na sensibilidade do teste, aumentando o risco de resultados falsos”.

O Superintendente geral da Fundação CERTI, Erich Muschellack, afirmou que foram feitos diversos estudos para mostrar a eficiência da metodologia. “O Conselho Regional de Farmácia, na nossa opinião, em vez de perguntar sobre a eficácia, resolveu entrar no Ministério Público para nos proibir. As alegações foram todas muito vagas”, diz. “O método, da forma como é feito aqui, é semelhante ao da Alemanha. Estados Unidos e Israel também fazem com uma metodologia um pouco diferente”, alega Muschellack.

Segundo Felipe Oliveira, CEO da BiomeHub, o foco da iniciativa não foi aplicar os testes no setor público, que examina os sintomáticos, o que traria desvantagem no custo benefício.

De acordo com a empresa, o único município que adquiriu os exames foi Palhoça, com o objetivo de analisar suas equipes de saúde e identificar mais rápido os integrantes que pudessem estar infectados. Florianópolis e Joinville também fizeram abordagem semelhante, segundo Oliveira, mas com o apoio da Vale e do Fundo Fera/SC (Fundo Empresarial para Reação Articulada de Santa Catarina Contra o Coronavírus), uma iniciativa da FIESC.

Pesquisa da Udesc pretende criar testes mais rápidos e baratos

A falta dos exames e a dificuldade em realizá-los gerou uma série de pesquisas em busca de novas tecnologias. Uma delas está sendo desenvolvida pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), em Lages, em parceria com a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e o Instituto Senai de Inovação Química Verde.

O objetivo é criar um teste para diagnóstico de Covid-19 que seja mais rápido e mais barato do que o RT-PCR. “Esperamos que até o final do ano os testes estejam validados”, informa Maria de Lourdes Borba Magalhães, professora de Bioquímica da Udesc e coordenadora do projeto.

O RT-PCR é considerado o padrão-ouro para diagnóstico da Covid-19. Mas, para fazê-lo, é necessário coletar a secreção pela boca ou nariz com um swab – um objeto semelhante a um cotonete grande e flexível – e enviar o material para um laboratório.

Método desenvolvido pelos pesquisadores da universidade estadual dispensa envio do material coletado para os laboratórios – Foto: Divulgação Udesc/NDMétodo desenvolvido pelos pesquisadores da universidade estadual dispensa envio do material coletado para os laboratórios – Foto: Divulgação Udesc/ND

“Para montar uma estrutura descentralizada não é muito barato, o que gera uma dificuldade logística, tornando a liberação do resultado mais lenta. Por isso pensamos em desenvolver este teste, que detecta o vírus e tem uma resposta mais rápida”, explica Maria de Lourdes.

O novo teste usa a mesma metodologia de coleta do RT-PCR. No entanto, o material não precisará ser levado para um laboratório, embora seja necessário um local estruturado e profissionais capacitados para realizá-los. O swab, então, é mergulhado em uma formulação rosa fluorescente. Caso haja a presença do vírus, a coloração desaparece.

Isso porque essa solução contém um peptídeo, uma molécula que reconhece o vírus e se se liga a ele. O grupo de Lages, que contou com a participação de alunos do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica e Biologia Molecular, desenvolveu essa molécula – as estruturas químicas que dão cor às moléculas ficaram a cargo das instituições parceiras.

A proposta foi submetida, em abril, ao edital “Missão contra Covid-19” da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) por meio da Scienco Biotec, uma startup criada no ambiente de inovação da Udesc Lages.

O projeto está em fase de validação dos testes no Rio de Janeiro, onde está sendo verificado a sensibilidade e a especificidade da nova tecnologia. “Se atender todos os parâmetros necessários, será solicitado a aprovação da Anvisa para colocação no mercado”, avalia a pesquisadora.

O edital prevê que a tecnologia não tenha patente. Segundo Maria de Lourdes, seria importante que empresas com capacidade produtiva maior se interessassem pela tecnologia para o ganhar escala e baratear seu custo. Mas ainda é preciso aguardar a validação dos resultados, inclusive para avaliar seu custo.

Utilidade pública e transparência

Sabia o que cada uma das prefeituras pretende fazer para controlar e monitorar a pandemia por meio de testes

O ND+ também questionou os municípios com os maiores números de mortes registradas até agora sobre os planos para conter a crise sanitária por meio da expansão ou do planejamento de novos exames e diagnósticos. Florianópolis e São José ainda não retornaram os pedidos de informação da reportagem até o fechamento desta edição.

Leia abaixo as íntegras das respostas para as seguintes perguntas:

Quantos testes a prefeitura ainda pretende fazer nesta fase da pandemia e nas próximas? Como a prefeitura pretende manter o controle da doença na cidade? O plano prevê a ampliação da testagem ou testes em massa?

JOINVILLE
Testes: Pretende fazer mais de 100 mil testes.

Manter a testagem e atendimento das unidades para casos suspeitos, com encaminhamentos para atendimento hospitalar conforme a necessidade. Continuar o monitoramento dos casos, a partir das testagens.

ITAJAÍ
Testes: Temos licitação de testes rápidos vigente. Pretendemos ampliar as testagens por amostragens nos bairros, bem como não parar com as testagens no Centro de Triagem e Unidades Básicas de Saúde.

Estamos em fase de elaboração do Plano de Contingência 2 (Neste plano são pontuadas as ações que o município está executando e também é feito o planejamento estratégico caso ocorra o aumento da curva de contaminação da COVID-19);

Monitoramento constante da curva de casos positivos e óbitos para tomadas de decisões;
Testagem em massa nos bairros do município para mensuração de casos e atuação nas ações;
Testagem de públicos-alvo, como idosos e profissionais da saúde;
Manutenção do Centro Ambulatorial de Triagem para COVID-19;
Manutenção da Central de Monitoramento de casos positivos e negativos sintomáticos;
Manutenção dos protocolos e atualizações de fluxos de atendimento;
Atuação em conjunto com Atenção Básica para continuidade dos cuidados com indivíduos positivos e no pós-COVID-19;
Atuação contínua da Vigilância sanitária com fiscalizações e ações estratégicas.

BLUMENAU
Testes: A Prefeitura de Blumenau continua atuando na ampliação da testagem da população. A descentralização dos trabalhos que estão disponíveis nos sete Ambulatórios Gerais do município foi uma estratégia usada para evitar que os moradores dos bairros com suspeita de Covid-19 tivessem que se deslocar até o centro para receber atendimento.

A Prefeitura de Blumenau fez em março a testagem dos funcionários da Secretaria de Promoção da Saúde (Semus). O município também testou os servidores da Secretaria de Defesa Civil (Sedeci) e da Secretaria de Trânsito e Transportes (Seterb) que atuavam no atendimento ao público.

Antes da flexibilização dos horários do comércio, o município fez a testagem dos funcionários de bares, restaurantes, hotéis e similares. A ação contou com apoio da Secretaria de Turismo e Lazer (Sectur) e do Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Blumenau e Região (Sihorbs). A Prefeitura também testou os profissionais da Blumob, empresa responsável pelo transporte coletivo urbano na cidade, antes do retorno das atividades.

Além disso, os profissionais da rede de atenção básica (ESFs) continuam atuando na ampliação da testagem de doentes crônicos e pacientes sintomáticos com sintomas há mais de oito dias por meio da busca ativa.

Os sete Ambulatórios Gerais (AGs) do município seguem realizando a testagem em pacientes com critério médico. As 21 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIS) localizadas no município também continuam recebendo acompanhamento dos profissionais da Semus, bem como cuidadores de idosos.

A Prefeitura também está analisando os resultados obtidos por meio de um inquérito epidemiológico para o diagnóstico da situação da Covid-19 na cidade. O levantamento que acontece testou 1.300 pessoas por amostragem, para estimar a extensão da pandemia em Blumenau.

O objetivo da Secretaria de Promoção da Saúde (Semus) é mapear a distribuição geográfica do vírus no município, identificando pontos críticos e populações de maior risco ao longo dos próximos meses. Essas informações serão utilizadas para guiar medidas de saúde pública e estratégias de controle para o combate da Covid-19. O Município é pioneiro em Santa Catarina neste procedimento, utilizando o teste RT-PCR.

O município está avaliando a possibilidade de ampliar a testagem para outros setores como supermercados e padarias do município.

CRICIÚMA
Testes: O município pretende continuar realizando a testagem da população, já foram licitados mais 40 mil testes. Criciúma continuará testando enquanto for necessário.

Pesquisas em residências aleatoriamente foram feitas, já foram seis etapas realizadas, o que dá indicadores exatos da população contaminada e imunizada. Todas as Unidades Básicas de Saúde foram treinadas pelo Laboratório Municipal para a realização de testes rápidos nas comunidades. Os testes identificam IGG e IGM permitindo contabilizar os pacientes já imunizados.

Foram iniciados também os testes rápidos de antígeno para que possamos controlar ainda mais rapidamente o avanço de uma possível segunda onda, a exemplo da Europa e Ásia, com isolamento mais eficaz dos pacientes sintomáticos, visto que esse tipo de testagem está agora disponível no mercado e, nossa comissão técnica de bioquímicos aprovou, com base em testagens simultâneas de PCR realizadas pelo LACEN, teve aprovação de 100% das amostras analisadas.

BALNEÁRIO CAMBORIÚ
Testes: PCR para sintomáticos (todos).

Central de monitoramento, isolamento de ativos e contatos. O plano é manter a mesma conduta de testagem em pacientes com sintomas que procurarem os serviços de saúde do município.

TUBARÃO
Testes: Ainda temos 18.000 testes rápidos para detecção de anticorpos IgM e IgG.

A estratégia continua sendo mista, ofertando os testes RT-PCR para pacientes sintomáticos. Os testes rápidos para pacientes sintomáticos e/ou com contato com casos positivos e no futuro próximo, ofertará o teste automatizado para detecção do antígeno, que tem se mostrado o mais eficiente por fornecer o resultado imediato já a partir do segundo dia do início dos sintomas. Os eventos de testagem em massa também continuarão fazendo parte da estratégia.

LAGES
Testes: Enquanto houver a necessidade de testagem da população, o Município trabalhará para garantir o acesso das pessoas aos exames, sem quantidade limitante.

Nesse sentido faz-se necessário contextualizar que a Prefeitura Municipal de Lages capitaneou a instalação da Central de Triagem da Covid-19, a qual funciona 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, incluindo feriados. Até segunda-feira (5 de outubro), 14.152 atendimentos foram realizados no local.

Apesar de o município estar acompanhando gradativa desaceleração da pandemia no cenário local, e o Centro de Triagem ter registrado queda acentuada na média de atendimentos diários, a estrutura será mantida em funcionamento, tendo em vista que ainda não há, de forma concreta, data para disponibilização da vacina contra a Covid-19.

A Prefeitura Municipal de Lages manterá o Centro de Triagem de portas abertas para atendimento de pessoas que apresentem sintomas característicos da Covid-19, e à medida que haja necessidade, os pacientes terão acesso aos testes, conforme avaliação e conduta médica.

Desde o início da pandemia, a Prefeitura de Lages está monitorando e analisando os dados no âmbito local, e estabelecendo indicadores com as demais regiões do estado, país e do mundo, para definir as estratégias e ações de combate ao novo Coronavírus.

Reuniões diárias foram realizadas com os responsáveis pelas estruturas de saúde para acompanhar os dados relacionados à pandemia, primando sempre pelo alinhamento das decisões com a Rede Regional de Saúde.

Mesmo antes de sair o resultado do primeiro caso suspeito de Covid-19 no município, o prefeito Antonio Ceron antecipando-se na prevenção e na tentativa de amenizar os impactos da circulação do vírus na cidade, decidiu criar o Gabinete Emergencial de Prevenção e Acompanhamento do Covid-19 (coronavírus), que foi instalado no dia 13 de março de 2020.

Integram o gabinete, representantes de órgãos públicos e entidades ligadas à saúde, como da Secretaria Municipal da Saúde, Regional de Saúde, Corpo de Bombeiros, 1° Batalhão Ferroviário, 2ª Região de Polícia Militar, SAMU, Defesa Civil, os hospitais Tereza Ramos, Nossa Senhora dos Prazeres e Seara do Bem, Conselho Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Educação, Gerência Regional de Educação (Gered), Conselho Municipal de Educação, Diocese de Lages e Conselho dos Pastores Evangélicos.

O objetivo do gabinete especial é concentrar informações e demandas, tomar decisões e orientar a população sobre os procedimentos que deverão ser adotados em casos suspeitos e confirmados da doença em Lages, atuando também na prevenção.

Complementando os questionamentos apresentados, testes em massa poderão ser realizados em Lages, se o cenário de confirmação de casos apresentar aceleração. Mas o município tem vivenciado um caminho na direção oposta. Na sexta-feira (2 de outubro) o Governo do Estado atualizou a Matriz de Risco Potencial Regional, e a Serra Catarinense migrou da classificação Laranja (risco alto) para Amarela (risco grave). Nesse sentido, é possível perceber gradativa desaceleração da pandemia no cenário local, como atestam os dados a seguir:

O número de pacientes recuperados chegou a 3.158, um aumento de 3,5% desde a semana anterior. Os índices de pessoas em monitoramento (559) e casos ativos (47), registraram queda, de 9% e 41% respectivamente, quando comparados ao boletim epidemiológico, de 28 de setembro.

Houve ainda, diminuição do registro diário de casos confirmados da Covid-19 em Lages. Em agosto, por exemplo, o município chegou a marca de 96 casos confirmados em um único dia. Durante os primeiros quatro dias do mês de outubro, a média de novas confirmações ficou abaixo de dez casos diários. Quanto aos óbitos decorrentes do novo Coronavírus, é possível observar maior espaçamento de tempo entre os registros. Nas últimas três semanas, entre 14 de setembro e 4 de outubro, foram cinco óbitos registrados, portanto em 16 dias intercalados não houve notificações de mortes por conta da doença.

O número de pessoas atendidas diariamente, no Centro de Triagem da Covid-19, localizado no prédio do antigo Pronto Atendimento Tito Bianchini, no Centro de Lages, também apresentou queda. Por exemplo, nos dias 21 e 22 de julho foram 474 atendimentos, enquanto no último final de semana (3 e 4 de outubro), foram 65 procedimentos realizados no local, queda de 86%.

Recentemente a Secretaria Municipal da Saúde também destinou 500 testes rápidos da Covid-19 para colaboradores de clínicas de Lages conveniadas ao SUS. Profissionais assintomáticos que atuam nesses estabelecimentos puderam fazer o teste rápido da Covid-19 ofertado pela Secretaria Municipal da Saúde. Os atendimentos foram realizados mediante agendamento telefônico em local devidamente preparado.

Os indicadores são acompanhados constantemente, e caso seja percebida alguma mudança no cenário, a administração municipal tomará as medidas necessárias.

CHAPECÓ
Testes: Vai depender dos dados epidemiológicos. Hoje estão sendo feitos testes para diagnóstico e para bloqueio de transmissão.

O município vai manter o controle seguindo as orientações das Portarias do estado e do Ministério da saúde, conforme a fase da pandemia e acompanhamento dos dados epidemiológicos. Seguir com medidas de Prevenção ( uso de máscaras, higienização das mãos, distanciamento social) monitoramento, rastreamento. O Plano de contingência municipal prevê a ampliação dos testes. Identificação dos grupos de risco e os contatos dos casos comprovadamente confirmados para bloqueio de transmissão. Não está prevista testagem em massa, pois a testagem em massa sorológica está indicada para inquérito epidemiológico da transmissão viral. O município realizou dois estudos, um com a UFPEL e outro em parceria com a Unochapecó e UFFS