Uma pesquisa do curso de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) mostrou que mães que tiveram Covid-19 durante a gestação transmitiram os anticorpos da doença para os bebês, por meio da placenta.
O estudo identificou 68 crianças nascidas com anticorpos entre 506 mães e bebês testados até o momento. O objetivo da pesquisa é chegar a 4 mil gestantes testadas.
Bebês adquiriram anticorpos contra Covid-19 por meio da placenta, sugere estudo – Foto: Pixabay/Reprodução/NDO estudo inédito utiliza o teste do pezinho dos recém-nascidos e a testagem das mães para identificar a infecção.
SeguirOs casos positivos serão acompanhados por dois anos para observar se a infecção durante a gestação trouxe consequências ao desenvolvimento das crianças e também para avaliar a duração dessa imunidade adquirida durante a gestação.
Estudos
Cinco municípios de Minas Gerais estão participando do estudo: Uberlândia, Contagem, Itabirito, Ipatinga e Nova Lima.
Os critérios para a escolha dessas cidades foram a taxa de prevalência de Covid-19, o número de nascimentos por mês e a existência de rede de apoio para eventual necessidade de reabilitação das crianças que tiverem alterações nos testes de neurodesenvolvimento.
Isso porque os pesquisadores acreditam que, mesmo que o bebê tenha nascido sem sintomas da doença, o comprometimento do desenvolvimento pode surgir mais tarde, por exemplo, quando a criança começar a falar ou andar. Mas ainda não há estudos sobre essa alteração.
A pesquisa conta com a parceria do Nupad (Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico), da Secretaria Estadual de Saúde e da UFU (Universidade Federal de Uberlândia).
Resultados
“Outros estudos já mostraram a presença de anticorpos no bebê, mas a maioria deles investigou a transferência de anticorpos após as manifestações da Covid-19 na mãe”, afirmou Cláudia Lindgren.
“Nesta pesquisa, estamos testando todas as mães e bebês, independente delas terem apresentado qualquer sintoma da doença durante a gravidez, porque sabemos que cerca de 80% das infecções são assintomáticas”, explica.
Segundo a professora, a confirmação da passagem de anticorpos da mãe para o bebê durante a gravidez pode ajudar a planejar o momento ideal para vacinação dos bebês contra a Covid-19. No caso do sarampo, por exemplo, já se sabe que os anticorpos maternos reduzem a eficácia da vacina contra a doença, e por isso a imunização é feita mais tarde nas crianças.
Ao longo dos próximos dois anos serão feitos inquéritos por telefone, consultas e testes de desenvolvimento dos bebês soropositivos e controle. A adesão ao estudo depende do aceite da mãe no momento do teste do pezinho, nas unidades básicas de saúde.