Um estudo publicado pelo virologista americano Michael Worobey, nesta quinta-feira (18), na revista cientifica Science, trouxe novas informações sobre o paciente zero, ou seja, o primeiro caso conhecido e registrado de Covid-19. Tal paciente, identificada na cidade de Wuhan, na China, foi uma vendedora que trabalhava em um mercado de animais.
Trabalhadores comunitários em Wuhan, em fevereiro de 2020 – Foto: Governo da China/Fotos Públicas/Divulgação/NDAnteriormente, um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) havia demonstrado que primeiro caso seria de um homem, 41 anos, que vivia a 30 km ao sul do Mercado de Huanan. A pesquisa sugeria que o local não tinha nenhuma conexão com ele, e o início da doença relatado era 8 de dezembro de 2019.
Conforme a pesquisa de Michael Worobey, quando o homem foi entrevistado, ele relatou que seus sintomas de Covid-19 começaram com febre, em 16 de dezembro. A doença de 8 de dezembro era um problema dentário relacionado aos dentes de leite retidos na idade adulta.
Seguir“Isso indica que ele foi infectado por transmissão na comunidade depois que o vírus começou a se espalhar do mercado de Huanan. Ele acreditava que poderia ter sido infectado em um hospital [durante sua emergência odontológica] ou no metrô durante seu trajeto. Ele também viajou para o norte do mercado de Huanan pouco antes de seus sintomas começarem”, acrescenta a pesquisa, que indica a origem do vírus no mercado.
A origem do vírus
De acordo com o cientista, os dados, associados à análise dos primeiros casos de Covid-19 na cidade, mostram que a origem do vírus é provavelmente animal. “Agora está claro que mamíferos vivos suscetíveis ao coronavírus, incluindo cães-guaxinim, foram vendidos no Mercado Huanan e três outros mercados de animais vivos em Wuhan antes da pandemia”, afirma o estudo.
Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Pulmonar de Wuhan, no início da pandemia – Foto: CGTN Photo/Reprodução/NDSegundo Worobey, as autoridades sanitárias alertaram sobre casos de uma doença suspeita vinculada ao local a partir de 30 de dezembro de 2019, o que levou à identificação de mais infecções no mercado do que em outros locais.
O estudo ainda analisa “eventos cruciais que ocorreram em dezembro de 2019 e no início de janeiro de 2020”, sendo eles as notificações feitas por dois hospitais antes do alerta ser feito. Os casos também estão relacionados ao mercado e suas redondezas.
Após pesquisas e mapeamento dos casos, o cientista explica que fortes indícios mostram que uma vendedora de frutos do mar do mercado é o primeiro caso conhecido, com início da doença em 11 de dezembro.
*Com informações do portal UOL e Revista Science.